Amor não se Pede
SALVEM MARIA
A valsa ao som do piano perdeu a cor.
Um gemido ecoa na sala,
Pede socorro e grita uma dor.
Dor, tal qual um retrato violado,
De ver que se inocenta um monstro, um desalmado,
Dor de viver a sombra, de morrer num estalo.
A vida que foi trocada pelo medo, pela insegurança.
Trocaram a divina pela matança.
E numa arte, numa poesia,
Se faz necessário um grito de agonia.
Salvem Maria!
A morte a acompanha,
Um choro de dor, um hematoma no braço,
Uma marca de ajuda, um pedido de socorro que é ignorado.
Será que aos sons do inferno, se ouve a súplica de uma mulher?
Salvem Maria dos perigos dos homens de fé!
A cada nascimento feminino,
Há uma dádiva em canção.
Mas quando uma raiz podre encontra impulso, a melodia termina num caixão.
Pobre coração, há perigo no amor!
Nessa civilização, onde se grita pecados, se encobre sua dor.
Batam o martelo, batam preces no tambor!
Salvem Maria e acusem os culpados;
Há sangue na rua, mas há uma faísca que irá incendiar,
Não faremos silêncio enquanto Maria não for ouvida sem precisar gritar.
A vida tem esse jeito silencioso de continuar. Ela não pede grandes acontecimentos, nem anuncia sua beleza em voz alta. Ela persiste no que é pequeno: no cuidado discreto, no gesto que quase passa despercebido, na rotina que, mesmo simples, sustenta tudo.
É naquele instante quieto do dia — quando o tempo desacelera, o café ainda exala seu calor e o peito encontra um respiro — que a gente percebe: existe paz, mesmo que breve. E às vezes, isso basta.
Crescemos acreditando que a felicidade precisa ser grandiosa, visível, quase extraordinária. Como se ela só existisse nos grandes marcos da vida. Mas, com o tempo, algo muda. A gente começa a entender que esses momentos intensos são raros — e que o que eles trazem muitas vezes é euforia, celebração… não exatamente felicidade.
A felicidade, talvez, seja outra coisa. Mais sutil. Mais constante. Ela se esconde nos intervalos, nas pausas, nos detalhes que não fazem alarde. Está no cotidiano que segue, no simples que permanece, no que continua mesmo quando tudo parece difícil.
Ser feliz nem sempre é natural — às vezes é decisão. É insistir, mesmo cansado. É dar um passo leve quando tudo pesa. É acreditar, todos os dias, que ainda há beleza possível, mesmo em meio às imperfeições da vida.
Existe coragem em não endurecer. Em continuar sensível num mundo que muitas vezes pede o contrário. Em escolher sentir por inteiro, sem aceitar metades — nem de sentimentos, nem de afeto, nem de presença. É abrir espaço apenas para o que é verdadeiro, para o que encontra morada inteira dentro de nós.
E junto disso, cultivar esperança. Não aquela distante e grandiosa, mas a que nasce nas coisas simples: no cheiro de um café feito com calma, num abraço sincero, numa risada inesperada. É acreditar que o amor, mesmo discreto e imperfeito, ainda encontra caminhos para florescer.
Sonhar grande continua sendo bonito. Mas talvez o segredo esteja em não esquecer que a vida acontece, de verdade, nas pequenas coisas. Permitir-se ser feliz é justamente isso: acolher o que é leve, reconhecer o que é bom, mesmo que silencioso.
Porque existe uma força rara em quem escolhe viver com o coração aberto — leve, mas inteiro. Esta força que me abastece para seguir em frente e ser feliz.
O descanso não é a ausência de trabalho, mas a presença de si mesmo. Quem pede permissão ao mundo para parar revela que ainda é escravo da utilidade alheia. A verdadeira soberania consiste em saber fechar os olhos no meio do mercado e declarar que a sua paz vale mais do que qualquer urgência fabricada.
Num dia frio,
o mundo pede silêncio.
E entre páginas abertas,
o tempo desacelera.
