Ame mas Nao Seja Trouxa
Talvez
os únicos que realmente dominam todas as línguas sejam os mudos.
Não porque conheçam cada idioma, mas porque aprenderam aquilo que os falantes frequentemente esquecem: o silêncio também comunica — e, às vezes, comunica com uma precisão que nenhuma palavra alcança.
Há silêncios que acolhem, outros que denunciam.
Há os que pedem desculpas sem pronunciar uma só palavra, e há os que gritam uma revolta inteira sem emitir um único som.
Um olhar pode atravessar fronteiras que um discurso jamais conseguiria cruzar; um gesto pode ser traduzido em qualquer parte do mundo.
Talvez o problema de quem fala demais seja justamente acreditar que linguagem é apenas aquilo que sai da boca.
Confundimos eloquência com volume, inteligência com quantidade de argumentos e verdade com a capacidade de vencer uma discussão.
Os mudos, nesse sentido, talvez sejam os poliglotas mais completos: não precisam dominar palavras estrangeiras para serem compreendidos.
Conhecem a gramática universal do olhar, do gesto, da presença e até da ausência.
Sabem que existem coisas que, quando ditas, diminuem; e outras que, quando caladas, revelam.
No fim, talvez dominar todas as línguas seja descobrir que nenhuma é suficiente.
E que há momentos em que o silêncio não é falta de voz, mas o idioma mais difícil de aprender.
Talvez, se eu não tivesse cerrado meus ouvidos para as Arquibancadas, a Arena tivesse me Sucumbido.
Há momentos em que sobreviver exige uma espécie de surdez voluntária.
Não porque toda voz externa seja inútil, mas porque, quando estamos no centro da arena, há sempre quem torça pela nossa queda, quem exija espetáculo, quem confunda coragem com imprudência e quem, protegido pela distância, tenha certeza de como deveríamos lutar.
Às vezes, as arquibancadas são muito barulhentas.
Julgam sem carregar o peso da espada, aconselham sem sentir o golpe e comemoram tanto a vitória quanto a derrota — desde que o espetáculo continue.
Aprendi, então, que nem toda voz merece chegar até nós.
Algumas palavras esclarecem; outras apenas confundem.
Algumas críticas nos aperfeiçoam; outras pretendem apenas nos diminuir.
E há aquelas que parecem preocupação, mas são somente a expectativa de assistir ao nosso fracasso de um lugar confortável.
Cerrar os ouvidos, nesse sentido, não foi covardia.
Foi preservar dentro de mim um espaço onde ainda fosse possível ouvir a própria consciência.
Porque a arena não destrói apenas quem perde.
Às vezes, ela sucumbe quem passa tempo demais tentando corresponder aos gritos das arquibancadas.
No fim, talvez maturidade seja justamente isso: saber quando escutar, saber quando responder e, sobretudo, saber quando permanecer em silêncio — não por falta de argumentos, mas porque algumas batalhas terminam no instante em que deixamos de lutar para convencer quem já decidiu o que quer enxergar.
E talvez eu só tenha conseguido atravessar a arena porque, em algum momento, compreendi que o que gira em torno da minha vida não precisava ser um espetáculo para ninguém.
Não há
assuntos tão espinhosos que não possam ser debatidos;
há pessoas difíceis.
O problema, muitas vezes, não está na delicadeza do tema, mas na incapacidade de algumas pessoas de conviver com aquilo que contraria suas certezas.
Há assuntos que exigem cuidado, maturidade e até coragem para serem colocados à mesa.
Mas nenhum deles se torna realmente impossível enquanto houver disposição para ouvir, argumentar e reconhecer que o outro também pode ter razões.
O que torna uma conversa árdua não é necessariamente a controvérsia.
É o orgulho de quem transforma opinião em identidade, discordância em ofensa e questionamento em ameaça.
Para essas pessoas, debater não significa buscar entendimento; significa vencer.
