Amor entre Pessoas que Nunca se Viram
Na fundura de tamanha incredulidade
Que se desenha entre as marcas da idade
Detalhada nas poucas expressões de calma
Indefinida por sequelas na alma
Confio no amor mas não mereço tal significação
É desencanto por mim mesmo toda vez a dedução
Opróbrio ao presente contrito
Evidência do meu espírito aflito
São todos deslizes de minha confusão
Do meu certo ao fato o desenlace é contradição
Submetido a trajetos desencontrados
Vagando sozinho só encontro o acaso
Esperança improvável subsistiu ao pecado
Quase prostrado a invocar a loucura como desfecho
Da indiferença se ajunta força em relutar
À sorte que um anjo da agonia possa me sarar
Eu não sabia ao certo o que fazia as lágrimas, lentas, escorregarem entre meu rosto. Faz tempo não sentia, relembrei o gosto. Foi como se meu corpo continuasse somente, mas meu coração houvesse parado em um momento do tempo, impossível de se retornar, mas tão igual difícil de esquecer.
Chorarei pra sempre quando estiver sozinho, por dentro, ao ouvir tua voz, nas letras das músicas, ao ver tuas fotos e te rever, pensar em tudo não vivido, pelos meus sonhos perdidos e o que foi vencido por entendermos tão pouco.
Uma máscara impede que todos percebam, e será sempre mero detalhe dramático aos olhos. Estou bem, respondo com um sorriso. Tudo se distorce no tempo, que com força devasta nossas tentativas, e o que resta.
Eu sou o resto.
(...)
Como tu está?
(...)
Começa a chover, já estou quase indo embora. É só mais uma noite estranha que tudo que eu mais quero é você.
Hoje eu não vi o sol. Se escondeu antes que eu pudesse observá-lo, e na janela, entre o cinza dos prédios e as árvores, só poucos raios clareando o que eu chamo de mundo, inexistente na ausência da luz. Não somos nada, nem há como tentar ser, se inventamos luz artificial pelo medo que é permanecer no escuro. Há quem diga ser isso perturbação infantil, e erra. Queria saber como seria alguns dias se não houvesse o sol nem a lua, e as estrelas se escondessem de nossa presença de tal maneira que não houvesse distinção de espaço, cores. A energia humana falhasse e todos os esforços de produzi-la dessem em nada, tudo escuridão, escuro. Não voltaríamos a ser crianças, somente nós mesmos perdidos ao desespero e inutilidade, abraçando a incerteza do que nos reserva o próximo passo, a dúvida em redescobrir caminhos já gastados, mas nunca antes trilhados de olhos fechados.
Ligo o som, e aumento. Já faz algum tempo, não me recordo quanto, me perdi entre números que não faziam nenhum sentido. O que importa contar quando há uma voz de dentro que grita tão alto e, posso ouvi-la em qualquer lugar, mesmo com os dedos nos ouvidos e a música muito mais alta?
Confuso, andei em lugares estranhos e as pessoas me falavam de desejos que eu não tinha, e faziam coisas sem saber porque, diziam que eu deveria tentar, que perco tempo demais em descrições. Imaginei quantas histórias escondidas em todas aquelas marcas no rosto e no resto do corpo, diziam mais do que sua boca fechada, olhar devagar, apático, insinuando cansaço, entregue em rotinas que mandam pro inferno todo o mundo. Poderia por horas observar, reproduzir no papel o real sob a minha visão, e seria expulsar tantas lembranças que não se cansam de repetir e se juntar até formar tantos pensamentos desconexos, ou ligados de maneira que raramente entendo.
Decepção e solidão fazem parte de meus passos; e pra onde vai esse caminho? Eu queria anos atrás saber, antes de começar a caminhar, mas agora nem há como parar, já não consigo descansar, não sinto o ar. Já posso dizer que não importa tanto o passado, nem o que me fez chorar aqueles dias por dizer adeus. Eu tô deixando de ser eu pra ser alguém melhor, e talvez assim te reencontre.
Rasgue-me como uma ceda, consuma-me como uma heroína;
aprecie-me como um bom vinho, segure-me entre seus dedos como um charuto Cohiba, Partagas e solte o prazer da fumaça.
Faça o que quiser, só não deixe-me aqui para ser torturado, crucificado e morto.
"Eu quero é um valor, eu quero é ser amado."
Um segundo é muito pra se estar entre a vida e a morte! Então façamos dos nossos os melhores possíveis, cheios de vitalidade e autoconfiança. Façamos de novo se não for como queríamos e escolhemos outro se esse não deu. Sempre tem algo mais depois da esquina, basta virar.
Cá entre nós: – E quem és tu pra julgar? Se o que me serve, não te serve, imagine se o que queres me sirva… Já nascemos com uma digital totalmente oposta a qualquer outro ser humano na face da terra, chamamos essa imensa diferença de identidade.