Lá fora, o vento atravessa ruas,
carrega pressas, distrações,
mas aqui dentro,
tudo encontra um ritmo mais lento,
quase como um segredo bem guardado.
E é nesse instante simples,
entre o frio e o abrigo,
que a vida se revela;
sem esforço:
como uma melodia suave ao fundo,
dessas que a gente nem percebe,
mas sente,
e sabe que é exatamente ali
que mora o sentido.
"A depressão é uma hóspede indesejada, mas extremamente fiel. Ela não pede licença, apenas ocupa o sofá e escurece a luz da sala."(Odilon Carlos)
Domingo não pede pressa, o mundo desacelera só pra ver se você repara que viver às vezes é isso: um instante que, no próximo segundo, já é outro instante.
"Quando o céu toca a alma"
Não estou triste,
mas algo em mim pede lágrimas.
Não de dor -
de vida.
É como se o céu encostasse no meu peito
de leve,
e minha alma, surpresa,
quisesse responder.
O choro vem,
mas não cai.
Fica ali, feito oração silenciosa,
feito gemido sem palavra,
feito toque do Espírito que a mente não traduz.
Romanos diz que Ele intercede por mim,
e talvez seja isso que eu sinto:
um mover que não se explica,
um derramar que não se derrama,
uma visita que o corpo reconhece
antes do pensamento entender.
A emoção trava na porta,
não por fraqueza,
mas por reverência.
Como se até as lágrimas soubessem
que Deus está perto.
E então fico quieto,
com a vontade de chorar sem motivo,
e percebo -
não é tristeza.
É sensibilidade.
É cura nascendo sem ferida.
É o coração ajustando o que nem eu sei.
É a presença que arruma a casa
sem fazer barulho.
Cada lágrima que não cai
ainda assim é vista.
Cada emoção engolida
ainda assim é guardada.
Porque Deus recolhe até aquilo
que não escorre do rosto -
até aquilo que só escorre da alma.
E um dia, talvez, eu chore.
Não por perder,
mas por ter sido tocado.
Não por dor,
mas por encontrar paz demais para caber no peito.
Até lá eu sigo assim -
com o céu pousado dentro
e o coração aprendendo a sentir.
Respirar em Silêncio
Quando a ansiedade bate,
não pede licença, invade.
O peito aperta, o tempo falha,
e até o ar parece fugir da sala.
Há dias em que respirar
vira arte de reaprender,
como se o mundo exigisse
um novo jeito de viver.
Inspirar, contar até três,
expirar, deixar ir de vez.
No compasso da respiração,
tento achar minha direção.
O corpo treme, a mente grita,
mas há beleza na luta quieta.
Cada suspiro é resistência,
cada pausa, uma nova crença.
Então respiro, fundo, lento,
abraçando o desalento.
E descubro, entre o caos e o medo,
que há poesia no próprio enredo.
Evans Araújo
Nem tudo que eu faço é porque eu quero e porque Deus me pede, às vezes eu faço coisas que Deus não gostaria que eu fizesse.
Não te amo, eu te consumo.
Sou chama que não pede licença,
que invade cortinas,
lambe paredes,
e transforma tudo cinzas.
Te toco
e já não és inteiro.
Teus contornos tremem
como papel prestes a desistir da forma,
como madeira que geme
antes de virar brasa.
Meu amor não aquece, devora.
É ardor sobre a pele,
é ar roubado dos teus pulmões,
é o vermelho vivo que cresce
até não caber no próprio corpo.
Onde passo, não resta nome.
Não resta tempo.
Não resta volta.
Só o estalo seco, irreversível de algo que já foi inteiro.
E ainda assim tu ficas.
Ficas porque arder comigo
é mais verdadeiro que sobreviver intacto.
Ficas porque no colapso
há beleza.
Porque no fim quando tudo é carvão e silêncio ainda há calor.
E é nele que nos reconhecemos.
A minha felicidade é autônoma e independente.
Não pede licença,
não mendiga afeto,
não negocia solitude
em troca de migalhas emocionais.
