Amanhã
A beleza do amanhã mora nas tarefas invisíveis de hoje. Enquanto espero milagre, faço as coisas pequenas com exatidão. Lavo pratos, escrevo bilhetes, rego vasos sem testemunhas. Pequenos atos acumulam-se e, sem barulho, erguem futuro. E o amanhã, quando chega, parece menos miragem e mais casa.
Sinto falta de uma infância que talvez nem tenha existido, um tempo de barro e sol onde o amanhã era apenas uma hipótese irrelevante. Hoje, o futuro é um monstro que se alimenta das minhas horas de sono, sussurrando que o tempo é uma ampulheta cheia de vidro moído.
A Vertigem da História e o Sussurro do Amanhã
Vivemos sob o despotismo do Agora, mas ele é um tirano feito de instabilidade. A História, que antes avançava a passos largos de eras e impérios, hoje corre em um galope tecnológico, medido em ciclos de software e manchetes. Esta é a velocidade da História: não uma linha, mas uma espiral que se comprime, obrigando-nos a processar o século em uma década, o ano em um mês. O passado não se afasta; ele se torna obsoleto com uma rapidez vertiginosa.
É dessa aceleração que nasce o espanto do tempo.
O espanto não é apenas a surpresa, mas a vertigem existencial de quem se sente estrangeiro na própria contemporaneidade. O que era firme e fundamental ontem — a estrutura de um mercado, o modo de uma comunicação, a certeza de uma fronteira — desmorona sem aviso. O espanto é o choque entre a brevidade da vida humana individual e a violência da transformação coletiva. Sentimos o futuro nos ultrapassando antes mesmo que tenhamos compreendido o presente. É a sensação de que o chão da realidade é feito de areia movediça.
Mas a História, apesar de sua pressa, não é totalmente cega. Ela deixa sinais pelo caminho.
O futuro não chega com trombetas, mas como um ruído discreto nas margens do presente. Os sinais estão nas tecnologias marginais, nas ideias políticas consideradas radicais, nas fraturas sociais que ainda parecem pequenas demais para importar. São os precursores, as tendências incipientes que, ignoradas hoje, serão a regra amanhã.
O futuro não é algo que virá, mas algo que já está aqui, encapsulado como potencialidade dentro das fissuras do nosso Agora. Ele se manifesta como o paradoxo: quanto mais acelerado o tempo, mais urgente se torna a nossa capacidade de pausar e escutar os sussurros do amanhã no meio do turbilhão.
A sabedoria, portanto, não está em tentar parar o galope, mas em desenvolver a lucidez para identificar esses sinais quietos. É aceitar o espanto do tempo, reconhecer o trânsito veloz, e ainda assim, encontrar a âncora no presente para ler os avisos que o futuro, por pura necessidade lógica, é obrigado a deixar para trás.
AS PÁGINAS DO AMANHÃ
Se o amanhã continuar escrevendo com a tinta de hoje, as páginas do futuro carregarão as mesmas manchas que recusamos apagar.
Os céus estarão mais próximos, mas os corações mais distantes.
As máquinas aprenderão a conversar com os homens, enquanto os homens desaprenderão a conversar entre si.
Haverá cidades de vidro, pontes de luz, estradas cruzando oceanos e naves tocando outros mundos.
Mas ainda existirão muros invisíveis separando irmãos pela cor, pela fé, pela riqueza e pela origem.
As bibliotecas caberão na palma da mão, e o conhecimento correrá mais veloz que os rios.
Entretanto, a sabedoria continuará rara, como água em terra seca.
O homem enxergará o nascimento das estrelas distantes, mas permanecerá cego ao sofrimento da casa ao lado.
As florestas pedirão socorro num idioma que todos entenderão, e ainda assim muitos fingirão não ouvir.
Os mares devolverão aquilo que receberam. O vento cobrará suas dívidas. A terra lembrará aos homens que nenhum império é maior que a natureza.
As multidões estarão conectadas por fios invisíveis, mas a solidão caminhará entre elas como uma rainha.
Os números crescerão. Os lucros crescerão. As torres crescerão.
E, por vezes, o próprio homem diminuirá.
Mas as páginas do amanhã não estão completamente escritas.
Entre as linhas da ganância, ainda existe espaço para a compaixão.
Entre as palavras do medo, ainda cabe a coragem.
Entre os capítulos da destruição, ainda pode nascer uma nova história.
Porque o futuro não é uma sentença.
É um manuscrito aberto, segurado pelas mãos da geração presente.
E quando os filhos do amanhã abrirem suas páginas, lerão não apenas o que herdaram de nós,
mas aquilo que tivemos a coragem de mudar.
As páginas do amanhã ainda estão em branco nos cantos mais importantes.
E é justamente ali que a humanidade escreve o seu destino.
Cadê o amanhã com o seu abraço?
Cadê o amanhã que me contaria seus sonhos ?
