Animais de Estimação
A artista que mora em mim
Quer circo sem palhaços fingidos...
Quer cachorros vadios...
Latindo de alegria,
Não de dor ou por fome.
Essa artista crê piamente
Que pode ser várias...
Disseram-me que preciso escolher
O que de fato quero ser.
Respondi em pensamento:
"Quero ser muitas".
Muitas moram em mim.
Como mudar o que por destino
Nascera comigo?
Essa artista que mora em mim
Quer sol num dia, no outro, chuva de flores...
Regada de vento, harmonia.
Quer ser uma hoje,
Outra amanhã...
Preciso seguir assim...
Com minhas mutações necessárias,
Preciso de arte, uma só não basta.
Preciso ser arteira de formas diferentes.
Sou assim mesmo, pequenina e diferente.
O mundo persiste em sua órbita. A cidade silencia. Os cachorros ladram. Seres morrem, outros nascem. O suspense grita, fala mais alto do que o habitual.
Às vezes, a saudade é tanta, que até o latido dos cachorros me faz pensar que é você quem está voltando.
É muito difícil encontrar alguém que aceite a minha forma de enxergar o mundo. Como os cachorros!
Se adaptar a minha forma de vida, seria como um peixe a enamorar-se de forma insensata a um verme anelídeo.
Utopia
Enquanto os cachorros
ladram durante a noite,
nossas mentes vagam
pelo universo.
Procurando um lugar,
onde nossas expectativas
correspondam a verdade
do dia seguinte.
Os julgamentos atingem nossas mentes,
Enquanto procuramos uma sociedade
Que não nos enganam,
Onde não nos enganaremos.
Quando a felicidade nos alcança
Esquecemos os problemas
Que denunciam a todos.
Nossa aparência fornece
Verdades terrenas
Que confronta com a verdade
De quem somos.
Pode ser que durante o dia
Os raios do Sol derretam nossa pele,
Mas os olhos brilhantes da lua cheia à meia-noite
Nos declaram que o mundo da voltas,
E um dia nossas utopias
Não terão mais o mesmo significado no dicionário.
Isso é vida , Cara !
Quero uma casa, um amor e dois cachorros .
Com três quartos, alguém bom e qualquer raça.
Quero algo forte , uma fortaleza, sem medo de ser ou estar , algo meu , só meu .
Quero o pecado , o arrependimento mais não o puritanismo. Nada de santo não irreal .
Deus , uma cabana e uma fruta meio suja de um beijo sem paixão.Algo apenas bom ,mas sem as loucuras da juventude e os cabelos soltos .
Um jazz, meio MELO_RETRÔ e um cheiro , meu cheiro sobre uma toalha suja em cima da poltrona. Eu tentando fazer um bolo e você , lendo um livro vermelho , empoeirado .
Cachorros, eles são gratos, indiretamente "exigem" apenas as necessidades básicas para sobreviver, e DIRETAMENTE exigem CARINHO.. Somente. Você chega em casa e eles morrem de alegria, pelo simples fato de você ter chegado! Imagina? Tratarmos as pessoas com amor pelo "simples" fato delas existirem, pelo "simples" fato delas serem únicas?! Olhando pra natureza, para vida, para pessoas, olhando para as partes boas, penso em Gênesis, quando Abba olhou e viu que tudo era muito bom! Bom.. É humanos rs Chegamos até aqui, muitos problemas, criados pelas nossas próprias maldades, mas enquanto não chega a segunda parte da História (AP 21:4) precisamos sermos moldados pelo Abba, para que todos os dias possamos chegarmos mais perto daquele início ou do "fim", que tudo era bom. (AP 21:5)
Vede, isto tão somente achei: que Deus fez ao homem reto, mas ele buscou muitas invenções.
Eclesiastes 7:29 ARC
Floricultura
Mais cachorros que pessoas passando na calçada, bicicletas, o som das jovens vozes no ginásio da outra quadra. A orquídea que perfuma tudo pra chamar atenção, o vento, a brisa calma: vão fazer falta no verão.
Da porta vejo escadas, no alto, janelas refletoras de sonhos...
Uma promoção, um suco gelado, uma vontade de falar com alguém.
O telefone toca, uma voz amiga do outro lado do mundo - Que vontade de chorar. Queria ser pássaro, pássaro não, vento: pra chegar mais rápido.
Vou conhecendo a pequena floricultura com a chegada do sol, com a promessa da primavera - Piso num chão de sombras de folhas douradas...
Tudo na cidadezinha é devagar, o tempo, o homem, o olhar, o sorriso. Quando se pensa em sorrir, a vida já deu dois passos, e uma parte de mim nunca olha pra trás.
Vendo flores, vasos, sonhos, uns sorrisos, surpresas, amores e contentamento.
O quase perfume de criar um jardim entre quatro paredes de concreto.
Nada num jardim é concreto, nada permanece, mesmo as esculturas de pedra.
Esse é um desses negócios que além da beleza e do prazer vende renovação, nutrição, recomeço... Algumas recomendações, o desejo que vinga, o cuidado de um novo alguém, um novo lar, e se ninguém cuidar?
As tardes de conversa jogada fora com insetos e folhas... Entre podas drásticas ou carinhosas, percebo que preciso de espaço. Um escritório debaixo do pé de caju, quem sabe?
Alguns metros quadrados a mais pra cultivar as flores de vento, borboletas!
O caminho não é mais o mesmo, ainda tem um campo de girassóis antes de chegar em casa, ainda tem o mar, a vila, mas é o barquinho azul, parado na lembrança que ensina a olhar pro que se quer mesmo quando não se quer nada.
Os dias de sol trazem coragem, os de céu branco ditam o ritmo da espera.
Vou pintar o vento no tronco de uma árvore...
Uma das funções dos filhos e dos cachorros é fazer com que as pessoas criem coragem de descer dos seus prédios para aproveitar a natureza.
Os cachorros aqui do bairro já estão virando humanos. Perderam a sensibilidade de respeito pela dor do outro.
Noite dos cachorros perdidos
Enquanto o latido
Toma conta das ruas,
Restos são jogados
Como banquete.
Na tentativa
De amordaçar,
Bocas famintas.
Como uma sinfonia absurda
A raiva espumando pela boca,
Já contamina as diferentes formas de vida.
Dessem-lhe pauladas!
Duchas generosas de agua!
Por um breve momento recuam
Mas fome é tanta,
Que seu amo assustado recua.
Corre e com medo se esconde,
Atrás de falsas propagandas
De alegrias gratuitas.
