AS PÁGINAS DO AMANHÃ Se o amanhã... Jose Vidal de Negreiros Neto...
AS PÁGINAS DO AMANHÃ
Se o amanhã continuar escrevendo com a tinta de hoje, as páginas do futuro carregarão as mesmas manchas que recusamos apagar.
Os céus estarão mais próximos, mas os corações mais distantes.
As máquinas aprenderão a conversar com os homens, enquanto os homens desaprenderão a conversar entre si.
Haverá cidades de vidro, pontes de luz, estradas cruzando oceanos e naves tocando outros mundos.
Mas ainda existirão muros invisíveis separando irmãos pela cor, pela fé, pela riqueza e pela origem.
As bibliotecas caberão na palma da mão, e o conhecimento correrá mais veloz que os rios.
Entretanto, a sabedoria continuará rara, como água em terra seca.
O homem enxergará o nascimento das estrelas distantes, mas permanecerá cego ao sofrimento da casa ao lado.
As florestas pedirão socorro num idioma que todos entenderão, e ainda assim muitos fingirão não ouvir.
Os mares devolverão aquilo que receberam. O vento cobrará suas dívidas. A terra lembrará aos homens que nenhum império é maior que a natureza.
As multidões estarão conectadas por fios invisíveis, mas a solidão caminhará entre elas como uma rainha.
Os números crescerão. Os lucros crescerão. As torres crescerão.
E, por vezes, o próprio homem diminuirá.
Mas as páginas do amanhã não estão completamente escritas.
Entre as linhas da ganância, ainda existe espaço para a compaixão.
Entre as palavras do medo, ainda cabe a coragem.
Entre os capítulos da destruição, ainda pode nascer uma nova história.
Porque o futuro não é uma sentença.
É um manuscrito aberto, segurado pelas mãos da geração presente.
E quando os filhos do amanhã abrirem suas páginas, lerão não apenas o que herdaram de nós,
mas aquilo que tivemos a coragem de mudar.
As páginas do amanhã ainda estão em branco nos cantos mais importantes.
E é justamente ali que a humanidade escreve o seu destino.
