Amigos Nao Precisa ser do Mesmo Sangue
Aprendi que preciso seguir mesmo que o coração esteja despedaçado, o peito sangrando e todos os meus órgãos estáticos. Nada e ninguém poderá fazer nada por mim a não ser eu mesma. Então...preciso seguir em frente mesmo com as feridas abertas. Só o tempo poderá cicatrizá-las.
Estamos sempre tentando encontrar alguma coisa que nos mostre a dimensão da vida. Mesmo que seja infinitamente alcançável, tentamos de todas as formas buscar o que nos alimenta, nos nutre e nos preenche internamente.
Mudança de Mim...
Vou deixar que o outono me agasalhe mesmo sabendo que o inverno se instalou dentro de mim. Tudo lá fora parece perene, mas é efêmero. As folhas caem cobrindo a terra seca e meu pranto alaga as incertezas. Em meio a fraqueza de toda a intensão, gera em mim um lado terno. Um lado desconhecido, romântico e ao mesmo tempo dramático. Abro a janela e lá fora é outono. Abro a minha janela e aqui dentro o inverno continua rigoroso. Um inverno escondido entre a manta da saudade e a real intensão do momento. Faz muito frio. Um frio congelante e cheio de provocações. Logo a primavera baterá na porta. Talvez, eu abra e deixe a realidade instigante me alimentar ou apenas me encolherei entre os prantos e a deixarei ir embora. Assim, o inverno permanecerá para sempre e a primavera esmorecerá.
Viver entre a dúvida e a certeza, não haverá mudanças. Não de casa, nem de móveis, mas de mim.
Rita Padoin
Sinal do Universo
Pedi ao Universo um sinal. Apenas um sinal. Um só. Mesmo que fosse fraquinho. Pequeno. Nebuloso. Um resquício de poeira. Seria apenas um único sinal, mas o único emitido foi o silêncio. Um silêncio sepulcral. Como se a morte tivesse passado e levado para o submundo todas as palavras. Foi tão intenso e tão triste, que senti como se um raio tivesse atravessado o meu peito e rasgado a minha única esperança. A única saída foi me encolher.
Abracei a saudade tão apertado, tão apertado, que quase sufoquei-a. Caminhamos em direção ao nada e percebi a esperança me esperando do outro lado da ponte. Atravessei-a calmamente sem tirar os olhos dela. Ao nos encontrarmos, nos abraçamos e percebi que tínhamos muita coisa em comum. Ela pegou na minha mão e seguimos caladas sem pretensão de chegar em algum lugar. Queríamos sentir apenas o frescor do vento daquela manhã de fim de verão.
Durante nossa caminhada silenciosa entendi que a esperança vem do substantivo “esperar”. Esperar o tempo certo. Esperar que as coisas se alinhem. Esperar que dará tudo certo. Esperar que a conexão se encaixe e se torne uma só. Esperar que a vida se encarregue de fazer acontecer no momento que tiver que acontecer.
Lembranças são sempre bem-vindas. Mesmo as que achamos desagradáveis pois elas trazem na sua bagagem, crescimento.
Você merece todo amor que tenta dar aos outros, mesmo quando minha voz falha ao declarar gratidão, percebo que meu desejo de cuidar excede minha capacidade de me receber amor. Reconhecer meu valor não como alguém que “uma hora vai desistir,” mas como
sujeito digno de afeto, tem sido batalha diária que contradiz a voz interna que insiste em me desmerecer.
Tem dias em que o cansaço pesa e a vida parece uma canção repetida. Mas mesmo nessa rotina silenciosa, há um fio tênue de esperança, o sono que acolhe, o descanso que renova, e a certeza de que, a cada amanhecer, uma nova nota pode surgir na melodia.
Os pensamentos ruins vêm sem convite, como nuvens passageiras num céu que tento manter claro. Mesmo nos momentos felizes, sinto o medo e a dúvida caminhando ao meu lado, mas aprendi a não deixá-los ficar. A cada sorriso, escolho me agarrar à luz, ainda que breve, sabendo que a alegria, mesmo frágil, também merece espaço para florescer.
Preso a esta cadeira, sou tronco retorcido pela dor, mas ainda assim, tento me erguer, mesmo que o vento forte, vindo do leste, queira me dobrar como galho em dia de tempestade.
A herança do passado constitui-se no mais oneroso legado que podemos receber, mesmo sem desejá-lo ou consentir em sua posse.
Assim como disse Heráclito, "nenhum homem entra duas vezes no mesmo rio" pois, na segunda vez, nem o rio guarda as mesmas águas, nem o homem conserva o mesmo ser. Tudo é fluxo, impermanência, transformação. A água que escorre já não é a de antes, e aquele que retorna traz no corpo e na alma as marcas do tempo, as cicatrizes do caminho, os ecos do que aprendeu e do que perdeu. A vida é esse eterno vir-a-ser, uma travessia por instantes únicos, que se esvaem como a correnteza, deixando apenas a memória breve do toque, do passo, do olhar. Somos feitos de passagens e nunca mais seremos os mesmos de um momento atrás.
Pelos siderais fios
que nos unem
mesmo sem saber
onde você está;
Sei que nós dois
vamos nos encontrar,
e que não importa
a hora e o lugar.
O Universo abriu
um palimpsesto
a nossa previsão,
Tudo ocorrerá
fazendo bater
sempre mais
forte o coração
em ritmo forte
e indomável paixão.
Os seus toques
já estão todos
roteirizados
na minha pele,
E hão de ser a sua
estratégica mania,
e suave maneira
para de mim
fácil e faceira
muito além desta
Superlua de Neve.
Nesta busca intensa
por você mesmo
sem ter a certeza
desta sua sidérea
existência que sinto
que vou encontrar.
Na tua alma sem
saber onde está
por antecipação
peço o meu refúgio,
nela tenho o meu
apogeu e o perigeu.
Trago o descanso
absoluto que no teu
coração fixarei
a residência segura
neste teu corpo
de metal viciante:
Por ele que prevejo
me deixar em transe,
hei de ser a eterna
e intrépida viajante
muito além desta
Superlua de Neve.
Carnaval doentio este que inundaram desfiles e blocos das imagens dos políticos mesmo por crítica é completamente repugnante porque atua como contra-propaganda e destrói a atratividade da festa para o público turístico e diminui a oportunidade de promoção da nossa cultura.
Tens a licença poética,
e até mesmo profética
de criar novas palavras:
por por realismo
e de sobrevivência
existencial neolog(ética).
Se não houver mensagem,
ao menos um sentido
doa a quem doer,
não é neologismo, meu amor.
Nem se licença houver
ou 'permitida' for,
doa a quem doer,
é erro ortográfico, meu amor.
Tens a liberdade da crítica,
e até mesmo ética
para iluminar
sem causar dor,
mesmo que seja
expressão de certo rigor.
Sob a luz do amoroso luar
nos campos da hileia,
entenda e não se feche
como se vivesse numa ilha.
Ao som da sinfonia lunar,
serei a alegria pelo ar
sendo somente tua
nas tuas mãos e de alma nua.
Se você aprendeu mesmo o seu lugar de escuta, aprendeu a chave que abre o caminho da política. O bom político escuta mais do que fala.
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