Amigos Nao Precisa ser do Mesmo Sangue
Eis-me entre homens, meu irmão,
na angústia e na dor de saber da finitude —
e da inutilidade da vida
quando o assunto é a eternidade.
Amo e odeio essa possibilidade.
Convivo entre homens que, embora tente compreender,
enxergo como fracos:
almas perdidas no labirinto da consciência da morte.
Cegos guiando cegos,
todos buscam entender o que não é possível,
e acima de tudo, tentam encontrar sentido
naquilo que apenas repetem —
como se a crença, por si, salvasse.
Às vezes penso: talvez sejam como eu,
alguém que aprendeu a repetir os erros ancestrais —
a ilusão da crença
de que há algum sentido na morte do homem.
Sobretudo depois de se conhecer a sentença:
“Tu és pó, e ao pó voltarás.”
Me solidarizo com esses homens.
Mas, ao contrário deles,
na maior parte do tempo,
eu nego qualquer sentido ao universo.
Rejeito qualquer ideia cósmica ou estoica de metafísica —
seja a da alma imortal,
seja a da carne eterna,
ou da saturação de algum prazer físico.
Tudo é em vão.
Seguimos como ovelhas para o abate,
e todas as crenças desabam
quando a razão nos assalta,
como um raio que, vez por outra,
ilumina demais.
Confissão de um artista incompreendido
Eu só sou artista quando escrevo.
Tocar, cantar — tudo isso, por mais que me habite, me degrada. Há um processo silencioso de deterioração da minha alma artística quando tento me expressar fora da palavra. Como se algo se perdesse no ar. Como se aquilo que eu sou, no fundo, não coubesse no gesto ou na voz.
Minhas melodias? Eu as crio em catarse. Elas nascem do abismo, do indizível, mas raramente alcançam quem ouve. Alguns me dizem, com um sorriso breve: “muito legal.” Outros me parabenizam — por educação, talvez. Mas eu percebo. Eu sei. A língua que falo, com minha arte, não chega audível aos seus ouvidos.
Eles não escutam o que eu ofereço. Escutam outra coisa. Um som qualquer. Um ruído bonito, talvez. Mas não escutam eu.
É por isso que, quando escrevo, me sinto inteiro. Porque sei que um — um só já basta — um leitor, em qualquer tempo, há de entender. Há de perceber. Há de aprender a língua secreta do meu ditirambo. Porque a palavra escrita não exige pressa, não pede aprovação imediata. Ela se deixa ler por quem for capaz de ouvir o silêncio entre as sílabas.
E é ali, nesse instante invisível, que eu sou artista por inteiro.
A Visão de Sofia
Era ela.
Sofia…
Surgiu como uma aparição entre os sinos e os cascos.
A carruagem era dourada, mas ela… ela flutuava.
Seus olhos não pousaram sobre mim —
estavam além do mundo.
Ela voava, sim. Eu juro.
Saltou da carruagem como quem desfaz a matéria.
Não tocava o chão.
Era um anjo?
Era uma ave?
Era a Espanha inteira me chamando ao trono?
…Ou apenas o amor que nunca tive, me despindo de toda razão?
Eu gritei seu nome. Mas minha voz era vento.
Os cavalos corriam.
Os criados riam.
E ela — Sofia! — atravessava o ar como uma promessa que nunca se cumpre.
Ela me viu?
Ela sabia?
Ou fui apenas mais um vulto aos seus pés de nuvem?
…Meus pés, sim, ainda estavam na lama.
Mas a alma… a alma já era pássaro.
Escrever, hoje em dia, é um ato de resistência contra a insanidade coletiva que nos domestica, que nos embrutece, que nos impede de perceber a dor do outro. Vivemos num mundo de intolerância, de verdades absolutas, onde quem duvida morre. Na escrita, há uma brecha. Uma fresta de lucidez. Um instante de verdade.
Ali, diante da página, o poeta — como um semideus — nos apresenta a beleza honesta da dor. Ele nos representa como somos: seres humanos. Falhos, imperfeitos, mas humanos. E durante o tempo da leitura, sem nenhuma distração, sem nenhum pensamento alheio, nos conectamos com quem somos. Com nossa essência. E ao perceber isso, algo se transforma.
