Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
REVAl II
CRÔNICA
Reval,por um tempo andou meio fraco da cabeça. Morava sozinho num quartinho de uma casa antiga, na Rua Sete de Setembro, anexo à alfaiataria de Corcino - seu parente -, um dos primeiros alfaiates de Campos Belos. - De vez enquando sumia; mas sempre voltava.
Trajava à mesma roupa ensebada de sempre.Sapatos às vezes,soltando a sola.
Moreno forte, de estatura mediana, usava cabelos quase aos ombros, que nunca viam pentes e água. Ostentava um bigode entrelaçado à longa barba.
Medo a gente não sentia de Reval: alguma sisma somente. Arriscava conversar com ele. Mas a prosa era pouca,só respondia aos arrancos,jeito desconfiado,olhar distante.
Nunca se soube de agressividade dele, às pessoas. Andava lentamente pelas ruas da cidade, com as mãos nos bolsos da calça, mastigando um possível alimento. Ficávamos curiosos para saber que iguaria degustava.
No percurso que fazia pelas ruas andava e parava, andava e parava...pondo sentido em tudo que seus olhos viam. E o de mais relevância, pra ele,observava mais ainda; imaginando coisas.
Em seus observatórios diários, nada passava despercebido do seu olhar. Olhava os mínimos detalhes daquilo que mais lhes chamasse a atenção. - Como se tivesse fazendo uma profunda análise.
Parecia discordar com mais contundência algumas irregularidades que via: ao coçar a cabeça acima da orelha e balançar a mesma num gesto negativo; sempre fazia isso quando o objeto da observação não atendesse suas expectativas de normalidade.
Belo dia...
Como há de ter acontecido... Reval saiu de casa e subiu à Rua BH Foreman, mais calado do que nunca. Triste, de cabeça baixa, olhos inquietos. Atravessou a Av. Desembargador Rivadávia e ganhou o calçadão, em frente à Prefeitura Municipal. Parou, e colocou a mão direita atrás da orelha, em forma de concha, para ouvir melhor o sino repicando à sua frente, na Igreja Matriz.
Era o sacristão chamando os fiéis, para a encomendação de um corpo. Ele não atendeu o apelo sonoro da paróquia naquele dia: adentrando-se ao santuário.
Nuvens cor de cinza se agarravam ao Morro da Cruz e das Almas; não demorou muito a cair pingos de chuva como lamentos, na grama verde da praça. - Quando uma pessoa boa morre a terra recebe o insumo e o céu sela com água, o fim deu ciclo.
Reval aproximou-se daquela casa de oração católica, e tomou a benção ao seu vigário, que estava posicionado à entrada principal, recebendo o povo, para a cerimônia fúnebre.
Riscou o dedo polegar direito na testa, repetida vezes, e inclinou-se levemente para frente, em sinal de respeito ao pároco, ao santuário e ao falecido. Beijou um enorme crucifixo metálico, preso num grosso cordão e olhava ao longe, o esquife num ataúde bonito...
Em rogos,de longe, desejava um bom lugar ao finado.
Missão cumprida...
Deu as costas ao Reverendo, sem se despedir, e desceu a Rua do Comércio, enxugando com a manga da camisa, algumas lágrimas sentidas.
Teve fome...
Com a barriga nas costas, entrou na padaria de Zé Padeiro. Pediu um lanche, sem dinheiro.
A atendente lhe deu um pão com manteiga, e um café com leite num copo descartável. - "Capricha que é pra dois tomar." Disse, à moça, que colocou mais um pouquinho. Ficando sem entender: pois, não o viu acompanhado de mais ninguém.
Ao retornar a sua casa, pelas mesmas pisadas, Reval parou diante de um caminhão de transporte de madeiras; quebrado e cheio de laxas de aroeira, na porta do Armazém de Seu Natã.O proprietário já havia pedido ao papai que olhasse o mesmo; pois, teria que se deslocar até a Capital Federal ou Goiânia, para comprar uma ponta de eixo. Pois não a encontrava na região, para a devida reposição.