E, quando a vitória se torna mais importante que a verdade, qualquer diálogo degenera em disputa.
Há quem confunda firmeza com intransigência e liberdade de expressão com licença para não escutar.
Há também quem só aceite o diálogo quando o resultado já está previamente decidido.
Nesse ambiente, até a pergunta mais honesta pode ser recebida como provocação, e a ponderação mais cuidadosa, como afronta.
Talvez por isso seja tão importante distinguir um assunto difícil de uma pessoa difícil.
O primeiro pode ser enfrentado com argumentos, conhecimento e serenidade.
A segunda exige limites.
Porque diálogo é uma via de mão dupla: pressupõe que ambos estejam dispostos não apenas a falar, mas também a serem afetados pelo que ouvem.
Não precisamos concordar para conversar.
Nem precisamos gostar da opinião alheia para respeitá-la.
E não precisamos transformar toda divergência em uma batalha moral.
Algumas conversas, quando terminam, não produzem consenso — produzem compreensão.
E isso já é o bastante.
Afinal, assuntos espinhosos podem ser desarmados pela inteligência e pela boa-fé.
Pessoas difíceis, porém, às vezes só se tornam possíveis quando aprendemos a não permitir que a dificuldade delas determine a qualidade da nossa própria postura.
O outro pode até confundir minha Solitude com Solidão, só não deve interrompê-la sem a Honesta Intenção de me oferecer Inteira Companhia.
Há uma diferença imensa entre estar só e sentir-se só.
Na Solitude, se experimenta a graça de se escutar; na Solidão, o drama de implorar para ser escutado.
A solidão pede presença; a solitude, muitas vezes, pede respeito.
Quem não compreende isso pode interpretar o silêncio como carência, o recolhimento como tristeza e a distância como um convite para invadir espaços que, naquele momento, são deliberadamente meus.
Solitude não é ausência de pessoas, mas presença própria.
É quando não preciso preencher cada intervalo com vozes, mensagens, encontros ou explicações.
É poder permanecer comigo sem experimentar a obrigação de fugir de mim.
E talvez uma das formas mais bonitas de afeto seja justamente compreender que nem toda porta fechada esconde alguém esperando ser salvo.
Por isso, não me incomoda que confundam meu silêncio com solidão.
O que me incomoda é que, ao suporem minha falta, me ofereçam uma presença pela metade.
Porque companhia, quando é verdadeira, não chega apenas para ocupar espaço: chega inteira.
Não exige que eu abandone minha solitude, mas sabe entrar nela sem profaná-la.
Há presenças que interrompem a paz e há aquelas que a ampliam.
As primeiras chegam por medo do nosso silêncio; as segundas chegam porque têm algo de verdadeiro a compartilhar.
E é dessas que não quero me proteger.
Se alguém pretende atravessar a distância que escolhi, que não venha apenas para impedir que eu esteja só.
Que venha disposto a estar comigo — de corpo, alma, escuta e intenção.
Porque, entre a solidão e a solitude, existe justamente esse critério: eu não preciso de alguém que simplesmente esteja presente; preciso de alguém que saiba estar por inteiro.
441🙏❤️ O ser humano não tem limites para perversidade, muito das vezes agem de forma tão ocultas que nem percebemos tal ação, agem em todo os seguimentos da sociedade, destruindo famílias, relacionamentos, amizades e sonhos do próximo, não se preocupam com a lesão provocada, usam artimanhas diversas até chegar no fundo da discórdia total, fazem críticas infundadas, criam crises no ambiente familiar destilando ódio sem Precedentes, não deixam qualquer possibilidade de reparação do ato praticado, deixando seus alvos sem saída...
Mas um dia a verdade chega, tardia mas com total transparência, nada fica oculto, verdade ou mentira, e respondemos no plano físico ou no além túmulo, a vida carnal acaba, mas a vida espiritual é eterna, a verdadeira morada, aí somos julgados pelas nossas consciências...