Porque há uma catarse que acontece. Às vezes sutil, às vezes brutal. Mas acontece. Saímos da leitura mexidos, acordados. Descobrimos a força incrível que é ser humano. O poder que temos em mãos. A capacidade de sonhar — mesmo com tudo em ruínas.
A pergunta é: o que vamos fazer com isso? Vamos tentar mudar o mundo, ou voltar à realidade mórbida, fingindo que nada foi dito? A poesia nos entrega uma verdade. E a verdade, uma vez vista, não pode mais ser ignorada.
O Alter Ego e o Labirinto
Na literatura, o alter ego do autor raramente é um só.
Ele se desdobra, se infiltra em múltiplos personagens, e por vezes se oculta no que não é dito, no que se evita.
Em Labirinto Emocional, meu primeiro romance, publicado em 2005, meu alter ego se dividiu em dois homens: Valter e Paulo.
Valter é jornalista, alcoólatra, devastado por uma perda que o tempo não cura — um filho perdido na Europa, tragado pelos rastros da guerra.
Ele carrega o peso da memória e do fracasso, mas também da lucidez crua de quem já viu o mundo pelo avesso.
É um homem que já foi centro, mas hoje gira em torno de um vazio.
Paulo é músico da noite, filho da boemia carioca.
Conhece Valter em Copacabana, num tempo em que os bares tinham alma e a amizade era vício raro.
Paulo vê em Valter um espelho trincado — e, talvez por isso, não foge dele.
Eles criam uma amizade intensa, marcada por silêncios, desconfianças e lealdades tortas.
Enquanto Valter afunda nas suas crises, entre surtos e lapsos, Paulo se aproxima de Rute, a filha única de Valter — a mais bela, a mais viva — e casa-se com ela.
Não há escândalo. Há destino.
Paulo se torna o cuidador de Valter, quase um herdeiro não nomeado.
É ele quem permanece quando o mundo se vai.
Talvez o alter ego não esteja só em Valter. Nem só em Paulo.
Está no abismo entre os dois.
Na fronteira tênue entre decadência e continuidade.
Na pergunta silenciosa: quem somos quando os outros começam a cuidar do que um dia foi nosso?
Labirinto Emocional é isso.
Não é apenas um romance sobre amizade, amor, decadência e lucidez.
É um romance sobre o artista diante do espelho:
partido entre o que viveu e o que ainda insiste em escrever.
FARDO
Deixe eu lhe dar só um pouquinho do meu prazer.
Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra você...
Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra você.
Diz o poeta, com razão:
Que amor demais dá combustão.
Acende o fogo da paixão,
Mas toda chama, um dia, apaga.
E todo amor, meu bem, um dia acaba...
Deixe eu lhe dar só um pouquinho do meu prazer.
Nos lugares onde corações são terras férteis, o Reino de Deus encontra os seus mais fervorosos adeptos!
(Fabi Braga, 28/08/2014)
Saia de cima do muro. Esta é a pior posição em que alguém pode se encontrar. Especialmente no que concerne à fé.
Aquele que está sobre o muro está exposto. É disputado. E não pode obter "proteção" de qualquer um dos "lados".
Decida-se. Escolha para onde quer ir. E faça isto antes que o sopro da vida se extinga de ti.
Sabendo-se que de um lado, és amado; do outro, és odiado.
(Fabi Braga, 31/08/2014)
A Palavra do Senhor é boa. Ela é usualmente liberada para nós, por Ele, para o nosso crescimento. E isso porque Ele nos ama. A TODOS. É evidente que, em nome desse Amor e por Sua justiça, Ele também nos exorta. Mas isso é o que Deus, Onisciente que é (e Ele só), faz.
Quanto a você, não queira usar a Palavra do Senhor para ferir ou mesmo matar o teu próximo. Avalie o teu posicionamento.
Justo é o Senhor. E a todos contempla.
