Ame mas Nao Seja Trouxa
"Mulher fala muito, não porque seja tagarela, mas porque conversar é seu jeito de se conectar. Então ouça, mesmo que pareça não ter solução."
Mickelve Santana
"Seja o homem original que ela se apaixonou, não a versão modificada que você coloca diante dos amigos. Porque ela escolheu você, não uma cópia."
Mickelve Santana
O facto de alguém o considerar seu inimigo não implica que essa pessoa seja, de facto, sua inimiga, tal como o facto de o considerar seu inimigo não significa que sejam, de facto, inimigos.
“Talvez a inteligência artificial não seja inteligência; seja apenas informação em alta velocidade vestida de sabedoria.”
“A mente mente. E talvez o maior problema não seja acreditar nas mentiras dos outros, mas acreditar em todas as verdades que contamos para nós mesmos. Por isso consciência não basta. É preciso discernimento.”
O que resta quando começamos a pensar?
Talvez o maior desafio da vida não seja encontrar respostas, mas desenvolver coragem suficiente para questionar as respostas que aceitamos sem nunca termos feito as perguntas.
Vivemos cercados de informações, opiniões, certezas e verdades prontas. Sabemos cada vez mais sobre quase tudo e, paradoxalmente, talvez compreendamos cada vez menos sobre nós mesmos.
O senso comum comumente mente.
Repetimos pensamentos como se fossem nossos, seguimos caminhos porque muitos passaram por eles e chamamos de escolha aquilo que, inúmeras vezes, não passou de condicionamento.
Por isso digo: não pense como eu penso. Pense no seu próprio pensamento.
Pensar não é apenas produzir pensamentos. É questionar quem os produziu dentro de nós.
Afinal, a mente mente.
Ela transforma medo em prudência, insegurança em impossibilidade, experiência em sentença, opinião em verdade e passado em destino. E talvez uma das maiores prisões humanas seja acreditar em tudo aquilo que pensamos.
Por isso, consciência não basta.
A mente mente e o discernimento desmente.
Discernir é aprender a separar aquilo que somos daquilo que nos disseram que deveríamos ser. É confrontar certezas, desconstruir condicionamentos e compreender que, algumas vezes, crescer significa desaprender.
Passamos grande parte da existência procurando fora aquilo que somente poderá ser encontrado dentro.
Reconhecimento, dinheiro, poder, títulos, relacionamentos e conquistas podem acrescentar muito à vida, mas nada externo preenche o vazio interno.
Existem prisões sem grades, guerras sem armas e infernos sem fogo.
O inferno é interno.
Talvez por isso passemos tanto tempo fugindo de pessoas, lugares e circunstâncias quando, na verdade, estamos tentando fugir de nós mesmos.
Mas não existe distância suficiente para nos afastar de quem somos.
Ninguém poderá te defender de você mesmo.
Chega um momento em que é preciso parar de contornar aquilo que precisa ser atravessado. Porque fugir pode mudar nossa localização, mas somente enfrentar pode mudar nossa condição.
Somente seguimos em frente quando enfrentamos de frente.
E enfrentar também significa escolher.
Não escolher já é uma escolha. Adiar também produz consequências. Permanecer parado também nos leva para algum lugar.
A indecisão também é uma decisão.
Enquanto decidimos se começamos a viver, o tempo continua acontecendo.
E tempo não é apenas dinheiro.
Tempo é vida. O tempo não tem preço, tem fim.
Talvez amadurecer seja compreender que viver não significa encontrar todas as respostas, vencer todas as batalhas ou eliminar todas as dúvidas. Significa assumir a responsabilidade pela consciência que construímos, pelas escolhas que fazemos e pela pessoa que nos tornamos.
A vida não exige que sejamos espectadores perfeitos.
Exige que sejamos autores conscientes.
Porque, no final, talvez a maior viagem humana nunca tenha sido para algum lugar distante.
A saída é para dentro.
Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026
A vida não acontece depois
Talvez uma das maiores ilusões humanas seja acreditar que a vida começará quando alguma coisa finalmente acontecer.
Quando tivermos mais dinheiro.
Quando encontrarmos alguém.
Quando formos reconhecidos.
Quando os problemas terminarem.
Quando estivermos preparados.
E assim transformamos o presente em uma sala de espera para um futuro que nunca chega exatamente como imaginamos.
Esperamos o momento certo sem perceber que o tempo não espera nossa certeza.
A vida acontece enquanto planejamos vivê-la.
Talvez o problema não seja desconhecermos o caminho, mas permanecermos parados esperando garantias que nenhum caminho poderá oferecer.
Toda escolha carrega uma renúncia.
Escolher uma direção significa abandonar, ainda que temporariamente, inúmeras outras possibilidades. E é justamente por não querermos perder nenhuma possibilidade que, algumas vezes, perdemos a oportunidade.
