Amor Sincero e Nao Correspondido
Mantenha-me quente, acesa.
Não sirvo fria. Mas também não me mantenha morna, guardada para um momento oportuno, para um "quem sabe", um "talvez".
Ou me aqueça por inteiro e me prove quente, ou permita que eu esfrie.
Porque a mornidão é espera demais para quem nasceu intensidade. E eu não sirvo morna.
Hoje o coração ficou quieto demais.
E quando ele fica assim, não é porque não tem o que dizer. É porque sentiu além das palavras, atravessou emoções que não couberam em nenhuma conversa e guardou em silêncio aquilo que ainda não conseguiu traduzir.
Há sentimentos que não gritam, não pedem atenção, não fazem alarde. Apenas se recolhem para dentro de nós e permanecem ali, ocupando espaço, pedindo tempo para serem compreendidos.
Hoje o coração ficou quieto demais.
E talvez esse silêncio seja apenas a forma que ele encontrou de acolher tudo o que sentiu.
22 de junho 2026
Não são as vidas que nos arrependemos de não termos vivido que são o problema de verdade. É o arrependimento em si. É o arrependimento que nos faz encolher, murchar e nos sentir como nosso pior inimigo, além de o pior inimigo das outras pessoas.
Eu não confio em alguém que é legal comigo, mas é rude com o garçom, porque eles iriam me tratar da mesma forma se eu estivesse naquela posição.
“Acordei mais cedo do que o devido...Estou com sono. Se eu não te responder....ZZZZzzzz .”
—By Coelhinha
Eu desejo sempre a todos um ótimo dia, saúde, paz e prosperidade... até para os que não são humildes.
Mística
Há coisas que não chegam... acontecem. Como a lua quando toca o mar sem jamais perguntar se pode. Há encontros que parecem acaso, mas carregam no silêncio a assinatura de algum mistério antigo. E há olhos que não apenas olham: reconhecem.
Talvez a alma saiba antes do corpo. Talvez o corpo apenas reconheça aquilo que a alma já sabia, antes mesmo que o coração compreendesse o sussurrar do destino.
Eu não temo o que não consigo explicar, mas paraliso o olhar diante do que não sei nomear. Há beleza demais no invisível para exigir do mistério uma certidão de existência, uma prova, todas as garantias.
Prefiro acreditar que algumas portas se abrem sozinhas, que certas presenças chegam na hora exata, como um soprar dos ventos, sem aviso, sem promessa, apenas porque era tempo de chegar. E que algumas histórias já foram escritas em algum lugar onde o tempo não alcança.
Maktub. Estava escrito. Ou talvez apenas esperando o instante certo para ser lido.
Porque há coisas que não se entendem. Sentem-se. Reconhecem-se.
E quando a alma sente, até o silêncio se torna oração e canção.
E talvez seja essa a mais bonita forma de mistério: não saber de onde veio, não saber para onde vai, mas sentir, no mais profundo de si, que aquilo que chegou já nos pertencia antes mesmo de chegar.
Orações escritas
Deus, não me desampare.
O medo surgiu, e minha fragilidade já não cabe dentro do peito. Está exposta, diante de tudo e de todos. E tudo à minha volta parece ter sido afetado, atravessando-me, ferindo-me justamente onde eu já estava mais sensível.
Senhor, como, onde e quando eu vou conseguir mudar essa situação?
Eu não tenho todas as respostas.
Não sei por onde começar.
Só sei que preciso de Ti.
Cuida do meu filho, Senhor.
Faz por ele aquilo que, muitas vezes, eu não consigo fazer. Protege seus passos, guarda seu coração, livra-o daquilo que eu não posso enxergar e alcança-o onde meus braços não conseguem chegar.
Cuida da minha mãe.
Dá a ela tudo aquilo que, por minhas próprias forças, eu já não sou capaz de oferecer. Sê presença onde me falta presença, força onde me falta força, cuidado onde minhas mãos já não alcançam.
E cuida deste lar, Senhor.
Entra onde existe dor.
Toca o que está ferido.
Acalma o que está inquieto.
Restaura o que foi quebrado.
E traz a cura para tudo aquilo que nós não conseguimos curar sozinhos.
Eu entrego a Ti o que não consigo carregar.
Em nome de Jesus,
traz a cura para este lar,
a paz para este coração
e a força para continuar.
Amém.
Cartas aos Céus 19 de Agosto de 2026
Orações escritas
Deus, não me desampare.
O mundo se abre aos meus pés,
e eu ainda não sei
se é caminho ou abismo.
Há portas que se abrem
sem que eu tenha pedido,
estradas que surgem
onde antes havia apenas silêncio.
Se for preciso caminhar,
dá-me coragem.
Se for preciso esperar,
dá-me serenidade.
E se eu estiver diante
de algo que não compreendo,
não permita que o medo
seja maior que a minha fé.
Porque, se o mundo se abre aos meus pés,
eu só peço uma coisa:
que a Tua mão continue sobre a minha.
