Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Começamos a vida numa aparente letargia, e aos poucos seguimos o embalo da vida, e desejamos acelerar o ritmo do viver, de tal maneira que ambicionamos o imediatismo das realizações, entretanto, logo percebemos que precisamos desacelerar, e então vem a decepção maior, lá se foi o precioso tempo que jamais voltará. Alcançamos sabedoria, mas não resta fartura cronológica para unir o útil ao agradável.
Quanto mais vivemos, menos vida nos resta, você pode passar longos anos ganhando e acumulando dinheiro, mas de nada adiantará, porque a riqueza maior você vai deixar de gastar com louvor, o precioso e extinto tempo que passou e nunca mais haverá de voltar.
Eu não tenho tempo a perder. Partindo do pressuposto que não sou dono do tempo, vivo cada momento que me resta, porque é o que tenho para o momento, não posso mudar o acaso, muito menos estabelecer o que se sucederá no desenrolar da minha odisseia terrestre, quero dizer, a vida é um milagre e o viver imprevisível. Portanto, vamos vivendo, seguindo o estabelecido de cada fração do tempo que se chama hoje. O amanhã? Iremos, faremos ou seremos, se assim Deus nos permitir.
Na escola da vida somos todos instruendos, o tempo senhor do destino, e as circunstâncias o instrutor.
A ocupação cotidiano nos distrai, o tempo passa e lá se vai.
Quão diferença faz, tempo que não volta mais.
Não temos a noção de quão valioso é o tempo que nos resta nesta vida, não é à toa que o hoje se chama presente.
Deveras pois considerar o tempo, preciosidade que não temos condição de mensurar valor, ainda mais quanto aos que pouco vivem.
O tempo é amigo?
O tempo é inimigo?
O tempo é... Bom, vamos deixar o tempo, querendo ou não ele há de passar.
Quanto vale o seu tempo?
Quanto tempo lhe resta para gastar?
Quanto desperdiçamos desse nosso tesouro real?
Nunca iremos recuperar.
O tempo é como a água de um rio que viaja para a imensidão do mar.
Talvez evapora sem ao seu destino final chegar.
Cada qual em seu ciclo vital, sua peculiaridade existencial.
A dádiva do Eterno Criador, neste mister eternal.
Por mais sábios que sejamos, não temos capacidade de postergar a sucumbência de nossas vidas, o inesperado pode ser irremediável. O mais importante a fazer é viver intensamente cada instante do tempo que se chama hoje.
E enquanto isso, o tempo passa... Me perco nos dias, me perco nas horas, o tempo escorre em minhas mãos, e nem vejo, sinto me cansado da multidão, sinto me cansado da solidão
As pessoas não estão mais habituadas a ficar em casa, a ter tempo para si. Só conseguem ficar longe dos respectivos escritórios quando são obrigadas a isso.
Uma pessoa que passa a vida toda, todos os dias, dez horas no trabalho, acaba por sentir-se indispensável aos propósitos da organização. Se dispõe de tempo para si, não sabe como usá-lo.
