Amor entre Almas

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Passeio


Lá estava eu, entre os meus coleguinhas, pensando em como passá-los para trás. O que eu podia fazer com o que tinha era fingir que era muito inteligente. Isso não podia funcionar e não era muito inteligente. Mas continuei com a minha farsa, na qual só eu acreditava. A única maneira daquilo dar certo era estudar muito, dedicar a vida ao estudo, mas eu não era idiota o suficiente para fazer isso. Eu não estudava, apenas ouvia o que os mestres falavam. Depois me tornei um cético e um descrente. A ciência tinha argumentos fortes, mas dava para sentir a farsa pela constante e onipresente afirmação dos seus princípios. Eu não ia cair nessa. A ciência e a religião procuravam ovelhas crédulas para vender o seu produto. Em ambos os casos se serviam da ignorância para criar a sua mágica. Um rebanho indefeso para lideranças sedentas de poder. Isso me afastou de todo mundo. O isolamento ajudou a desenvolver a minha criatividade, pois eu acabei tendo só a mim para conversar. Nos momentos de desespero, eu me lamentava por ser um nada, e estava certo! Como nada, eu fui me esvaziando ainda mais e ao mesmo tempo me completando. E fui ficando tão diferente que deixei de ser humano. Na minha ignorância, eu achava que estava doente, quando eu não podia ter mais saúde. Assim, fui tentando me adaptar a um mundo de loucos. Mas não tinha vocação para pirado e fracassei redondamente. Os loucos veem o mundo, mas não enxergam a sua visão, portanto são cegos. Não podem ver que eles são o mundo e o mundo que enxergam são eles. Conversei muito com os médicos, mas também eram doentes, como padres querendo me reformar para que eu coubesse nos seus preconceitos. E ainda demorei para compreender que o médico sou eu. Os meus amiguinhos cresceram e se tornaram peças da engrenagem. Parece que lá atrás eu já tinha a intuição de que ser inteligente não dá certo.

Entre o Silêncio e a Luz

Há retratos que não revelam um rosto,
mas desvendam uma alma.

Na quietude de um quarto envolto em sombras suaves,
alguém ergue a câmera, não para capturar o mundo,
mas para encontrar aquilo que o mundo não vê.

O instante parece comum:
uma manhã qualquer,
um tecido repousando sobre os ombros,
a luz atravessando a janela sem fazer alarde.

Mas a beleza verdadeira nunca chega fazendo ruído;
ela se acomoda devagar nos detalhes.

Há cansaços escondidos sob a delicadeza,
histórias guardadas entre os fios dos dias,
lembranças que aprenderam a permanecer em silêncio
para não interromper o curso do tempo.

E, ainda assim, existe uma força:
uma força que não grita,
não disputa espaço,
não precisa provar nada.

Ela habita os corações que continuam a acreditar,
mesmo depois das despedidas,
mesmo após os sonhos adiados,
mesmo quando a vida exige coragem
para recomeçar sem garantias.

A lente aponta para fora,
mas acaba revelando o interior.

Porque toda mulher que aprende a sobreviver às próprias tempestades
carrega no olhar uma espécie rara de luz:
aquela que não vem do céu nem do sol,
mas das cicatrizes transformadas em sabedoria.

Talvez seja isso que torna certos momentos eternos:
não a perfeição da imagem,
mas a verdade escondida nela,
a capacidade de permanecer inteira
num mundo que tantas vezes tenta fragmentá‑la.

E enquanto o tempo segue seu caminho inevitável,
ela permanece ali, entre o silêncio e a luz:
colecionando instantes,
costurando esperanças,
transformando ausências em poesia.

Porque algumas pessoas não atravessam a vida apenas vivendo,
elas atravessam‑na iluminando.
E, sem perceber, tornam‑se a mais bela fotografia
que o próprio destino foi capaz de revelar.

"Intervalo de vida é um espaço estranho entre quem fui e aquilo que ainda não sei nomear."

Entre Algoritmos e Silêncios Humanos


A modernidade chegou sem bater na porta.


Entrou, se acomodou e começou a reorganizar tudo como se sempre tivesse sido a dona da casa.


Agora ela atende pelo nome de inteligência artificial.


Pensa rápido.


Responde mais rápido ainda.


Escreve, calcula, cria, sugere, corrige, aconselha e, em muitos casos, até parece entender aquilo que o próprio ser humano já não sabe mais explicar.


E o homem, curioso como sempre, ficou olhando esse espelho novo.


Primeiro com desconfiança.


Depois com encantamento.


E agora com uma mistura perigosa de dependência e admiração.


Mas no meio dessa era acelerada, algo estranho começou a acontecer.


