Vinicius Monteiro Tito
O Banquete do Vazio - Vinicius Monteiro Tito
Garras de breu rasgam o tecido do nada,
Onde o éter sangra um silêncio corrosivo;
Não são aves que circundam a mente estraçalhada,
Mas o próprio tempo, esse verme faminto e vivo.
O céu não escarnece — ele é um olho cego e oco,
Refletindo o vácuo que a alma insiste em parir.
A alegria morta é um espectro que quebra o pescoço,
Forçando o olhar para o horror que está por vir.
Demônios não esperam; eles já habitam a medula,
Costurando o luto no que ainda nem nasceu.
A loucura não é nuvem, é o oceano que anula,
Onde o "eu" se afoga no que Deus esqueceu.
Lá embaixo, onde a luz é um mito sepultado,
O espírito é o banquete, a fome e o altar.
Condenado a ser, em um eterno agora gelado,
A própria ruína que não cansa de desabar.
Maldito seja eu pelos meus pecados.
Tão distante da perfeição estou que, ainda assim, destruo-me todos os dias, na esperança de, ao menos um dia, alcançar um ponto em que exista em mim o mínimo de fé para acreditar que posso ser santo.
Mas, como esse dia tarda, continuo a me destruir — dia após dia, noite após noite.
E, a cada amanhecer, reconstruo-me… apenas para, mais tarde, destruir-me novamente, repetindo esse ciclo até o fim da minha vida.
Vinicius Monteiro Tito