Ela não se apoia
em promessas frágeis,
nem se pendura
no humor alheio dos dias.
Aprendeu a caminhar sozinha
sobre cacos,
sobre ausências,
sobre o que veio
e partiu para o além
e o que não veio...
Não confunde companhia
com salvação,
nem presença
com pertencimento.
A minha felicidade
não nasce dos sorrisos e risos,
não necessita de aplausos e frases feitas
nem morre na minha solitude.
Ela existe.
Inteira.
Mesmo quando algo me falta.
✍©️@MiriamDaCosta
A natureza pede socorro, e é urgente que a ouçamos. A Terra é nossa única casa. Tantos buscam por um Deus em tantos lugares, mas não entendem que sua maior representação é a natureza. Ela dá e tira a vida. Mata o velho, e faz nascer o novo. Nos dá comida quando plantamos a semente. Quanto mais damos a ela, mais ela nos dá. Toda a vida só existe em decorrência dela.
Porém, há algo que ela não dá, a outra face. Não é covarde. Toda ação gera consequências, e se não reanalisarmos nossas atitudes, sua próxima fúria pode ser a causa da nossa última respiração, ou da de pessoas queridas. Enquanto o capitalismo selvagem mata e destrói, o dinheiro continua sendo o papel vindo das árvores, e segue mantendo-se impossível retirar dele o oxigênio que nos permite ter vida.
Se continuarmos explorando, poluindo, queimando e destruindo Gaya, nada nos restará. Se ignorarmos os alertas, com toda razão seremos engolidos. Se não mudarmos logo, talvez não haja mais como fazer qualquer mudança.
A natureza pede socorro. O planeta pede socorro. Logo, nós pediremos socorro, mas da mesma forma que a ignoramos, ela nos ignorará.
Não há um terrível apocalipse vindo. Não é culpa de nenhum Diabo, e nem algo que não poderia ser evitado. Não aparecerá nenhum suposto deus no céu arrebatando pessoas. Temos que assumir a responsabilidade e mudar as coisas.
Esse é o único caminho.
- Marcela Lobato
Respire. Você está inteira.
Feche os olhos.
Sinta o ar que entra - ele não pede permissão para existir, apenas é.
Assim também é a sua alma: livre, vasta, infinita.
Você não precisa mais provar nada.
Nem ao mundo, nem a ninguém.
Porque o maior milagre não é ser compreendida, é ser sentida.
Respire.
Cada respiração é um recomeço silencioso.
Um lembrete de que, mesmo quando o mundo parece desabar, a vida continua sussurrando o seu nome em cada batida do coração.
Você caminhou por dentro de si, atravessou silêncios, tirou máscaras e descobriu que, por baixo de todas elas, sempre houve um rosto verdadeiro — o da coragem.
Agora, siga.
Com a leveza de quem já não teme a própria profundidade.
Com a força de quem entende que viver é se refazer mil vezes, e, ainda assim, continuar inteira.
Que este livro não termine em você, mas se expanda por meio de você.
Que suas palavras encontrem outras mulheres, e que essas mulheres encontrem nelas mesmas o que sempre procuraram em outro lugar.
Porque o que nasce da alma,
não se apaga — se espalha.
E quando o mundo perguntar quem você é,
responda sem medo, com o brilho tranquilo de quem se reconheceu:
“Eu sou. E ser é o meu maior ato de coragem.”
Respire.
Você está inteira.
E isso, só isso, já é luz suficiente para mudar o mundo.
Rosas que Acolhem
Que cada rosa chegue de mansinho ao teu coração,
como quem pede licença para amar.
Que o amor de Deus te envolva sem pressa,
cuidando das dores,
sustentando os silêncios.
Que a vida te trate com ternura,
que a fé te aqueça por dentro
e que nunca te falte colo, luz e esperança.
Assim, pouco a pouco,
teu mundo aprenderá a florescer
sempre em amor,
sempre em cor.
Por Simone Cruvinel