(Fabi Braga, 31/08/2014)
Amizades reais são como tesouros! Feliz é aquele que os possui!! Eles recreiam a nossa alma. E nos fazem crescer...
Mas esses são os outros amigos...
Melhor que todos eles, só o Amado e Fiel Jesus! Esse será sempre incomparável.
O Amigo Inenarrável. O maior.
O melhor Amigo.
(Fabi Braga, 31/08/2014)
Esforce-se na busca pela Sabedoria enquanto ainda és jovem. Doutra maneira, quais são as garantias de que dela desfrutarás na velhice?
(Fabi Braga, 01/09/2014)
Expectativas "mirabolantes" depositadas em pessoas falhas, tanto quanto nós, sempre darão origem a frustrações. Aprenda a confiar no Senhor!
(Fabi Braga, 02/09/2014)
Se ligue.
Dons tem a ver com serviço.
Para executar um serviço para o Seu Reino, Deus capacita pessoas.
Porém, dons não são garantias de Salvação.
O Senhor, quando quer falar, se expressa de múltiplas maneiras e, para isso, utiliza os meios que julga necessários. É evidente que Ele tem preferência por aquele que é imagem e semelhança Sua.
Entretanto, Ele pode transmitir o que deseja até mesmo através de um animal (vide exemplo da jumenta em Números 22:28)!
Procure cultivar a tua comunhão com o Senhor para que sejas salvo; e abandone a ideia de que, por ser ou ter sido canal de Deus, isso te salvará.
(Fabi Braga, 10/09/2014)
Quem, afinal, é o mais excelente: o "filho pródigo" ou o irmão mais velho deste?
Qual dos dois você representa?
(Fabi Braga, 14/09/2014)
O Senhor Deus está disposto a nos perdoar, ante o nosso sincero arrependimento. E tantas são as nossas falhas e pecados...
Mas, e se Ele usasse para conosco a mesma medida que usamos para com os outros?
Nesse ponto, torna-se evidente o quanto precisamos aprender com o Amor de Deus...
(Fabi Braga, 14/09/2014)
Os concorrentes desavisados que se cuidem...
Na disputa por aquele Coração, irão de encontro a um Rival Forte e Poderoso.
Exatamente Aquele que tornou-se o Amor daquele ser.
Tudo pois um dia o resgatou e dele quis cuidar, sem maiores exigências.
Tal Amor propôs e estabeleceu com o alvo de sua dedicação um pacto; uma aliança eterna que jamais será quebrada.
Mostrou-lhe o que é ser alegre e supriu-lhe as necessidades, o que transcende em muito as expectativas humanas e materiais!
Agora o Coração é feliz. Feliz de verdade! E ele se põe a perguntar: Falta-me ainda alguma coisa?
Se agora vivo a transbordar desse Amor tão precioso; O Incomparável; O mais Excelente...
(Fabi Braga, 17/09/2014)
O Amor só se torna algo penoso para se doar, se ainda resta algum egoísmo em nós.
Nos decepcionamos com as pessoas, exatamente porque ficamos a esperar que elas nos retribuam o mesmo carinho que lhes devotamos.
Parece ser algo bem justo e razoável.
Mas com esta expectativa, corremos o sério risco de bater de frente com as falhas que as pessoas carregam consigo.
E eis que uma nova frustração surgirá!
Pense na forma como Deus nos ama. Ele insiste em se dedicar a nós, apesar de nossos tantos tropeços.
Olhe para o próximo como para um espelho. Ele é semelhante a você, nas possibilidades de falhar e acertar.
Desarme-se! Ame! Ame incondicionalmente. Distribua amor por aí! O mundo tá precisando! E pare de esperar algo em troca!
Fique frio. Essa semente não falha.
Você colherá amor! Ainda que não seja no mesmo lugar em que semeou.
(Fabi Braga, 22/09/2014)
Confessionário
Para conseguir compreender o que significa “ter comunhão com Deus”, iniciei uma verdadeira peregrinação. Já faz algum tempo.