Cartas aos Céus 19 de Agosto de 2026
Há um rio dentro de mim
que não aprende a ter margem,
carrega luas sem fim
e se alimenta de coragem.
Quando a noite me atravessa,
não sei se é dor ou passagem.
Guardo estrelas no silêncio,
como quem guarda oração,
há mistérios que florescem
sem pedir explicação.
E há verdades que só chegam
quando escutam o coração.
Já fui casa de tempestade,
já fui janela e clarão,
já fui barco sem destino,
procurando direção.
Mas descobri que até o caos
pode ensinar navegação.
Há quem procure respostas
como quem procura um chão;
eu aprendi que certas coisas
não cabem na explicação.
Às vezes, Deus escreve torto
para endireitar a visão.
Tenho cicatrizes antigas
que não pedem compaixão;
são mapas de outros tempos,
são vestígios de travessão.
Quem olha apenas a ferida
não conhece a reconstrução.
E quando penso que termino,
alguma coisa principia:
uma esperança pequenina
acendendo a noite fria.
Como a flor que rompe a pedra
sem anunciar que nascia.
Talvez eu seja esse enigma
que o tempo tenta entender:
um pouco de maré e terra,
um pouco de perder e ter.
E quanto mais me descubro,
mais aprendo a não me prender.
Se a vida é uma parábola,
não quero a moral no fim.
Prefiro seguir a estrada
que ainda não falou de mim.
Pois há caminhos que só existem
quando a gente diz: “enfim.”
Entre a menina e a mulher
Tenho andado sozinha.
Não porque não queira companhia, mas porque há caminhos que ninguém pode percorrer por nós. Há silêncios que precisamos atravessar sozinhas, perguntas que somente o tempo sabe responder e versões de nós mesmas que precisam partir para que outras possam nascer.
Tenho andado assim: aprendiz, menina, mulher.
Às vezes, ainda sou aquela menina que se assusta diante do mundo, que procura abrigo, que acredita, que espera, que guarda sonhos como quem protege uma pequena chama do vento. Em outras, sou a mulher que a vida foi esculpindo à força de perdas, recomeços, esperas e algumas dores que ninguém viu.
E talvez crescer seja justamente isso: não abandonar a menina que fomos, mas aprender a acolhê-la com os braços da mulher que nos tornamos. Quando me perco, já não procuro alguém para me encontrar. Volto para dentro, procuro os pedaços que deixei pelo caminho, recolho meus sonhos, escuto meus silêncios e sigo.
Porque descobri que, muitas vezes, quando penso que estou perdida, estou apenas deixando de ser quem já não cabe em mim. Tenho andado sozinha, sim, mas já não caminho vazia. Levo comigo a menina que ainda sonha, a mulher que aprendeu a resistir e todas as versões de mim que tiveram coragem de continuar.
E talvez seja esse o meu verdadeiro encontro: quando me perco da menina, encontro a mulher. E quando encontro a mulher, finalmente compreendo que a menina nunca esteve perdida. Ela apenas estava me esperando crescer o suficiente para voltar para casa.
Leva-me para perto
Quando minhas forças se desfazem,
não me deixes cair no vazio.
Levanta-me com a delicadeza
de quem conhece cada parte quebrada de mim.
Segura minha mão
até que o medo desaprenda o caminho de volta.
Acolhe-me junto ao teu peito,
onde o mundo perde o ruído
e a alma finalmente descansa.
Leva-me para perto da tua luz.
Há tanta noite em mim
pedindo um único amanhecer.
Cuida de mim
como quem protege uma chama
que insiste em permanecer acesa,
mesmo quando o vento parece mais forte.
Reveste-me do teu amor,
da tua paz,
da segurança dos teus braços.
Porque é em Ti
que encontro abrigo,
é em Ti
que volto a respirar.
E, se eu me perder de mim,
leva-me de volta
ao único lugar
onde sempre estive verdadeiramente a salvo:
o teu coração.
Cartas não entregues
São palavras não ditas, sentimentos sufocados e confissões que morreram antes de encontrar voz.
São saudades que não compartilhamos, abraços que ficaram suspensos no desejo, pensamentos que nasceram para alguém e terminaram sozinhos.
Às vezes, foram escritas. No papel, à mão, com a letra trêmula de quem sentia demais.
Outras, digitadas às pressas, em alguma tela iluminada pela madrugada, antes de serem apagadas, como se apagar as palavras fosse também uma maneira de esconder o que se sentia.
Algumas repousam em folhas esquecidas. Outras, em rascunhos sem destino, em bloquinhos digitais, entre mensagens nunca enviadas e silêncios que ninguém soube interpretar.
Talvez sejam essas as cartas mais difíceis de escrever: as que não pedem resposta, não esperam retorno, não chegam a lugar algum.
Apenas guardam, em algum canto secreto de nós, aquilo que um dia quisemos dizer.
E talvez o tempo passe, as pessoas mudem, a vida siga seu curso...
Mas certas cartas permanecem.
