Amor Sincero e Nao Correspondido
Série: Minicontos
PAI NOSSO
Casou. Construiu uma bela família, e viveu o amor. Enviuvou e tornou-se padre. Hoje, reencontra Hosana nas alturas...
CRÔNICA, PAIXÃO PELA ESCRITA.
Escrever é um exercício de amor ou quase santidade. E, como os apaixonados nossas criações faz despertar o egocentrismo intrínseco ao ser.
Todos os textos que escrevo, sempre imagino que as pessoas assim como eu, também vão gostar e admirar. E no intuito de mensurar essa ideia, eu quase sempre peço a opinião dos meus próximos que na maioria das vezes, minimiza com a deprimente frase.
- Eh! Mais ou menos. [Com uma discreta torcida no nariz]. Claro, ninguém é obrigado a gosta do que eu gosto ou faço.
Mas não é de se negar que diante de tamanha afirmativa, não role certo desanimo. ai a gente coloca aquele textinho de molho em um “balde de água fria” Mas como toda mãe e todo pai nunca vai aceitar que seu filho seja feio ou imprestável. Logo o abraçamos oferecendo-lhe o calor do sentimento.
- E ai, fazemos novas leituras, colocamos a quarar no anil.
- E outras e outras leituras, para podermos expô-lo Como diria Graciliano Ramos.
- E só após, postamos para o veredito social.
- Transbordando-nos de curiosidade para saber qual vai ser a aceitação daquela obra.
- Nos tornando uma capsula de ansiedade e esperança.
E ante uma diversidade de opiniões, eis que surge uma alma que se reconhece ali naquele texto, e se declara admirador do autor, mesmo sem nunca tê-lo visto. Talvez fosse um gesto saudosista ou um instante de ínfima lucidez.
- Mas no cotidiano do autor é inexoravelmente o êxtase.
- O condimento para seguir sua caminhada com esmero e carinho.
E então se conclui que o ato da escrita é quase um sentimento de santidade. É como fazer Hamlet lá 1956, com câmeras pesadíssimas sem VT, sem cores, sem nada. Só paixão e raça.
E somente por amor verdadeiro nos propomos a escrever em uma nação em que não se prima pela leitura crítica e pensante.
CRÔNICA AMOR ANIMAL
Ontem, às primeiras horas da manhã, o sujeito viajava de moto vindo do trabalho após três longos dias de plantões ininterruptos aonde trabalhava e, ainda na BR 104, na altura do quilometro 87, um cachorro magro e rabugento totalmente distraído ou quem sabe, de proposito atravessava a pista de rolamento e o motoqueiro não muito perito no que fazia e sem muitas alternativas Bummm.
Quase parado por ter tentado uma brusca frenagem, colidiu com o vagabundo que escapou ileso. Apenas alguns berros Ai ai ai ai...
Entretanto o nosso protagonista não teve a mesma sorte e foi de encontro ao rígido solo asfáltico.
- Ao chegar em casa todo rasgado.
Roupas e joelhos bem ralados e machucados, logo sua mulher lhe indagou.
- O que foi isso homem?
- Nada, apenas ati em um cachorro e quase morri!
Com a cara de assustada ela torna a perguntar.
- Nossa, não acredito, matasse o bichinho?
E o sujeito meio sem jeito resmungou.
- pasmem, que amor animal o seu?!
E, ela, agora com cara meio de tacho abre um pálido sorrido de desculpas.
- Por fim, dias após, os protagonistas se encontram por coincidência no mesmo lugar.
O motoqueiro até hoje vive a usar unguento em seu joelho ralado e seu malfadado coração.
-O cão vagabundo?
Feliz à beira da pista a latir sem casa e sem marca.
Série Minicontos
IDÍLIO
Casaram-se logo aos 15 anos em meio a juras de amor eterno. Vincos ao rosto, outro sonho era posto...
Série Minicontos
O NOIVO
Sob juras de amor eterno saíram em lua de mel.
Na curva dos noivos, consuma-se a separação.
Eu sinto dificuldade para falar de amor
Porque meu espírito crítico é pagão
Minha natureza é a própria natureza
Se as cartas de amor são ridículas
Pessoa..
Falar de amor tem provocado risos
A natureza ama.
Série Minicontos
Amor maternal
Em um dia de muita chuva e trovoada, sinhá coruja procurava atônita comida para os seus dois filhotes indefesos e expostos aos perigos da floresta
De repente encontra o gavião faminto que também caçava seu próximo jantar.
Mamãe coruja implora
- Compadre, se encontrares meus filhinhos poupe-os!
- Mas como vou identifica-los em meu a tantos bichos? - perguntou o gavião
- quando encontrares as mais belas criaturas da floresta serão os meus filhinhos.
E nunca mais sinhá coruja os encontrou.
SANGRIA DESATADA
O amor quando perde o frescor
Nem a ternura alenta.
Quão orvalho, arrefece mas não molha...
Se existe, queima em brasa ardente.
Ou centelha como fogo de palha.
Sobrenome?
Mera convenção contratual
Mero limbo casual
Rompê-lo nessa sangria.
Não deve ser Vital.
Mulher desvelada, de amor incomensurável, inalcançável
De gestos marcantes, invejáveis, cobiçáveis
Amor incondicional, sem igual, palpável
Instinto materno: cuidar e acolher a sua cria
Julga-nos, sentencia-nos, mas nunca nos condena
Amor verdadeiro, cristalino, surreal
Muralha da China, “Yosemite Park”, minha mãe
Mãe, mamãe, mainha, doce amor, coração
Astro maior, brilho radiante, presente de Deus
Tudo isso é tão insignificante, simplório
Comparado ao amor que tens a nós
Obrigado mãe por se doar tanto sem exigir nada
Amor: palavra simples, monossilábica. Denotativo de afeto: olhar, pegar/abraçar, beijar. Olhar nos olhos, pegar na mão/abraçar, então, Beijar. Beijar? Beijar na boca!
Ainda que o sol se esconda atrás das nuvens, de nada vai mudar o brilho radiante do teu amor no meu coração.
Passou-se o tempo que ter filhos era tido como fruto do amor, hoje em dia, em muitos casos, são sinônimos da irresponsabilidade conjunta.
Se você enxerga amor em Guevara, democracia na Venezuela e Paulo Freire como patrono da educação no Brasil, então: você é testemunha do ódio, cúmplice da tirania e vítima da ignorância intelectual.
O amor, a admiração e o respeito, são isentos de obrigação ou coação. Uma vez conquistados, serão sempre pelos mesmos valores: o amor pelo amor, a admiração pela admiração e, por fim, o respeito pelo respeito.
A maior parte das nossas atitudes no amor é inspirada no egoísmo e para fugirmos do sofrimento que chora sem mostrar as lágrimas e grita sem nenhum som.
Tem que ser forte para suportar a dor do abandono, da ingratidão, da falsidade e do amor só de palavras.