Assim é o agir de Deus nada ficará impune, da menor até a mais grave inflação nos chega um dia, aproveite seus dias para a prática das boas obras, bons feitos e boas ações, assim construindo o seu castelo de luz no plano maior a terra é um aprendizado, o espírito é criado simples e ignorante por Deus, mas trilhamos o bom caminho no planeta escola buscando a perfeição, a nossa evolução...❤️🙏BOM DIA FAMÍLIA. Ayache Vidal.
Quem vai prestar atenção nos meus sinais quando a voz não sair?
Quem vai me auxiliar quando minhas mãos tremerem?
Quem vai está por perto quando eu sentir frio ?
Quem vai me entender quando a dor chega ?
Quem vai me guiar no final da minha jornada ?
Quem vai me segurar quando eu caí ?
Quem me libertará da solidão sempre que meus sonhos do passado invadir meus sentimentos?
Pois meus heróis de minha infância cresceram e não voltaram mais, esses são os filhos da história que voaram para longe.
"Às vezes, nossos pensamentos são equivocados, pois não existe caminho para o céu, tampouco um paraíso na eternidade. Somos enganados todos os dias."
Não basta possuir a chave da sabedoria; é preciso coragem para abrir as portas da própria consciência e contemplar aquilo que o orgulho prefere ocultar. Pois aquele que escolhe permanecer na ignorância, mesmo diante da verdade, não é prisioneiro das circunstâncias, mas das próprias limitações que se recusou a transcender.
A vantagem de morar no inferno é não esperar bondade de ninguém. Ali, ao menos, os monstros não fingem ser santos. No paraíso, porém, a crueldade veste-se de virtude, a mentira chama-se esperança e a hipocrisia é confundida com humanidade. No fim, talvez o inferno seja apenas o lugar onde já não somos ingênuos o bastante para acreditar no paraíso.
O justo não é aquele que meramente lê ou reflete sobre a Torá, mas aquele que a pratica.
📖 Romanos 2:13 — ACF
“Mesmo quando não podemos aliviar diretamente o sofrimento de alguém, podemos cultivar um coração sensível, capaz de perceber, compreender e se importar verdadeiramente com as dificuldades do próximo."
“Como Reikianos, não podemos permanecer indiferentes ao sofrimento do próximo; devemos cultivar a sensibilidade e a compaixão, procurando perceber e compreender suas dificuldades, mesmo quando não podemos aliviar diretamente o seu sofrimento.”
“A motivação não nasce do grito, mas do instante em que o cansaço e o desejo se olham e a alma decide continuar viva.”
M. Arawak
Quando o Ser se Torna Silêncio
Chega um ponto em que o barulho do mundo já não faz sentido.
Tudo começa a soar igual, pesado, distante.
Então vem o cansaço, e junto dele a vontade de parar, respirar e simplesmente existir por um instante sem ter que provar nada.
É nessa pausa que algo em nós desperta.
Não é um pensamento novo, é uma lembrança antiga — a de que estar vivo é, antes de tudo, sentir.
Quando o som lá fora se apaga, a gente começa a ouvir o que sempre esteve dentro.
Sem pressa, sem pressão, as coisas se ajeitam.
A vida mostra que o que realmente importa nunca esteve perdido, só coberto pelo ruído das urgências que criamos.
O poder que ignora limites termina por destruir quem o usa.
O saber que se recusa a duvidar acaba se fechando em si mesmo.
E o amor que quer prender o outro se transforma em controle.
Nada que nasce do medo dura.
O que é leve atravessa o tempo, o que é sincero permanece.
A sabedoria não chega por esforço, ela aparece quando paramos de lutar contra a vida.
Ela vem no silêncio, quando o coração entende o que a razão não alcança.
Não é algo que se aprende, é algo que se reconhece — um saber que já estava ali, esperando calma para se revelar.
