Amor de Pai para Filha
Envelhecer é entender a beleza do tempo que passa e vai transformando os filhos em pais e os pais em filhos...
Criar um filho é a eterna busca para encontrar o equilíbrio entre o desejo de agradar dizendo "sim" e o amor contido na preocupação de cada "não".
Filho
Queria ter te conhecido.
Para me despedir sonolento,
te ver dormir,
te acordar com um beijo;
Queria ter te conhecido.
Pra ver um pé na frente do outro,
te ver levantar
te fazer feliz;
Queria ter te conhecido.
Pra te regar todos os dias
segurar sua mão assustada
te achar só meu;
Queria ter te amado.
Ser imagem, som e gosto
Ser seu porto e seu herói
Ser um só.
O anúncio de que estavas a caminho foi recebido como uma grata surpresa, uma benção do Senhor, foste uma pequena guerreira que em poucos dias neste mundo, já mostrou a sua força, oriunda de um amor divino, que permitiu a sua primeira vitória, compensando as lágrimas derramadas, as noites mal dormidas, quando um certo período de tempo pareceu uma eternidade, pois a todo momento, Deus esteve contigo e assim, permanecerá, por isso e entre outros motivos que o teu sorriso é uma grande riqueza, decerto, és amada verdadeiramente desde o ventre da tua mãe, teu pai também se faz presente, teu irmão será um dos teus futuros escudeiros, és uma alegria crescente, uma fonte de avivamento.
Hoje, quando volta imersamente ao passado através de uma simples e amável lembrança, bem guardada na mente e numa linda foto valorosa, relembra com o coração quente um amor grandioso, incomparável que desde os seus primeiros passos, um após o outro, durante a sua querida infância, teve um indispensável porto seguro.
Um tipo de herói raro, que não sabe voar, não tem super poderes, nem usa capa, mas que graças a Deus sempre teve o poder de melhorar o seu dia, de proteger de muitos males, de dizer certas verdades que ainda não tinha percebido ou sabia, porém, havia infelizmente ignorado, assim, contribuiu bastante na construção de seu caráter e em alguns dos seus princípios.
Entusiasmante saber que este vínculo poderoso continua nos dias atuais, acredito que também no futuro, provando a constância do verbo amar, fazendo uma diferença salutar em um mundo singular de acontecimentos únicos, inspiração genuína que consegui ao ver uma pequena menina segurar a mão de seu pai, um sinal puro de confiança para caminhar em paz e em segurança.
ELE TINHA CORAÇÃO.
"O Ferro que Aprendeu a Ser Homem"
O mundo, tantas vezes, mede a força de um pai pelo peso que ele suporta, pelo silêncio que mantém e pelas batalhas que trava sozinho. Muitos o chamam de “homem de ferro” — aquele que não chora, que não treme, que não se deixa abalar. Mas, por trás da armadura invisível que o tempo e a sociedade lhe impuseram, há um coração vivo, pulsando, sangrando e amando.
A infância de um pai morre lentamente para dar lugar a um vigilante eterno. Ele não pode se dar ao luxo da fraqueza porque acreditou, desde cedo, que o amor verdadeiro se prova na resistência. E no entanto, é justamente essa dureza aparente que esconde o maior dos segredos: a sensibilidade. Ele talvez não fale das noites em que ficou acordado ouvindo a respiração do filho doente, nem confesse o medo que sentiu ao ver a vida colocar nas mãos da família o peso das incertezas. Mas ele estava lá — como um farol em mar revolto, calado, mas firme.
A sociedade raramente autoriza o homem a demonstrar ternura sem antes cobri-lo de rótulos. Ainda assim, todo pai carrega no íntimo uma luta silenciosa contra essa sentença cultural. Porque ser pai é ser ferro por fora e carne viva por dentro; é entender que a fortaleza não é a ausência de fragilidade, mas a coragem de mantê-la em segredo para proteger quem ama.
Chega um dia em que os filhos crescem e começam a enxergar não o herói, mas o homem. E nesse instante entendem: não era o ferro que nos sustentava, era o coração que batia dentro dele. Um coração que, mesmo pesado de responsabilidades, escolheu amar sem pedir nada em troca. E talvez esse seja o maior legado que um pai pode deixar — ensinar, pelo exemplo, que a verdadeira força não está na rigidez, mas na capacidade de continuar amando, mesmo quando tudo ao redor pede endurecimento.
"Ele Tinha Coração – O Ferro que Partiu Vitorioso"
Em cada esquina da vida, há um pai que a sociedade não quis ver. Não estampou seu rosto nas manchetes, não lhe ofereceu medalhas nem reconhecimento. Chamaram-no de “homem de ferro” — não por ser frio, mas por aguentar calado o peso de mundos que só ele sabia carregar. Um pai assim veste, sem pedir, a armadura que o tempo e a cultura lhe impõem: “não chore, não reclame, não mostre medo”. Mas, sob essa couraça, pulsa um coração real, vibrante, que arde de amor.
A filosofia nos lembra que a verdadeira grandeza não se mede pelo poder de dominar, mas pela capacidade de servir. E no papel de pai, esse servir é silencioso, quase invisível. Ele não conta as vezes em que deixou de lado o próprio sonho para alimentar o sonho dos filhos; não revela o medo que o acompanhou nas madrugadas de incerteza; não espera retorno, apenas se coloca no caminho como muralha contra o inevitável.