"Cuidado aonde toca, nao quebre nada, nenhum elo ou confiança, entre com sutileza. Tenho medo do que desconheço, mas a partir do momento em que te deixo abrir o portão, girar a maçaneta da porta, me dou de corpo, alma, coração. Agüente firme, no começo parecerá uma enchurrada de sentimentos, coisas bonitas e outras nem tanto, sede e querer mais, mas logo acostuma. Tenho pavor, e ao mesmo tempo essa fome insaciável de amor, de bem-querer. Entrego minha confiança total, mas ela também é retirada facilmente. Não sei mentir, muito menos para agradar. Não te confiarei nada que eu pense que você não suportará. Não sou muito tolerante, cometo erros por medo, e às vezes fujo também. Corro para longe e ataco com minhas sujeiras e palavras de fogo."
PELE E LENÇÓIS
Que contraste entre duas semelhantes
Coberturas de belezas amigas
O linho que esconde gotas brilhantes
De suor de amor e fadigas
Amortecidos pela loucura que antes
Explodiram em bocas e vigas
Que se buscavam incessantes.
E agora, passado o fogo do desejo
Olho a ti, submissa, a sussurrar
Elevo-te a meus lábios e um beijo
Nasce espontâneo e vem se depositar
Em sua pele macia que é onde almejo
Para todo sempre possuir e amar.
O reflexo num espelho mostra na meia luz
Metade cor morena de sua pele bela e amada
Enquanto a outra metade sob o lençol me seduz
Porque sei que a metade aparente é somente a metade
Da outra metade do todo que amo e que me reduz
A ser para você metade amor, metade saudade.
"Tudo ao redor virou câmera lenta, o sol da tarde brilhando entre as folhas das árvores, e um cara de pé que olha nos meus olhos e me deixa sem reação. Primeiro que, só pra te avisar, sou eu quem faz esse lance de olhar fundo nos olhos, então senti minha arma virada contra mim."
"Chego em casa e desabo todas as mágoas entre meus lençóis, e peço para que seja, que seja como o coração manda dessa vez. Que eu obedeça, que eu siga, que eu me permita sentir e te faça sentir também. Por isso estou aqui, parada diante da porta da sua casa implorando por mais do que somente migalhas. Migalhas não me satisfazem, te explico, quero o tudo ou o nada. Sentir dor faz parte, e faz agir instantaneamente. Dessa vez, sem segurar os anseios, digo tudo o que preciso, o alarme interno apita em sinal de saída de emergência mais eu continuo aqui, persisto. Te explico humildemente, secretamente, que a culpa não é minha, e sim da tal intensidade que me deixa em alerta vermelho perto de ti. Te peço amor, entrego todo o que eu puder e invento mais um pouco para te fazer feliz. A única condição - se é que ainda posso exigir estando na porta da sua casa implorando por carinho - é aceitar minha vulnerabilidade diante do sentir. Sinto profundamente, deixo cutucar, sangrar. Me expulse para sempre, ou me deixe ficar e ofereça amor fresco com gosto de cama quentinha e beijo de bom dia. Peço baixinho para somente Deus (e você, do meu modo telepático de agir) escute: que aceite, por favor, que diga sim. Que abra a porta."
" Novamente desenhou um coração entre as fumaças na parede do box, mas dessa vez apertando o dedo com força e colocando todo o sofrimento, o ciúme, a raiva. Olhou aquela figura em que toscamente acreditava, rabiscou até sumir e quis bater, esmurrar, como se isso fosse diminuir o amor que sentia até caber em uma caixa que desse pra esconder atrás das prateleiras do quarto."
Entre nós dois
Tem coisas que não dá pra esconder
Que todo mundo vê
Que se entregam pelo olhar e vive uma mentira
Ou mentem pra viver como uma frustração
Ou como uma saída
O tempo revela todas as respostas dentro de cada um...
Tem coisas em você que me fazem bem não sei por que
E entre nós dois
Sempre foi e sempre será assim
Cada vez mais te vejo em mim
Nem tudo é como a gente quer
É como tem que ser
Acho que só vou saber
Mesmo como sou
Quando perder pra sempre algo que realmente faz falta
O tempo revela todas as respostas dentro de cada um
Não tem como esconder meu desejo de te ter de novo
Tente ver em meus olhos o que sinto vai além das palavras
Preciso te dizer
Tem coisas em você que me fazem bem não sei por que
E entre nós dois
Sempre foi e sempre será assim
Cada vez mais te vejo em mim
Noite
Entre uma súbita brisa a noite se esconde, deixando de mostrar seu glamour, escondendo dentro de se uma beleza aprazível e amena. Noite essa que durante uma tempestade se mostra temerosa e sem estimulo de mostrar os seus sentimentos. Sentimentos que deixa com certo anseio de um dia parafrasear e não omitir o que sente, guardando dentro de se. Palavras ditas mostram uma historia de muita luta atrás de uma união, que até então parecia impossível em meias tentas dificuldades.
Outra noite chega, sem tribulações manifestadas em sua sensibilidade, noite que traz um toque especial de belas estrelas mostrando sua robustez que brota cada anoitecer, enquanto a lua mostra a sua felicidade radiante em meio a tantas dificuldades que aparecem e desaparecem, mas sua felicidade sempre prevalece.
Marques Fabian