Às vezes, tudo desaba.
E a gente acha que acabou.
Mas não acabou.
Foi só o jeito da vida mostrar que há outro caminho.
O caos não vem punir, vem mudar o rumo.
A queda não é derrota, é movimento.
A gente vive entre o sentir e o compreender.
Entre o que o mundo mostra e o que o coração traduz.
Quando o olhar se acalma, o mundo muda de cor.
Quando o gesto é honesto, o tempo parece mais gentil.
Ser forte não é resistir a tudo, é saber entender quando é hora de soltar.
E quem continua bom mesmo depois de se ferir já entendeu o que é amar de verdade.
Não é preciso prometer nada nem planejar demais.
O agora basta.
Quem está inteiro no presente não teme o que vem.
Porque tudo o que muda, muda para ensinar.
O futuro não depende de crença, depende de consciência.
De gente que saiba ouvir antes de reagir, sentir antes de julgar, viver antes de explicar.
Quando o ser se torna simples, o mundo fica mais claro.
Nada precisa ser vencido quando é compreendido.
Tudo o que buscavas sempre esteve aí,
esperando o momento em que parasses de correr.
A sabedoria não é conquista, é retorno.
E o silêncio — esse mesmo que agora te abraça —
é o lugar de onde nunca saíste.
PRESENÇA ADVAITA
A travessia do ser que deixa de lutar contra si
A cidade ainda não dormiu.
O ar tem cheiro de chuva e café esquecido.
Há buzinas, passos apressados, vozes cansadas atravessando a noite.
Aqui dentro, a casa fecha as pálpebras e o corpo desaperta os ombros.
A respiração desacelera, como se o tempo, por um instante, perdesse a pressa.
Não é iluminação, é pausa.
Não é milagre, é o cansaço que aprende a sentar.
No intervalo entre o que se esgota e o que começa, algo desperta.
É mais sopro que ideia, mais pele que palavra.
Viver é sentir.
Sentir é o único gesto que não mente.
É quando você acontece.
Não chega, se revela.
Nada em você exige lugar, mas tudo muda à sua volta.
O ar fica mais leve, as sombras perdem pressa.
O silêncio ao seu lado tem temperatura.
Parece uma mesa posta no meio da alma.
Você toca o lugar em mim que sempre esperou,
e algo, enfim, consente.
Ainda com medo, eu consinto.
Não há urgência, há respeito.
A ternura não anuncia sua entrada,
ela simplesmente chega e fica.
O medo, visto de perto, se torna pequeno.
A dúvida, cansada, adormece na varanda do peito.
O que antes era abismo agora é chão molhado,
com marcas de quem passou e ficou.
O ser é o campo onde o medo e o amor se escutam.
Ali, o humano e o eterno se olham sem querer vencer.
Quando há escuta, o silêncio deixa de ser muro e vira ponte.
Antes da calma houve deserto.
Antes da ternura, ferida.
Já temi o que mais amava,
já fugi do que me curaria.
Até que o orgulho se desfez,
e a suavidade entrou pela fresta da noite.
Nem tudo em mim é paz.
Ainda há grito guardado,
e o eco às vezes volta sem aviso.
Mas ele já não fere, apenas me devolve à carne.
O amor que prende é medo disfarçado de zelo.
O amor que acolhe tem mãos abertas e chão firme.
Nele, dois seres se olham sem truques.
Ambos feridos, ambos atentos.
Sabem que o outro teme, e ainda assim permanecem.
Eu tropeço.
Duvido.
Às vezes quero trancar a porta e esquecer o mundo.
Mas é a dúvida que me devolve à fé,
essa fé pequena, feita de respiração e paciência.
Só quem sente profundamente aceita não entender tudo.
Com você, o tempo não desaparece, ele respira.
A casa continua casa, o mundo continua áspero.
Há contas, filas, injustiças e gente que carrega o dia nas costas.