O sol, queimando, e não havia mais uma nuvem sequer, nos céus, para atenuar a sua intensidade. Reval, por sua vez, continuava parado diante do veículo, dando andamento na prosa...
Depois de ter observado por muito tempo aquela situação; de todos os ângulos possíveis. Continuava olhando, olhando,olhando... E, balançando a cabeça de um lado para o outro. Como quem não concordando com aquela situação. - Conversava baixinho com o caminhão, de maneira que só os dois ouviam, mais ou menos assim:
- Isso que estão fazendo com você é um absurdo, é uma desumanidade muito grande! Como é que pode tanto descaso, com um ser tão indefeso[...] - Coitadinho, quanta judiação[...] Quanto tempo sem comer e sem beber; cheirando mal, e cheio de poeira; com esse calor que está fazendo, não pôde até agora, tomar um banho sequer, para refrescar um pouco; como tem sofrido você ...continuava:
- Não tenho mais tempo a perder: preciso fazer alguma coisa e continuar com essa caridade por mais um tempo...
Deu o lanche que trazia consigo para o caminhão comer...
Antes de despedir-se, daquele pobre necessitado, balbuciou quase imperceptivelmente mais algumas palavras:
- Tenha um bom apetite!... Voltarei amanhã para ti ver...
Foi-se embora balançando a cabeça, desaprovando aquele estado de coisas.
Possivelmente repetiu o gesto de alimentar ao caminhão por mais de quinze dias. - Período que esteve lá.
Toda vez que retornava ao local não havia nem vestígio de lanche.
Como se sabe: a “fome é negra”.
Reval tinha um bom coração. Aquela piedade demonstrada devia ser um reflexo da criação que recebera de seus pais. Que por sua vez, eram pessoas muito religiosas e bondosas.
Meus pés estão aprendendo a caminhar mais calmos para que eu tenha tempo de admirar as paisagens do caminho, as pessoas da jornada e os presentes que colho na vida a cada novo dia, pois Deus insiste em plantar surpresas em meus trajetos e eu não as tenho desperdiçado... Colho uma por uma e agradeço por ser a presença que me faz caminhar com a plena convicção de que estou andando conforme o Seu relógio sem perder de vista nenhum detalhe das coisas com as quais Ele me presenteia...
Sonho com um pensamento
Que pense por mim
Que me prenda em seu tempo.
E nesse confinamento
Me traga a certeza do sentido
No algoritmo do momento.
Que me carregue nos braços
Sobre o leito do sofrimento
Aprisionado aos seus enlaços.
Que me mostre o seguimento
Pelas calhas do compasso
Até o fim desse desalento.
Sonho em pensar nesse sentido,
Sem sentimento...
Senhor!
Somos uma só família de corações, a se rearticularem no espaço e no tempo,
aprendendo a servir-te.
Ensina-nos a ser mais irmãos uns dos outros.
Ajuda-nos para que seja cada um de nós, a complementação do companheiro,
naquilo em que o nosso companheiro esteja em carência.
Se um tropeça, dá que lhe sirvamos de apoio; se outro descansa, ampara-nos a fim de que lhe tomemos, o lugar na tarefa sem reclamação e sem queixa.
Ilumina-nos o entendimento para que nos convertamos, em visão para aqueles que ainda não conseguem enxergar, o caminho claro que nos traçaste;
o ouvido atento para quantos se incapacitarem no trabalho, entorpecidos na indiferença; a tranqüilidade para os que venham a cair na discórdia, e a compreensão de todos, os que ainda não logram divisar a luz da verdade!!!
Senhor, guarda-nos em teu infinito amor, para que nos devotemos fielmente uns aos outros, e ainda que a névoa do passado nos entenebreça,
os caminhos do presente, favorecendo-nos, a separação ou o desajuste, dá que o clarão de tua bênção, nos refaça as energias e nos restabeleça o senso de rumo, para que nós todos, unidos e felizes, sejamos invariavelmente uma família só, procurando escorar-nos, no apoio recíproco, de modo a que, um dia, estejamos integrados, em teu serviço na alegria imortal para sempre.
