Amor entre Almas
Tem sonhos que não nascem prontos.
Eles vão ganhando forma aos poucos,
no tempo certo,
entre silêncios, tentativas e espera.
E quando finalmente florescem,
o que mais importa não é o que se vê…
é quem está por perto pra sentir junto.
Porque existem momentos
que não pedem plateia,
pedem presença.
Não pelo espetáculo,
mas pela história que existe ali.
No fim,
não é sobre o lugar,
nem sobre o momento em si.
É sobre dividir o instante
com quem, de alguma forma,
também faz parte dele.
“O sucesso não é um destino que se conquista, mas um confronto diário entre o que você é e o que insiste em se tornar — e, no absurdo dessa luta sem garantias, é a persistência que dá sentido à própria existência.”
Carrego a dor de não estar ao lado de quem sonhei dividir meus dias, e vivo preso entre a esperança e o medo — sem saber se o destino vai nos cruzar de novo, mas tentando não me perder de mim mesmo enquanto espero.
Sinto-me como um eco perdido entre o que fui e o que se quebrou, carregando um silêncio que dói — mas ainda tentando encontrar um lugar onde eu possa respirar de novo.
“Entre tantas pessoas no mundo, é dela que o meu córtex pré frontal, vulgo coração, sente falta de um jeito que não dá pra explicar. Saudades para mim tem 5 letras, um cheiro doce, sabe como se vestir e se portar.”
Entre dores e sorrisos é que a gente se constrói.
A dor ensina, molda, faz crescer…
E o sorriso lembra que ainda vale a pena continuar.
No fim, somos isso: resistência com esperança no olha
Entre o longe e o perto, a gente aprende a sentir.
Tem presença que mora na distância,
e ausência que se instala mesmo ao lado.
No fim, não é o espaço que define,
é o que o coração decide guardar.
Anatômico
A vida que se faz entre os ventrículos
urgência silenciosa
um motor cego,
engenharia bruta sem licença,
transmuta o mundo sem sossego
Houve o silêncio,
o quase,
o não querer,
a porta estreita
o sopro hesitou
mas o sangue,
rio teimoso no dever,
insiste, insiste
em canais apertados encontra caminho
Milagre pesado,
sem seda, sem ornamento
batida seca contra a grade das costelas
uma aposta alta
onde a alma não cede,
não cede,
e acende no escuro
as próprias velas
O átrio recebe o medo,
o ventrículo devolve vida,
gramática de carne indizível
Pela fresta da pálpebra
a dor cedeu
e o soco do peito bate, bate, bate
até fabricar luz.
Carina Gameiro
Entre letras, sentidos e singularidades, a alfabetização inclusiva é o encontro da criança com sua própria voz no mundo.
Minha pesquisa atua na tensão entre silêncio e forma, onde o íntimo se afirma como presença.
A partir desse território, expande-se para questões coletivas e políticas, atravessando os impactos da colonização, as violências contra povos indígenas e mulheres, e os conflitos ambientais ligados à monocultura do eucalipto, ao uso do mercúrio e à exploração de energia fóssil.
Lilian Morais
Há um conflito silencioso entre quem somos e quem mostramos ao mundo. Desde cedo, aprendemos a vestir máscaras como quem veste um casaco em dia de frio: para suportar o ambiente, para caber nos lugares, para não ferir nem sermos feridos. No entanto, essa proteção também pesa. A aparência de força, muitas vezes, esconde um coração em tempestade; o sorriso social, por vezes, cobre ruínas que ninguém vê.
Vivemos tentando equilibrar a verdade interior e a versão aceitável de nós mesmos. Queremos ser acolhidos, mas tememos que nossa essência, crua e imperfeita, assuste. Assim, vamos aparando arestas, calando dores, podando sonhos, como um jardim bonito demais para parecer real. O problema é que, quando negamos demais o que sentimos, a alma cobra em silêncio.
Ser humano é justamente carregar essa contradição. Somos casa e vitrine, abrigo e espetáculo. E amadurecer talvez seja isso: diminuir a distância entre o rosto que oferecemos ao mundo e a pessoa que, em segredo, pede apenas o direito de existir por inteiro, sem pedir desculpas.
A paz é um desejo muito antigo da humanidade. A harmonia entre nós só existirá longe de nossos piores inimigos: nossos próprios pensamentos.🕊
Linha Tênue
Escrevo esse poema
entre a dor e um dilema,
sabendo que muitos vão apontar
antes mesmo de tentar entender.
Pra nós…
já virou rotina sentir demais,
carregar um peso antigo
de quem, muitas vezes,
nem pediu pra nascer.
A vida… a morte…
quem é que diferencia?
Existe uma linha tão tênue
que meus passos caminham sobre ela
todos os dias,
sem garantia.
Já tive vontade de ir embora,
não por fraqueza,
mas por não achar lugar
onde eu pudesse caber.
Desajeitado, quebrado, perdido…
como só entende
quem já perdeu tudo
e ainda tenta sobreviver.
Mas a recuperação tem algo estranho,
quase um enigma que intriga:
a mesma dor que antes nos empurrava
pro fim,
hoje nos faz implorar
por mais um dia de vida.
E chega a ser irônico…
porque antes, sem perceber,
a gente se destruía aos poucos,
roubando os próprios dias
de uma contagem silenciosa,
de uma doença incurável,
progressiva
e fatal.
Hoje eu perdi um amigo.
Não foi para as garras
da adicção ativa,
e isso, de alguma forma, conforta…
mas não apaga a dor.
Porque perder…
ainda é perder.
E a vida, que antes parecia clara,
se mostra torta,
como um reflexo quebrado
de tudo que já fomos.
Mas no meio desse caos,
existe um porquê que insiste em ficar:
ele partiu limpo,
de cabeça erguida,
carregando uma vitória silenciosa
que o mundo nem sempre vê.
Meu amigo se foi…
sem saber que, no caminho,
salvou vidas.
Sem saber que foi luz
em meio à escuridão de muitos.
E talvez seja isso…
o que me mantém aqui:
entender que, mesmo na dor,
mesmo na perda,
mesmo na saudade que aperta…
eu ainda escolho viver
mais um dia.
Quem partiu para o plano espiritual não pode retornar para viver entre nós mas um dia também iremos para lá e nos encontraremos.
Quem partiu para o plano espiritual não pode retornar para viver entre nós, mas um dia nós também iremos para lá e nos encontraremos.
Os indígenas em seu nudismo selvagem conseguem manter o respeito e o trabalho mútuo entre eles, enquanto nós, vestidos da sabedoria do homem moderno, nos atropelamos nos interesses que nos afastam da coletividade.
Não se necessita de nenhum mérito para semear a divisão entre os próprios subordinados; isso está ao alcance de qualquer um. Pelo contrário, é preciso possuir verdadeiro talento para coordenar esforços, estimular o zelo, utilizar as faculdades de todos e recompensar o mérito de cada um sem despertar suscetibilidades e invejas, sem perturbar a harmonia que deve existir nas relações entre as pessoas
