Amanhã
A beleza do amanhã mora nas tarefas invisíveis de hoje. Enquanto espero milagre, faço as coisas pequenas com exatidão. Lavo pratos, escrevo bilhetes, rego vasos sem testemunhas. Pequenos atos acumulam-se e, sem barulho, erguem futuro. E o amanhã, quando chega, parece menos miragem e mais casa.
Sinto falta de uma infância que talvez nem tenha existido, um tempo de barro e sol onde o amanhã era apenas uma hipótese irrelevante. Hoje, o futuro é um monstro que se alimenta das minhas horas de sono, sussurrando que o tempo é uma ampulheta cheia de vidro moído.
Quando o ontem fica aberto como ferida mal costurada,
o amanhã vira palco de ensaio —
não porque superamos,
mas porque ainda tentamos entender onde sangrou.
Entre o chão e o céu,
Entre o ontem e o amanhã,
Que mesmo nas pequenas quedas,
Há sempre um motivo para rir,
E para tocar o infinito nos olhos do outro.
Estevão & Esther
— nomes que ainda moram no amanhã, mas já respiram no meu peito como promessa viva.
Antes mesmo dos seus passos ecoarem pela casa,
meu amor por vocês
já aprende a existir.
Se um dia o mundo pesar,
segurem na minha voz,
ela vai lembrar que vocês
nasceram de um sonho bonito.
Não de perfeição,
mas de verdade, de entrega,
de um amor que decidiu ficar mesmo sem garantias.
Quero ser abrigo quando
a chuva vier sem aviso,
e também vento leve quando precisarem voar.
Ensinar sem prender,
cuidar sem sufocar,
amar de um jeito que nunca falte, mesmo em silêncio.
E quando crescerem e seguirem seus próprios caminhos,
levem com vocês a certeza que sempre terão um lar.
Porque antes de serem meus filhos…
vocês já eram meu motivo de acreditar.