Não porque ainda esperem ser entregues, mas porque algumas palavras, mesmo quando nunca chegam ao destinatário, precisam existir para que o coração se lembre de que um dia sentiu.
Cartas aos Céus | Orações Escritas
O Deus que me sustenta
Senhor, hoje eu não venho Te pedir que o dia tenha sido diferente.
Venho Te agradecer porque, mesmo sendo tão difícil, Tu me sustentaste dentro dele.
Meu corpo cansou, minha mente se encheu, meu coração se apertou. Houve dores, aborrecimentos e desconfortos que só Tu conheces por inteiro. E ainda assim, eu permaneci.
Não pela minha própria força.
Foi a fé que me fez continuar quando eu já não queria mais pensar, resolver ou suportar. Foi a Tua presença me lembrando, silenciosamente, que eu não estava sozinha.
Por isso, hoje, eu Te enalteço.
Porque quando minhas forças diminuem, Tu permaneces forte.
Quando eu não sei como continuar, Tu me sustentas.
E quando tudo em mim se cala, a fé ainda encontra um jeito de dizer:
Tu és Deus, e eu continuo de pé porque Tu me sustentaste.
Obrigada, Senhor.
Por hoje.
Por tudo.
E, sobretudo, por não teres me deixado caminhar sozinha.
30 de setembro de 2026
Há olhos que não sabem esconder.
Mesmo quando a boca silencia,
mesmo quando o corpo continua,
mesmo quando a vida parece seguir no lugar de sempre,
há coisas que transbordam pelo olhar.
E talvez seja por isso
que algumas pessoas nos chamem de fortes
sem perceber o quanto estamos cansados.
Não é que a dor esteja escondida.
Às vezes, ela está justamente ali,
cristalina,
diante de quem olha.
Mas nem todo olhar enxerga.
É preciso alguma coisa além dos olhos
para reconhecer a tristeza no brilho,
o cansaço no silêncio,
a solidão onde ninguém imagina haver vazio.
É preciso alma
para olhar outra alma.
Porque há pessoas que perguntam se estamos bem
e há aquelas que simplesmente percebem.
E, às vezes,
tudo o que uma alma cansada precisa
não é de alguém que diga
você é forte.
É de alguém que olhe demoradamente
e diga, sem precisar dizer:
eu vi.
Senhor, fica.
Meu espírito está cansado, meu coração está apertado e minha alma já não sabe mais como pedir socorro.
Eu não tenho forças para atravessar tudo sozinha.
Por isso, fica.
Se eu não conseguir entender, fica.
Se eu não conseguir orar, fica.
Se minhas lágrimas forem a única coisa que eu conseguir Te oferecer, recebe-as.
Não me deixes atravessar esta noite sem sentir a Tua presença.
Consola o meu coração, sustenta o que em mim está desabando e sopra vida onde já não encontro forças.
Eu só Te peço: não saias de perto.
Porque, Senhor, eu posso até estar cansada de tudo, mas ainda preciso de Ti.
Como se devolve aquilo que nunca se recebeu?
Você sabe o que é não ter e, ainda assim, ter que ter para dar? É aprender a esconder a própria fome para repartir o pão. É guardar a dor na gaveta porque alguém precisa encontrar em você um abraço. É enxugar as lágrimas antes que elas caiam, porque há outras lágrimas esperando o seu ombro.
Há dias em que a vida parece nos cobrar exatamente aquilo que nunca nos ofereceu: um amor que nunca nos ensinaram, uma paciência que nunca tiveram conosco, um cuidado que um dia desejamos receber, mas que nunca chegou.
E, então, nasce a pergunta que atravessa a alma: como se devolve aquilo que nunca se recebeu?
Talvez a resposta seja dura. Não se devolve. Porque ninguém pode devolver o que nunca teve.
O que fazemos é diferente. Escolhemos construir. Escolhemos oferecer justamente aquilo que nos fez falta. Não porque transbordamos, mas porque conhecemos a dor da ausência. Quem já caminhou pelo frio sabe o valor de um cobertor. Quem já enfrentou o abandono compreende o peso de uma presença. Quem já implorou por amor aprende, mesmo entre cicatrizes, a semear aquilo que um dia esperou colher.
Mas até a terra mais fértil precisa de chuva.
E há momentos em que é preciso voltar para dentro de si. Habitar a própria casa. Abrir as janelas da alma, tocar as paredes que o tempo ergueu em silêncio e lembrar que também somos lugar de descanso. Porque quem vive oferecendo luz aos outros não pode esquecer de acender a própria.
Talvez seja esse o maior milagre: transformar a ausência em presença, a falta em cuidado e a dor em um amor que, embora nunca tenha sido recebido da forma esperada, escolheu existir.
No fim, talvez não se trate de devolver aquilo que nunca recebemos. Talvez se trate de impedir que a ausência determine quem nos tornaremos. Porque as maiores virtudes, muitas vezes, nascem justamente daquilo que mais nos faltou.