Mesmo assim, algo em nós encontra um ritmo bom,
um espaço simples onde a ternura sobrevive.
Não busco eternidade, busco verdade.
Prefiro o instante vivido à promessa que não cumpre calor.
O que é real não morre, apenas muda de rosto.
A presença é o milagre discreto que sustenta o mundo enquanto ninguém vê.
Não há promessa, há encontro.
Não há destino, há travessia.
Você não chega, acontece,
como chuva breve em tarde quente,
lavando o pó do que restou.
A plenitude não está em domar os sentimentos,
mas em atravessá-los inteiros.
Quando compreendo o medo, o amor deixa de ser fuga
e vira casa com portas que abrem por dentro.
Nem tudo que acalma cura.
O silêncio também corta,
mas é corte que limpa,
como mar depois da tempestade.
Às vezes a luz arde antes de iluminar.
Às vezes o amor desmonta o que eu usava para me proteger.
Se o tempo nos afastar, a presença não parte.
O sentir muda de tom, como maré que recua
só para lembrar que voltará.
Você é travessia,
o agora entre duas incertezas,
a prova de que o amor pode existir sem fazer barulho.
Se o silêncio for tudo o que restar,
ainda assim haverá amor.
O que é verdadeiro não precisa ser dito.
O toque fica mesmo quando a mão já se foi.
A lembrança não pede voz,
a pele ainda sabe o caminho.
Ser forte não é erguer muralhas,
é continuar sensível quando o mundo pede dureza.
É olhar o outro e ver o mesmo espanto,
a mesma fome de não ferir.
Escolho te sentir.
Não para possuir, mas para reconhecer.
Não para vencer, mas para ser verdadeiro.
Se o sentir trouxer dúvida, que venha.
Que confunda e console.
Que assuste e cure.
Que desfaça o chão só para mostrar o céu que sempre esteve ali.
Entre nós talvez não haja nome,
e tudo bem.
O real prefere ser vivido a ser explicado.
O amor que nasce quieto é o que mais permanece.
Ele não disputa palco, respira.
É o som do ser se reconhecendo no outro.
Quando o ser se torna simples, o medo aprende a ouvir.
Nada precisa ser vencido quando é compreendido.
A sabedoria não nasce da força,
mas da entrega.
Do instante em que o ser para de fugir de si
e percebe que nunca houve vazio,
apenas verdade esperando espaço.
A cidade enfim silencia.
Uma janela apaga, outra acende.
O ar cheira a terra molhada.
E no reflexo do vidro, eu me reconheço.
O silêncio me olha,
e nele eu ainda vejo.
Agora é Decisão
Não é sobre falta de tempo.
É sobre falta de decisão.
Nós sabemos quando algo está errado. Sabemos quando estamos nos afastando de quem amamos. Sabemos quando o orgulho começa a falar mais alto que o afeto. Sabemos quando estamos empurrando um sonho para “depois”. A consciência não é o problema. O problema é o que fazemos com ela.
Entre perceber e agir existe o medo. Medo de perder, de falhar, de não ser aceito, de começar de novo. E então justificamos.
Dizemos que precisamos pensar melhor.
Dizemos que não é o momento ideal. Dizemos que semana que vem será diferente.
Mas aqui está a verdade simples:
Se você sabe
e não faz,
você já escolheu.
Não escolher também é escolha. Não agir também é ação. O que você adia continua produzindo consequência.
A vida raramente destrói tudo de uma vez.
Ela desgasta.
Ela esfria o que era intenso.
Ela transforma presença em convivência automática.
Devagar o suficiente para que a gente se acostume. E o mais perigoso não é o erro. É a adaptação ao que nos diminui.
Será que sabemos mesmo?
Ou apenas evitamos encarar?
Porque consciência sem movimento vira peso. E o peso acumulado vira arrependimento.
O tempo não negocia com indecisão. Ele não pausa até que você se sinta pronto. Ele segue. E enquanto segue, revela uma lógica inevitável:
O que você não decide
também decide você.