Saudade nem sempre é desespero, ela se torna indolor, talvez incolor, porém chega um tempo que ela se resume em você olhar pro lado e ver que algo lá não está.
Quanto mais eu estudo, mais clareza eu tenho sobre o mundo, sobre as pessoas, mas ao mesmo tempo eu percebo que não sei nada. Acabei de terminar a leitura de mais um livro; eu nem conhecia o autor, apenas gostei do tema. Tirando os livros livros religiosos, acho que esse foi o centésimo livro que pude apreciar a beleza do conhecimento expressado em palavras.
Resende, 04 de Agosto de 2018. 04:21:36hrs
Com o tempo virá o tempo em que apenas o bem existirá...enquanto isso, já que temos o bem e o mal dentro de cada um de nós, então devemos fazer com que o bem predomine! Essa é a prova!
A recompensa?
A vida eterna num paraíso!
Tempo
O tempo passa e ela está lá
Lá, esperando o tempo passar
E quanto mais o tempo passa, mais passa devagar
Talvez seja minha mente, tentando fazê-lo parar
Por quê quanto mais o tempo passa, mais saudade dela me dá.
O típico imbecil do nosso tempo não é assim chamado por ser simplesmente um imbecil que por coincidência nasceu em determinada época e não em outra; não o é nem mesmo por haver uma ligação íntima entre a nossa época e a sua imbecilidade – embora essa ligação sem dúvida exista --, mas porque o sentimento de pertencer a essa época, ao famoso 'nosso tempo', constitui de certo modo o núcleo e o ponto forte do seu modo de ser imbecil.
Com efeito, o que o caracteriza e define, distinguindo-o de todos os demais imbecis que já passaram por este mundo em outros séculos, é a sua total incapacidade de desligar-se mentalmente, por uma fração de segundo, das crenças e hábitos vigentes na nossa época, e de tentar ver as coisas como os homens do passado as viram ou como os do futuro poderão vê-las quando chegarem a este planeta. Tudo, de fato, ele enxerga e julga segundo o que aprendeu das duas autoridades supremas cuja fé pública inabalável molda e define o 'nosso tempo': a mídia e a escola – duas entidades que têm, entre outras propriedades maravilhosas, a de jamais discordar entre si.
Tão intensa e profunda é a devoção que o imbecil contemporâneo tem ao 'nosso tempo', que chega a ver nele virtudes e poderes que antigamente se atribuíam a Deus. 'Nele vivemos, nos movemos e somos', murmura ele em seu coração, orgulhoso de nada ser além de produto, criatura e filho de tão excelsa entidade, à qual deve não somente a existência, mas também a essência.
O mundo de hoje louva, exalta e idolatra a independência de pensamento ao mesmo tempo que, pelas convenções acadêmicas e pelo policiamento da linguagem, torna impossível o seu exercício.
uma flor que já murchou
ou que o tempo secou
sempre ficará na memória
de quem a recebeu
e junto com a flor
a lágrima que escorreu
também secou o meu coracao!!!
"É como se a existência humana fosse uma ilusão de realidade no tempo e no espaço, algo insignificante e sem sentido, na incessante busca de sentido e significado, só que sem resposta ainda".
Atirar-se para o conflito com sucesso, saindo da zona de conforto, exige tempo de reflexão, o mesmo de descompressão de um mergulhador.
sobre o tempo...
voce luta pra nascer
luta pra crescer
luta pra se desenvolver
luta pra reproduzir
luta pra chegar à velhice
e se acaba em luto!!!
não sei porque
ficamos esperando o tempo
pra resolver tudo
se ele passa voando
e que muitas vezes não dá tempo
de resolver nada...
são de ciclos que se vive a vida
nem tente querer achar o fio da meada!!!
