Amar dói
Já amei alguém
e por já ter amado
me privo de algo além.
Me privo
porque amar dói,
porque no infinito do momento
em que se ama
também se sabe
que algum dia
esse sentimento
te destrói.
Posso parecer dramático,
é característica evidente de um poeta,
mas antes exagerar no sentimento
do que ser complacente
com a inadequação completa.
Lembro
que medo é falta de fé,
e isso é um tanto quanto verdade,
já que no passado
tinha medo presente
e no futuro
me vi perdido
na mocidade.
Gostaria de ser mais ingênuo
como um dia já fui,
ah, que falta me faz
acreditar nas pessoas.
Mas pequei tanto contra elas
que lembro
que eu mesmo
me tornei o monstro
que emergiu da lagoa.
Tal qual um dia
meu passado
tente conversar
com meu futuro,
e espero tê-lo remediado,
pois a dor
de ter perdido meu amor
caminha
todo dia
ao meu lado.
Raphael Bragagnolle
O amor dói:
Deuses qual é o preço a pagar para não sentir o amor, pôs amar dói e já não quero mais sentir o amor.
Deuses de baixo por favor falam para mim, qual é o preço a pagar para não sentir, pôs eu quero pagar para nunca mais sentir, e do amor se livrar.
Estou amaldiçoado no amor pelos deuses de baixo, pôs zombam de mim em me fazer sentir, deuses qual é o valor a pagar para nunca mais voltar a sentir.
Deuses de baixo estou desesperado a pagar para a maldição quebrar, e do amor se livrar.
Deuses por que não aceitam o valor que estou disposto a pagar, para mim se livrar da maldição de amar, pôs eu não quero nunca mais amar.
Os desuses de baixo não querem receber nenhum valor, pôs eles já ganhão com o meu sofrimento de amor.
Estou amaldiçoado pelos deuses de baixo e não há o que fazer apenas resta sofrer.
Amar dói, sim. Dói porque amar é se permitir ficar vulnerável diante de alguém, é baixar as defesas, abrir o peito e deixar que o outro conheça lugares dentro de nós que quase ninguém alcança. Machuca quando os sentimentos não caminham no mesmo ritmo, quando um sente mais depressa, quando o outro não consegue compreender a intensidade daquilo que carregamos, quando faltam palavras, quando sobra distância ou quando a saudade deixa de ser apenas ausência e passa a pesar fisicamente no peito, como se também tivesse corpo, presença e voz. O amor assusta porque nos tira a ilusão de controle, desmonta certezas, expõe medos, inseguranças, expectativas e todas aquelas pequenas rachaduras que passamos tanto tempo tentando esconder do mundo. Amar alguém de verdade é aceitar que essa pessoa terá acesso às nossas partes mais sensíveis e, justamente por isso, também terá, mesmo sem querer, a capacidade de nos ferir. E talvez seja esse o preço inevitável de sentir algo tão profundo. Mas, apesar de todo o risco, dos tropeços, dos desencontros e das dores que aparecem pelo caminho, amar ainda é uma das coisas mais bonitas que podem nos acontecer. Porque, junto com o medo, existe o acolhimento; junto com a saudade, existe a alegria do reencontro; junto com a vulnerabilidade, existe a liberdade de poder ser quem somos sem precisar esconder cada imperfeição. Existe o riso frouxo que nasce sem esforço, o abraço que parece colocar o mundo em silêncio por alguns instantes, os pequenos gestos de cuidado, os olhares que dizem mais do que qualquer palavra e aquela sensação rara e insubstituível de encontrar em alguém um lugar seguro para descansar o coração. Talvez amar seja justamente isso: aceitar que algo tão bonito também pode machucar, compreender que não existe entrega verdadeira sem algum risco e que não existe vínculo profundo sem vulnerabilidade. No fim das contas, a gente se machuca um pouco, aprende, cicatriza, se reconstrói e, mesmo sabendo que amar nunca vem acompanhado de garantias, continua querendo sentir tudo outra vez. Porque, por mais assustador que seja entregar o coração e correr o risco de vê-lo ferido, viver tentando protegê-lo de qualquer sentimento seria um estrago ainda maior. Talvez seja por isso que continuamos escolhendo o amor: porque algumas dores passam, algumas cicatrizes permanecem, mas aquilo que sentimos quando encontramos alguém que nos faz sentir acolhidos, compreendidos e inteiros é grande demais para ser trocado pela segurança de nunca sentir nada.
Amar dói sim, do contrário, não curaria a dor. Amar pode fazer chorar, ou então não faria sorrir. As vezes amar é apenas amar. É estar lá por alguém, mesmo que ela ainda não possa estar aí por você.
- Marcela Lobato
Te amar dói
Eu te amo de um jeito que não sei explicar, como o mar ama a lua, sem poder tocar, como a noite abraça a luz do luar, como quem nasceu para ficar, mas precisa se afastar.
O meu coração te procura em silêncio, mesmo quando estar contigo me causa tormento. É que teu abraço é meu lugar preferido, mas é nele que sinto o amor mais doído.
Porque te amar é a parte mais bonita, mas estar perto de ti é uma dor infinita. É sorrir com os olhos, enquanto a alma chora, é querer que o tempo pare e desejar ir embora.
É ter você tão perto, podendo te sentir, e, ainda assim, sentir que estou prestes a te perder. É querer morar nos teus braços para sempre, mas saber que esse amor pode me destruir lentamente.
E eu não sei como se esquece alguém que o coração escolheu amar tão bem. Não sei como fugir de quem me faz querer ficar, nem como ficar perto sem, aos poucos, me quebrar.
Eu te amo. E talvez esse seja o meu castigo: querer você perto, mesmo sofrendo contigo. Porque a distância me mata, mas a proximidade também… E, no fim, dói te amar tanto sem saber se esse amor me faz bem.
Cansei dos sentimentos superficiais que não te fazem arriscar. Amar dói, sim. Viver machuca também. Mas o esforço é recompensado. E quando não for devemos juntar os cacos, afinal, é inevitável que alguns corações se despedacem de vez em quando.