Do ponto de vista sociológico, esses homens são frequentemente engolidos por uma narrativa injusta: a de que afeto e masculinidade caminham separados. E assim, escondem suas lágrimas, oferecendo apenas o lado forte, acreditando que proteger é também poupar o outro do peso de suas dores. No íntimo, porém, guardam lembranças de abraços breves, conversas apressadas, olhares que diziam mais que qualquer palavra.
Psicologicamente, o pai que ama incondicionalmente constrói, sem alarde, o alicerce emocional da família. Mesmo ignorado — por orgulho juvenil, por ingratidão momentânea ou pela pressa do mundo — ele permanece. Porque para ele, amar não é negociar: é escolha diária, gratuita, inabalável.
E chega o momento inevitável da partida vitoriosa. Não vitoriosa pela ausência de derrotas, mas pela dignidade de ter amado até o último instante. É quando o silêncio da casa revela o som de sua presença na memória, e os que um dia não o perceberam como deviam descobrem, com atraso doloroso, que todo aquele “ferro” era apenas a casca de um coração que sempre bateu por eles. Nesse dia, o mundo perde um homem, mas ganha a lição eterna de que a grandeza não precisa de testemunhas para existir.
Querido Gabriel Raseira Ferreira,
Se ao menos as minhas mãos pudessem expressar o que tenho no coração... Sou um completo desconhecido pra você, uma pessoa que nunca viu. Mas você é alguém que está de contínuo comigo, permeia a minha mente e o meu coração... neste exílio de mim mesmo no qual me meti.
Se puder imaginar um local secreto, escondido e a salvo das fraquezas do amor... então sabe onde estou. Um lugar de mim mesmo, onde tento me reconhecer como identidade, mas que, neste momento, deixa de ter o sentido anterior do que significava Ser. Não raro, caio nos padrões anteriores do que costumava ser, contudo, com o diferencial de estar mais consciente sobre mim mesmo e mais lúcido sobre alguns tipos padronizados do meu comportamento.
Durante toda a sua vida, tenho andado de um lugar a outro, sofrendo uma espécie de mutação... buscando encontrar a minha própria essência. Eu não queria ser marido e pai, por isso fugi... Em meio a todo esse movimento, tenho tentado contactar a inequívoca percepção de rumo da minha vida, bem como sofrido com a questão existencial que habita o coração de cada homem... qual é o propósito da minha vida?
Tento me refugiar na constante busca por conhecimento, porém, quanto mais aprendo, percebo que estou fadado à ignorância... falta-me sabedoria. Permaneço como que exilado de mim mesmo sempre que, cegamente, rumo para dogmas que me foram introjetados durante toda a minha vida, sem questionamento algum... como se toda essa cultura padronizada e educação massificada que me são inseridas fossem todo o meu norte existencial. Ledo engano... Sei que há muito mais de mim a ser desvendado, sempre!
Não sei para onde estou indo e nem se as minhas más ações podem ser perdoadas. Fiz coisas demais das quais me arrependo. Eu não queria ter um filho, mas penso em você o tempo todo... tento imaginar você e vejo um menino forte, inteligente e corajoso, que não tem medo de aprender com os próprios erros e nem se deixa afetar pelos meus. Mesmo quando não é um pensamento consciente, você está sempre presente, esteve comigo em cada vitória e nas derrotas também ... porque, um dia, serei uma pessoa melhor e digna de você, alguém de quem você possa se orgulhar. O que outrora julguei ser uma fraqueza, é o que me motiva todos os dias pra tentar melhorar, pois nem consigo imaginar como seria o meu mundo se você não existisse... Eu te amo, meu filho!
Com afeição, seu pai!
Entre as sombras do desconhecido,
Onde a ausência desenha o seu traço,
Eu me perco em sonhos, tateando,
O que seria ser pai, o que seria o abraço.
Nas horas em que o silêncio é profundo,
E a dúvida murmura em seu canto sereno,
Imagino o futuro, o toque do mundo,
O calor de um vínculo, suave e pleno.
Não conheço o rosto, nem o riso,
Mas sinto a presença, um eco distante,
E em cada pensamento, um delicado aviso,
Que em algum lugar, um filho é um instante.
O que seria eu, pai, em sua história?
Um guia, um porto, um alento, um farol,
Em cada gesto, a promessa de memória,
De um amor que transcende e consola o sol.
Temos a paternidade da vida, de todas as crianças, de todos os filhotes, de todas as sementes e de todas ínfimas aglutinações moleculares de carbono.
O homem e a mulher amáveis predestinados a paternidade e a maternidade tem por obrigação natural manter saudáveis, livres, acolhidos e diferentes todos os filhotes, todas as sementes e todas as crianças do universo. Mesmo que não tenham a oportunidade genética de te los.
Não importa que horas são na cronologia do tempo. Abra as janelas do coração e ainda que vá alta a madrugada da solidão, jamais esqueça que sempre é cedo para amar!
A maioria das pessoas conta histórias e isso tem seus méritos. Eu, porém, prefiro escrevê-la, sendo interventor nos ideais que a ela me unem!
A ausência de arrependimento não implica em falta de culpa. Não poucas vezes resume-se a deficiência de caráter!
Quando substituímos o filosófico otimismo pela cristocêntrica fé, descobrimos a chave para tocar no impossível!
Aprenda a renascer! Se com o cair da noite você não for capaz de morrer junto com dia, pode ter certeza que no amanhã permanecerá com as mortes do ontem!
