Amor não se Pede
“Boa tarde! Ah, que saudação inspiradora! Se o dia pede versos, que sejam grugulejantes, e que façam o coração arfar de beleza.”
©#JoaoCarreiraPoeta.
Campinas, 29/11/2025.
“Debaixo da Casca”
Bom dia.
Acordei com um desejo que pede voz há anos:
organizar o mundo que carrego dentro.
São ideias demais, caminhos demais, emoções demais —
como se minha mente fosse um cruzamento onde ninguém obedece o sinal.
Ser escritor, ou algo próximo disso, é caminhar com excesso.
Às vezes as palavras correm;
às vezes param todas, como se fizessem greve.
Eu falho, assumo, e recomeço — sempre.
Hoje declaro meu querer mais sincero:
reunir minhas crônicas, dar forma ao que sinto e penso,
e transformar tudo isso num livro dedicado aos meus alunos,
meu verdadeiro conteúdo.
Digo sem medo: não dou conta sozinho.
E aceitar ajuda também é política —
a política da humildade, da construção, da responsabilidade.
Quero romper minha própria casca.
Deixar sair o que é frágil e forte,
íntimo e público,
poético e indignado.
Quero transformar minhas aflições em páginas
e minhas páginas em memória viva.
Bom dia a quem tenta não viver só por fora.
Bom dia a quem insiste em ter miolo num país de cascas polidas.
Bom dia a quem escreve, tropeça, levanta
e segue —
porque a palavra sempre encontra seu destino.
Escrevo-me
quando o silêncio pesa
e a alma pede morada.
Escrevo-me
não para ser lida depressa,
mas para ser sentida
no tempo certo do coração.
Há dias em que sou rascunho,
outros em que sou verso inteiro.
Mas sigo,
mesmo borrada,
mesmo em construção.
Escrever-me
é não desistir de quem sou,
é juntar pedaços de fé,
cicatrizes e esperança
numa mesma linha.
Porque enquanto me escrevo,
eu existo.
Inteira.
Viva.
Aprendendo a ficar.
_escrevendo.me
Além das palavras do outro, há o nosso próprio interior que pede para ser ouvido. O silêncio é o caminho para nos conhecermos melhor.
Esta noite vai passar,
mas teu cheiro não.
Ele fica em mim
feito lembrança que não pede permissão.
Eduarda,
há perfumes que se usam
e há cheiros que assombram.
O teu não quer ser sentido…
quer ser lembrado
no escuro,
quando o silêncio chama teu nome.
Se em algum momento da noite
sentires um arrepio sem motivo,
não é o frio.
É a memória do meu respirar
perto demais do teu cangote.
Boa noite…
se é que o sono vem.
"A soberba pode sustentar alguém no alto por um tempo, mas a queda, quando chega, não pede licença."
Mesmo cansado, às vezes, o coração pede Luz.
E esta chama sempre se mantêm acesa, não importa a intensidade da dor, da desesperança, Deus nos olha e nos faz iluminadores frente á nossa própria escuridão.
✻FranXimenes ✻
E se escurecer demais
Eu acendo a luz por nós dois
Porque amar também é estar
Quando tudo pede pra ir embora depois - Frase da música dias melhores sempre virão
do dj gato amarelo
A verdade não pede altar,
segue exposta, sem proteção;
fere mais quando é direta
do que quando vira ficção.
William Contraponto
Você pede pra eu te esperar.
Carrego nos pés caminhos sem nome
e no peito uma bússola quebrada.
Como prometer permanência
se nem sei onde a alma vai ancorar?
Não há mãos estendidas no destino que sigo,
nem vozes chamando meu nome ao longe.
Lá, onde as portas permanecem abertas,
não é abrigo — é passagem,
é o vento ensinando que ficar também é uma forma de prisão.
Esperar seria mentir ao tempo,
fingir raízes onde só existe movimento.
Sou feito de partidas,
de silêncios que não pedem volta,
de passos que não sabem retorno.
Não me peça para te esperar.
Quem caminha sem chegada
não pode oferecer promessa,
apenas a verdade crua:
seguir é tudo o que me resta.
Ela tem um gênio forte, tempestade que não pede abrigo. Birrenta, encrenqueira, discute até com o próprio silêncio, briga com o mundo só em pensamento e vence quase sempre.