Queremos certeza antes da experiência, quando muitas certezas somente poderão nascer depois dela.
Coragem não é ausência de medo.
É compreender que o medo pode participar da viagem sem necessariamente assumir a direção.
Há pessoas esperando deixar de sentir medo para começar. Talvez descubram tarde demais que nunca precisaram eliminá-lo; precisavam apenas impedir que ele decidisse por elas.
Porque aquilo que evitamos também participa da construção daquilo que nos tornamos.
Somos feitos pelas decisões que tomamos, mas também pelas conversas que adiamos, pelos limites que não estabelecemos, pelas oportunidades que recusamos e pelas palavras que nunca tivemos coragem de dizer.
Não existe neutralidade diante da própria existência.
Até permanecer no mesmo lugar produz consequências.
Por isso, protagonizar a própria história não significa controlar tudo aquilo que acontece.
Isso seria impossível.
Protagonizar significa não entregar aos acontecimentos o direito de determinar completamente quem nos tornaremos.
Nem sempre escolhemos o capítulo.
Mas continuamos participando da escrita.
Talvez liberdade seja justamente compreender essa diferença.
Não somos absolutamente livres diante das circunstâncias, mas podemos ampliar nossa liberdade diante das respostas que construímos para elas.
A pergunta, então, deixa de ser apenas:
“Por que isso aconteceu comigo?”
E passa a ser:
“O que farei a partir daquilo que aconteceu?”
Essa pequena mudança de pergunta pode representar uma enorme mudança de posição diante da vida.
De vítima permanente das circunstâncias para participante consciente da própria construção.
De espectador para autor.
De coadjuvante para protagonista.
E ser protagonista não significa ocupar o centro do mundo.
Significa ocupar o lugar que jamais deveria ter sido abandonado:
o centro da responsabilidade pela própria existência.
Talvez não precisemos descobrir exatamente quem seremos amanhã.
Precisamos apenas ter coragem suficiente para não abandonar quem podemos começar a construir hoje.
Porque a vida não começa depois.
Enquanto esperamos para viver, já estamos vivendo.
Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026
“A maior ignorância talvez não seja desconhecer alguma coisa, mas desconhecer aquilo que nos faz acreditar que sabemos.”
“Talvez a nova forma de dependência não seja precisar possuir alguma coisa, mas já não conseguir decidir para onde dirigir a própria atenção.”
“Talvez nossa verdadeira idade não seja apenas o tempo que vivemos, mas a consciência que conseguimos construir com o tempo vivido.”
“Talvez o maior risco da inteligência artificial não seja uma máquina pensar por nós. É nós pararmos de perceber quando deixamos de pensar.”
A GUERRA É PURAMENTE MENTAL
Talvez a guerra mais perigosa do nosso tempo não seja travada entre pessoas, mas dentro delas.
É puraMENTE mental.
Não começa quando alguém nos obriga a acreditar. Começa quando deixamos de perguntar por que acreditamos.
A repetição familiariza.
A familiaridade acomoda.
A acomodação normaliza.
E aquilo que ontem parecia absurdo pode, amanhã, parecer apenas comum.
É assim que podemos aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, acreditar no inacreditável, justificar o injustificável e, por fim, defender o indefensável.
Nem toda manipulação precisa impedir alguém de pensar. Às vezes, basta influenciar silenciosamente os critérios pelos quais essa pessoa decide o que merece ser pensado.
Eis o perigo:
Quando perdemos o discernimento, podemos continuar pensando — sem perceber que já não examinamos aquilo que pensamos.
O senso comum comumente mente.
A verdade não se torna verdadeira porque muitos a repetem. O absurdo não deixa de ser absurdo porque nos acostumamos com ele. E aquilo que se torna normal não se torna, por isso, necessariamente aceitável.
Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes do nosso tempo não seja:
“Em que você acredita?”
Mas:
“Quem ensinou você a decidir no que merece acreditar?”
Pensar é necessário.
Duvidar do próprio pensamento é discernimento.
Porque quem não examina aquilo que entra em sua mente corre o risco de passar a vida defendendo ideias que nunca decidiu, verdadeiramente, escolher.
A mente informa. O discernimento decide.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Escritor, Educador, Pesquisador
“Pensar os Fatos ou Proteger Ideias?”.
Talvez discernir não seja apenas pensar, mas notar quando paramos de pensar.
O fato acontece, a mente interpreta e a crença seleciona.
Quando a interpretação vira dono / dona do lugar, o fato vira acessório.
Por isso a pergunta não é só “isso é fato ou ideia?”, mas “estou disposto a deixar um fato contrariar o que eu já penso?”.
Porque quando os fatos precisam se curvar às ideias, já não estamos pensando a realidade. Estamos tentando fazê-la pensar como nós.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Escritor, Educador e Pesquisador.
A justiça internacional não elimina a soberania; procura impedir que ela seja convertida em licença para a arbitrariedade.
