Cartas não entregues São palavras não... Jorgeane Borges

Cartas não entregues

São palavras não ditas, sentimentos sufocados e confissões que morreram antes de encontrar voz.

São saudades que não compartilhamos, abraços que ficaram suspensos no desejo, pensamentos que nasceram para alguém e terminaram sozinhos.

Às vezes, foram escritas. No papel, à mão, com a letra trêmula de quem sentia demais.

Outras, digitadas às pressas, em alguma tela iluminada pela madrugada, antes de serem apagadas, como se apagar as palavras fosse também uma maneira de esconder o que se sentia.

Algumas repousam em folhas esquecidas. Outras, em rascunhos sem destino, em bloquinhos digitais, entre mensagens nunca enviadas e silêncios que ninguém soube interpretar.

Talvez sejam essas as cartas mais difíceis de escrever: as que não pedem resposta, não esperam retorno, não chegam a lugar algum.

Apenas guardam, em algum canto secreto de nós, aquilo que um dia quisemos dizer.

E talvez o tempo passe, as pessoas mudem, a vida siga seu curso...

Mas certas cartas permanecem.

Não porque ainda esperem ser entregues, mas porque algumas palavras, mesmo quando nunca chegam ao destinatário, precisam existir para que o coração se lembre de que um dia sentiu.