Cadê as rosas que me daria amanhã?
Amanhã que pelo brilho das estrelas
Nosso beijo antes de dormir.
Cadê o amanhã que prometeu meu café de manhã ?
Cadê o por do sol do amanhã?
Cadê o beijo no despertar do amanhã ?
Cadê seu corpo no meu de conchinha?
Cadê sua vida que não sinto no dia de hoje
Que você ontem prometeu
estar comigo amanhã?
Cadê seu olhar nos meus olhos
Que agora não consigo mais enxergar?
A solidão paira sobre mim nas lágrimas da saudade
Que hoje derramo pelo amanhã que nao existiu...
Você partiu no vento da eternidade
Deixando em mim para sempre
O vazio do amanhã que não veio
E todo dia a cada instante
Lembro cada momento
Vivido em tantos amanhãs
E mesmo entre lágrimas derramadas
Elevo a Deus minhas preces
Pelo amor que pude contemplar
Pelo tempo que me foi concedido
Mesmo que tenha partido
Sem o despertar de um novo amanhã !
JOÃO BATISTA BARBOSA
O amanhã ainda guarda coisas que podem nos fazer felizes, só não sabe que, para encontrá-las, precisaremos deixar para trás quem somos hoje.
O ontem é uma exclamação, o hoje, uma afirmação, o amanhã, uma interrogação e o depois, reticências.
O não que dói hoje é melhor que o sim que vai te iludir amanhã. Honestidade, mesmo dura, vale mais que doçura fingida.
Tatyane Nicklas
Se o amanhã começar sem mim - David Romano
Se amanhã começa sem mim, e eu não estou lá para ver,
Se o sol nascer e encontrar todos os seus olhos cheios de lágrimas por mim;
Eu queria tanto que você não chorasse do jeito que você fez hoje,
enquanto pensamos nas muitas coisas que não conseguimos dizer.
Eu sei o quanto você se importa comigo e o quanto eu me importo com você,
e cada vez que você pensa em mim, sei que também sentirá minha falta;
Mas quando o amanhã começar sem mim, tente entender,
que um anjo veio e chamou meu nome e me pegou pela mão,
e disse que meu lugar estava pronto no céu bem acima,
e que eu teria que deixar para trás todos aqueles que eu amo.
Mas quando me virei para ir embora, uma lágrima caiu dos meus olhos,
por toda a vida, eu sempre pensei que não queria morrer.
Eu tinha muito pelo que viver e muito a fazer.
parecia quase impossível que eu estivesse te deixando.
Pensei em todo o amor que compartilhamos e em toda a diversão que tivemos.
Se eu pudesse reviver ontem, pensei, só por um tempo,
Eu diria adeus e te abraçaria e talvez te visse sorrir.
Mas então eu percebi que isso nunca poderia ser,
pois o vazio e as memórias tomariam o meu lugar.
E quando pensei em coisas mundanas que sentiria falta, amanhã.
Pensei em você e, quando o fiz, meu coração ficou cheio de tristeza.
Mas quando entrei pelos portões do Céu, senti-me muito em casa.
Quando Deus olhou para mim e sorriu para mim, do Seu grande trono de ouro,
Ele disse: "Esta é a eternidade e tudo que eu prometi a você,
Hoje sua vida na Terra já passou, mas aqui começa de novo.
Prometo que não amanhã, mas hoje sempre durará.
e como cada dia é o mesmo, não há desejo do passado.
Mas você tem sido tão fiel, tão confiante, tão verdadeiro.
Embora tenha havido momentos em que você fez algumas coisas que sabia que não deveria fazer.
E você foi perdoado e agora finalmente está livre.
Então você não vem e pega minha mão e compartilha minha vida comigo? "
Então, se o amanhã começar sem mim, não pense que estamos distantes,
para cada vez que você pensa em mim, saiba que estou em seu coração.
David Romano


✨💞"...vêm...vêm dançar a música da vida...a gente não sabe o dia de amanhã...aproveite o hoje...se entregue...dance."💞✨
Talvez amanhã,
ou depois de amanhã,
mais tarde,
qualquer dia,
daqui a dois ou três anos,
nós nos veremos de novo.
Nós amaremos novamente,
seremos dois loucos lutando contra o mundo, o tempo, a vida, a realidade seca e as palavras que fazem doer.
Talvez hoje eu chore, sinta saudades, sinta remorso e arrependimento por ter soltado sua mão, dito que não te amava, que não te esperava, por causa de míseras palavras bobas que saíram da sua boca.
Reconheço meu erro. Reconheço que éramos dois, éramos um, e agora só restou uma história linda que acabou no começo — no começo de um “oi”,
de um “tô do seu lado”, que pulou para um “eu te amo” e acabou em um “enfim”.
E acabou em uma madrugada de quarta-feira, sem muita cerimônia, sem muitas palavras. Só um toque soberbo, uma palavra e um adeus.
Adeus...