Quanto mais as máquinas falam, mais algumas pessoas se calam.


Não porque não tenham o que dizer.


Mas porque começaram a escolher cuidadosamente onde ainda podem ser humanas sem serem julgadas.


Existe hoje uma espécie de cidadão invisível.


Ele trabalha.


Ele pensa.


Ele sente.


Ele observa.


Mas fala pouco.


Muito pouco.


Não porque seja vazio, mas porque aprendeu que cada palavra pode virar sentença.


No mundo digital, tudo é opinião imediata.


Tudo é análise instantânea.


Tudo é julgamento em tempo real.


E a verdade, quando aparece sem filtro, costuma incomodar mais do que esclarecer.


Por isso muitos preferem o silêncio.


Outros preferem a máscara.


E há aqueles que vivem divididos entre o que são e o que precisam parecer ser.


Enquanto isso, a inteligência artificial avança.


Organiza o caos.


Simplifica o complexo.


Responde o que ninguém quer pensar com profundidade.


E, de certa forma, começa a ocupar o espaço que antes era reservado às conversas demoradas, aos debates de esquina, às reflexões imperfeitas, mas profundamente humanas.


O mundo moderno virou uma grande vitrine.


Todo mundo se mostra.


Poucos se revelam.


As redes sociais transformaram a vida em palco.


E o palco exige personagem.


Por trás das câmeras, porém, existe um ser humano cansado de interpretar.


Um pai que não sabe mais como educar sem ser questionado.


Uma mãe que tenta equilibrar tudo enquanto o mundo exige perfeição.


Um professor que ensina sob pressão de sistemas que mudam mais rápido do que a compreensão humana.


Um jovem que busca identidade em meio a diagnósticos, tendências e rótulos que aparecem e desaparecem com a mesma velocidade de uma notificação.


E todos, de alguma forma, dialogam com máquinas que parecem entender mais do que pessoas.


Mas será mesmo entendimento?


Ou apenas processamento eficiente de palavras?


Enquanto a tecnologia avança, cresce também um fenômeno silencioso.


O medo de ser julgado.


O medo de ser mal interpretado.


O medo de não se encaixar.


O medo de não parecer atualizado.


O medo de não estar “correto” segundo padrões que mudam o tempo todo.


E assim, muitos vão se recolhendo.


Se escondem em conversas curtas.


Em respostas neutras.


Em opiniões diluídas.


Em versões editadas de si mesmos.


A moralidade, que antes era vivida no cotidiano, agora muitas vezes é performada.


Há quem fale de valores com perfeição nas redes, mas não consiga praticá-los na vida real.


Há quem defenda respeito, mas não escute ninguém.


Há quem pregue empatia, mas não pare para olhar o outro na calçada.


O mundo ficou sofisticado na fala, mas às vezes pobre na prática.


E nesse cenário, a inteligência artificial surge como companhia confortável.


Não julga.


Não se ofende.


Não se cansa.


Não abandona.


Mas também não sente.


E é aí que mora a grande contradição.


Porque, ao mesmo tempo em que buscamos respostas perfeitas, sentimos falta das imperfeições humanas.


Da conversa sem filtro.


Da discordância sincera.


Do erro que ensina.


Do silêncio que acolhe.


Do olhar que entende sem necessidade de palavras.


As pessoas reais ainda existem.


Elas estão aí.


Nas casas simples.


Nos corredores das escolas.


Nos ônibus lotados.


Nas filas longas.


Nos trabalhos exaustivos.


Nas noites silenciosas em que ninguém vê.


Mas muitas delas estão escondidas.


Não por ausência.


Mas por proteção.


Proteção contra o julgamento.


Contra a exposição.


Contra a exigência de parecer sempre bem resolvido.


Contra um mundo que cobra presença constante, mas oferece pouca escuta verdadeira.


E assim seguimos.


Conectados com tudo.


Desconectados de muitos.


A inteligência artificial aprende com dados.


O ser humano aprende com dores.


A máquina responde em segundos.


O humano amadurece em anos.


A máquina não erra por emoção.


O humano, muitas vezes, só aprende porque errou sentindo.


Talvez o futuro não seja uma disputa entre homem e tecnologia.


Talvez seja um convite à reconciliação.


Um lembrete de que nenhuma máquina, por mais avançada que seja, substitui o valor de uma conversa genuína entre pessoas que ainda se permitem ser imperfeitas.


Talvez o verdadeiro desafio da modernidade não seja criar sistemas mais inteligentes.


Mas resgatar seres humanos menos escondidos.


Menos julgados.


Mais presentes.


Mais reais.


E quem sabe, no meio de tanta conexão digital, ainda sobre espaço para algo antigo e insubstituível:


A simples coragem de ser humano.


Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

[Entre Aliens e Unicórnios]


Surgimos de baixo da cama,
Por meio de lençóis e colchas,
Para além dos edredons,
Dos portais fabulantes,


De trás para frente,
De ponta cabeça, enfim,
Comece de novo,
Só comece novamente.


Remoendo a massada das rimas,
Bote o todo na betoneira dos poemas.


Você não quer que todo mundo entenda, não é ?!
Imagine como seria tedioso
Se todo mundo entendesse.
Mas não se aflija, pois não vão.


Para cá desta murada,
Não se vê tumulto, flagelos,
Nem filas ou reclamações,
As únicas interações são nossas
E para conosco,


Quando as nuvens do incômodo se aglutinam,
Despenca o toró, a torrente do alvoroço
E a alvorada nos enlaça saudosa.


Disseste que teu nome
Era diminutivo de lua,
Como recompensa te dedico
Esta soma empanada de estrofes.


Indissociável como estrógeno e progesterona,
Luara, o motivo inicial desta composição
Foi um tanto desvirtuado,


Mas considere o fato que registros efetuados
Tem como prêmio a posteridade,


Ficando assim estampado
Senão nas memórias pueris,
Ao menos em nossa comoção,
Deixemos todas as condições
E os bem feitos, serem como são.


Abandonados nos trópicos
Entre câncer e capricórnio,
Um humor sulfúrico para ti,
Vossa graciosidade se revela a sós.


Entre Aliens e Unicórnios,
Existem tantas teorias
Que não existem, por aí,
Mas que existem, para nós.


Ao menos em nossa comoção,
Deixemos todas as condições
E os bem feitos serem como são.


Serem
Como são,
Em nossa comoção.


(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2020)

Entre eu e o céu,
Estava você e eu te escolhi.
Uma dádiva cruel,
Afinal, o que é o Paraíso sem Você ali ?

Entre o castelo e o mirante,
Um conto triste teve um desfecho brilhante.
Mesmo depois de tanta tristeza,
Ela encontrou um Príncipe que a chamou de Princesa.

Leve a sério, minha querida,
Imperatriz entre as orquídeas,
Duas passagens pras Antilhas,
Só de ida. Nossa ida.

⁠Eras de tradição se afunilaram entre as unhas,
Acusaram mulheres sábias de reles feitiçaria,
A idade era média, mas agiam como múmias,
O populacho era adestrado pra fazer o que o rei queria.

“Entre as palavras do autor e os sonhos do leitor, existe uma ponte chamada livro.”
Lourenco@Cris

“Um livro é uma ponte entre a mente de quem escreve e a imaginação de quem lê.
Lourenco@Cris

“Entre páginas e páginas, os livros unem gerações e eternizam lembranças.” —
Lourenco@Cris

A diferença entre a Teologia Neófita da Teologia Madura.


A primeira pergunta: Por que o Diabo faz isto ou aquilo ( comigo?).


Já a segunda, pergunta: o porquê Deus permite Satanás agir desta ou daquela forma (comigo?)


Às 12:34 in 21.06.2026




Às 12:34 in 21.06.2026”
―Fábio Silva⁠

"Um Pouco depois do Imprescritível, lá no absurdo magnificente, entre o disparate, o inaudito e a sandice, residimos nós poetas."

Erguida como um elo entre a poeira da terra e a eternidade do céu, a Acrópole não é apenas um monumento de pedra, mas o eco perene de uma humanidade que ousou tocar o divino através da razão.
Reno Fioraso

Na infância, o Sul de Minas era meu destino de férias. Terra do meu pai, entre São Sebastião do Paraíso, Itaú, Pratápolis, Passos, Morro do Níquel e Fortaleza de Minas. O tempo passou, mas essas lembranças continuam morando no coração. ❤️🌿

"Entre risadas e sonhos, vivendo com um propósito."

Entre a obsessão e a obstinação sendo o querer a qualquer custo, há uma linha tênue que separa a razão da insanidade.

Toquei o céu, quando a voz rouca ecoou em meus ouvido;
Entrei num paraíso que desconhecia.
Entre risos e olhares, verdades que se revelam sem serem ditas;
A vida ganhou cor e a alegria grita;
Ascendeu-me a chama da vida, que antes opaca não brilhava;
O amanhecer me outorga amor e os dias que eram frios, onde só se conhecia dor, agora são aquecidos por um sol próprio que emana calor
Agora a felicidade se afina com a vida, como corda de violino quebrada que fora trocada, afinada transformando acordes em doces canções com uma pureza divina que não poderá ser extraviada.

É no bar entre amigos que confraternizamos a vida que pode ser tudo, mesmo por um momento.