Viver dói. Amar expõe. Mudar desestabiliza. Mas não viver endurece.
Não amar esvazia.
Não mudar corrói lentamente por dentro.
A dor da ação é aguda; a dor da omissão é crônica.
E aqui está o ponto central: não é ignorância. É postergação consciente. Nós sentimos quando estamos nos traindo um pouco. Sentimos quando estamos ficando menores para caber no confortável. Sentimos quando estamos escolhendo paz superficial em vez de verdade profunda.
A pergunta não é se você sabe.
A pergunta é: o que você fará com o que sabe?
Um dia haverá silêncio. Não o silêncio de uma sala. O silêncio em que as oportunidades já passaram. E nesse dia não serão os outros que perguntarão. Será a própria consciência.
Quando você soube,
por que não fez?
Quando você sentiu,
por que não falou?
Quando percebeu que precisava mudar,
por que esperou estar pronto?
A vida nunca exigiu perfeição. Nunca exigiu ausência de medo. Exigiu presença.
Presença quando era desconfortável.
Presença quando era mais fácil fugir. Presença quando tudo dentro de você tremia.
Enquanto você respira, ainda é presença que está em jogo. Ainda é decisão. Ainda é movimento.
E movimento não começa com certeza absoluta.
Começa com coragem suficiente.
Agora não é teoria.
Não é filosofia.
Não é inspiração momentânea.
É escolha.
E escolha
é agora.
Saudade: a sincronia entre quem fomos e quem somos.
A saudade não é um ponto no mapa, é uma órbita. A gente tenta separar o que sente, a falta do lugar, do tempo, da pessoa, como se fossem gavetas fechadas na alma. Mas isso é só uma ilusão, um jeito de tentar controlar a imensidão do que nos habita. A verdade é que tudo está ligado.
O lugar é o corpo da memória e o tempo é o seu sangue. Não dá para puxar um desses fios sem que a cena inteira se mova.
O espaço é apenas o palco onde a nossa essência aprendeu a respirar.
Quando voltamos a um lugar que nos marcou, o choque não vem das paredes, mas da nossa própria memória tentando reconstruir quem fomos ali. A gente não sente só a falta de quem esteve lá; a gente sente falta da frequência daquela luz, daquele instante, da pessoa que a gente era antes do mundo nos mudar. A memória não é uma estante de livros parados, é uma força viva que, toda vez que olhamos para trás, reescreve quem somos agora.
A nossa identidade é o mosaico dos rastros que deixamos.
Somos a soma de todos os lugares onde um dia nos sentimos inteiros.
Essa conexão é o que sustenta a vida. Cada pessoa que nos tocou, cada cenário que habitamos, mudou o nosso desenho interno de forma irreversível. A saudade, então, deixa de ser lamento pelo que passou e vira um exercício de alinhamento. É a nossa tentativa de encaixar no presente os pedaços de um sistema que, embora espalhado pelo tempo, ainda nos define.
A dor que a gente sente é apenas o preço da nossa própria evolução. Quem não sente falta, provavelmente nunca esteve realmente presente.
Precisamos ter sido todos aqueles outros para ser quem somos hoje. A saudade é a prova viva de que o passado não morreu, ele é o combustível que nos ancora no agora. É aceitar, com um pouco de melancolia, que somos um sistema imenso, mas que a vida nos impõe a solidão de não conseguir habitar todos os nossos eus de uma só vez.
Nesse ponto, a saudade ganha um novo significado. Se a vida é essa colcha de retalhos, a gente não deve tentar apagar o que já foi, mas aprender a sincronizar tudo.
Evoluir não é descartar o antigo, é alinhar essas frequências para que a gente possa caminhar como uma unidade, consciente e inteira.
A saudade não é um fim; é o sistema, enfim, se reencontrando.
@marco.arawak
