Amamos o Desejo Nao o ser Desejado

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Caridade é perdoar, não transigir.

Ignorância e pobreza vêm de graça, não custam trabalho nem despesa.

O nosso amor-próprio é tão exagerado nas suas pretensões, que não admira se quase sempre se acha frustrado nas suas esperanças.

Quando alguém faz algo de muito bem grado, quase sempre existe alguma coisa naquilo que faz que não é a coisa em si.

Se um espírito contemplativo se deita à água, não tentará nadar, procurará, primeiro, compreender a água. E afogar-se-á.

Quando estamos decididos a ver as nações como queremos, não precisamos de sair de casa.

Não há nada mais inútil do que uma máxima geral.

Desesperamo-nos dos outros para não esperarmos demasiado de nós mesmos.

Para quem não tem juízo os maiores bens da vida convertem-se em gravíssimos males.

É então um mundo de fórmulas a que eu obedeço e tu obedeces? Sem ele não poderíamos existir. Se víssemos o que está por trás não podíamos existir. O nosso mundo não é real: vivemos num mundo como eu o compreendo e o explico. Não temos outro. É a voz dos mortos insistente que teima e se nos impõe. Mais fundo: não existem senão sons repercutidos. Decerto não passamos de ecos.

Um homem é capaz de gastar um milhão de moedas para casar uma filha, mas não sabe gastar cem mil para instruí-la.

Deve-se dar a fortuna para não adquirir um inimigo; muito importa não o ter, e quem o tiver trate-o de maneira tal como se em breve tivesse de ser amigo dele.

É preciso que os pobres sejam tão pobres que não lhes reste senão se revoltarem.

O homem não é fraco; conhecimento é mais do que equivalente de força.

Quero desnudar a minha alma. Não quero uma alma vestida de ceroulas.

A fé é um condão. Mas o bom trabalho, no amor do ideal, dá a fé. Não há trabalho no sentido verdadeiro sem fé.

O ofício das letras é, ainda assim, o único em que se pode não ganhar nada sem se cair no ridículo.

A verdade és tu. O que mais que se segue já não interessa à conversa. Excepto para demonstrares essa verdade, em movimento de recuo.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, Bertrand, 1992

Para os que não conseguem governar a própria casa nem os povos, uma boa desculpa é dizer que estes são ingovernáveis.

Onde os homens se persuadem que os governos os devem fazer felizes, e não eles a si próprios, não há governo que os possa contentar nem agradar-lhes.