Questionamentos; testes e experimentos; quedas e altas. Incluí tudo isso no percurso. Eu precisava encontrar meu “lugar ao sol” diante da necessidade de preencher padrões segundo Deus.
Pense numa jornada longa! E a sensação esporádica de que cada passo conquistado poderia ser nada além de ilusão??
A mochila trazia pesos extras. Havia ali o impulso de tentar agradar a todo mundo. Ser legalzinha e preencher o estereótipo da galera! Só de religiosidade, tinha uns dez quilos...
Pode até parecer pouco, mais experimente conduzir isso e mais alguns itens durante um tempo considerável.
Buscava “por osmose” ser santa seguindo o exemplo “tão perfeitinho” de outros “santos”. Haha.
Que santos o quê! Todos, todos eles tão pecadores quanto eu. Todos eles possuidores de pontos fracos como eu, mas que se compraziam em ostentar uma espécie de trena com a qual viviam e vivem a medir o pecado alheio.
A infeliz da religiosidade apresentava-se sob a forma de máscara. Uma máscara que se esforçava para dizer que tudo aqui dentro ia indo às mil maravilhas; minimizava minhas falhas e me punha num patamar acima dos demais “pecadores”.
Precisei alterar esse quadro. Pesou tanto que cansei. Hora de esvaziar a sacola.
Nem me dei conta na hora, mas aquele momento já era o meu encontro com Deus.
Resolvi despir-me de tudo o que pesava. Sentei-me diante de um espelho (A Palavra) e fiquei ali, por um bom tempo, buscando saber quem eu era...
Reconheci-me pecadora. Me abri com Deus e lhE confessei meus pecados, com sincero arrependimento.
Percebi que Ele me aceitou mesmo sabendo quem eu sou. Resolvi me aceitar também, assim como Ele.
Parei de me culpar. Parei de me autoflagelar. E parei de culpar os outros também.
Aos poucos, fui arrancando tudo aquilo. Pedi a Deus que arrancasse de mim a peste da religiosidade. Desejei ser crente e não religiosa. Uowww, que alívio!
Senti-me mais, bem mais, leve.
Entendi, finalmente, que para preencher os padrões de Deus, era preciso que eu me dispusesse e esvaziasse a minha bagagem perante Ele.
Em troca e de maneira excelente, Ele me fez entender que a única coisa de que eu deveria me abster era do pecado. Se isto ocorresse, conseguiria agradá-lO.
De quebra, de Sua despensa, enchi minha mochila com Seu Amor e Graça...
Se depender de mim, vou carregar esses “elementos” durante toda a minha jornada...
Que ninguém se ofenda, mas irão quebrar a cara os que pensarem que perderei a minha vida seguindo aquilo que eles formularam como “politicamente correto”.
Se precisar romper com padrões humanos, pouco importantes para mim, de acordo com a Palavra, eu os quebrarei. Me gastarei tentando agradar a Deus!
Não vim a essa terra para ser marionete de quem, como eu, sofre tentações e é imperfeito.
Essa sou eu. Frente e verso. Por dentro e por fora. Uma só. Transparente de verdade. Livre, leve e feliz. Agora tenho paz.
É. É isso o que eu quero para mim. Era tudo o que eu buscava. Finalmente me encontrei. E encontrei a Deus.
(Fabi Braga, 20/09/2014)
Face: https://www.facebook.com/profile.php?id=100004338496088
(Em conversa)
Outra coisa que tenho aprendido é que: a única coisa de que precisamos nos abster é do pecado.
Mas podemos sim servir a Jesus de maneira leve, sem religiosidades e sem máscaras.
Somos humanos, falhos, tão pecadores quanto os outros; apenas resolvemos render o nosso coração a Deus, em arrependimento sincero.
Sirvamos a Jesus, não conforme os homens exigem, mas conforme nos sentimos à vontade - na medida em que Deus nos conhece e a Palavra é nosso espelho.
(Fabi Braga, 22/09/2014)
E quem disse que o pecado seleciona seus "alvos", baseando-se em características humanas ou critérios religiosos?
(Fabi Braga, 24/09/2014)
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