Não pede, manda. Não espera, insiste. Tem a língua afiada, verdade crua, sem frio, sem freio. Não nasceu para agradar plateias, anda como fera selvagem que não aceita coleira nem medo.
O que muitos veem é só o espinho, o rugido, o fogo solto no olhar. Poucos enxergam o que mora por dentro.
Porque quando encontra carinho, atenção sincera, um toque que não tenta domar, ela vira mar. Mar de doçura, amor que transborda manso, calmo o suficiente para curar naufrágios.
Ela não é fácil. Ela é profunda. E quem aprende a falar com o coração descobre que por trás da fera vive um amor imenso esperando apenas ser respeitada. Ela só deseja ser compreendida. Ela sonha ser amada. Ela é mulher encantadora. Que deseja ser amada.
você pede pra ser mais indomável,
mas lá no fundo sabe que ele nunca vai te dedicar uma poesia
ou uma foda memorável.
Todos clamam pela sinceridade como quem pede luz, mas poucos se tornam, de fato, lâmpadas. E talvez deva ser assim mesmo, pois há olhares que não buscam ver — apenas esperam o momento em que tropeçamos na própria sombra.
Sem CLT?
Sem holerite?
Sem caução?
Relaxa.
A marquise aceita todo mundo.
Não pede renda mínima.
Não discrimina.
E, ironicamente, é o único lugar realmente acessível da cidade.
São Paulo não expulsa pessoas.
Ela cobra até elas desistirem
A vida não pede pressa,
pede presença.
Ela acontece
entre um cansaço e outro,
num suspiro,
num recomeço discreto.
Viver
é continuar mesmo sem certeza,
é existir
do jeito que dá
e isso já basta.
A dor não avisa quando chega.
Ela não pede passagem, não explica o que veio ensinar. Apenas atravessa e, no caminho, desmonta certezas, derruba expectativas, desfaz versões nossas que já não se sustentavam. No início, a gente luta contra ela. Questiona. Implora respostas. Revira o passado como quem procura um detalhe capaz de mudar o fim. Mas a dor não negocia. E o tempo não responde. Ele apenas segue.
É nesse silêncio que algo começa a se mover por dentro.
Nada muda de repente. Não existe virada bonita, nem cura cinematográfica. A mudança acontece nos intervalos, entre um choro contido e outro, entre noites em claro e manhãs que chegam sem prometer nada. A dor vai afinando o olhar, desacelerando o coração, quebrando a pressa de ser forte o tempo todo.
Sentir dói, mas não sentir custa mais caro.
Porque é no excesso de sentimento que moram a coragem, a entrega e a verdade. Não há fraqueza em sentir fundo. Há humanidade. Há risco. Há vida.
Com o passar do tempo, aquilo que era ferida aberta começa a fechar. Não some, transforma. Vira marca, vira memória, vira aprendizado silencioso. A cicatriz não grita mais, mas conta histórias. Lembra que fomos frágeis e ainda assim seguimos. Que acreditamos em promessas que não ficaram, mas não deixamos de acreditar no amor. Que nos perdemos e mesmo assim encontramos outros caminhos de volta, ainda que levassem a versões diferentes de nós.
Depois da dor, o mundo muda de tom.
A gente passa a enxergar valor no que antes parecia pequeno. Um abraço que não exige explicação, um olhar que permanece, um silêncio que acolhe. Aprende a não mendigar presença. Aprende a não ficar quando não há verdade. Aprende a ir quando o coração já disse tudo. Isso não é frieza, é maturidade. É entender que nem tudo que machuca precisa ser resolvido. Algumas dores só pedem espaço para existir.
Sentir continua sendo o centro de tudo.
É o que dá densidade ao amor, profundidade à saudade e sentido ao tempo. E o tempo não apaga, ele ensina. Ele suaviza o desespero, transforma ausência em lembrança e dor em sabedoria. Quando percebemos, já não somos os mesmos. O que antes feria, agora orienta. O que quebrava, agora molda. O que partiu permanece apenas como parte da história, nunca como o final.
A dor não vem para nos destruir, apesar da aparência.
Ela vem revelar forças escondidas, camadas que só emergem quando tudo parece ruir. E quando o barulho interno finalmente silencia, a gente entende, com calma e verdade.
Sobreviver ao que um dia achamos que não suportaríamos é uma das formas mais bonitas de continuar vivendo.
