Alague seu Coracao de Esperancas Fernando Pessoa

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O remorso é a dor da alma.

A dor é sempre menos forte do que a lamentação.

A razão destrói nos homens as criações da sua própria imaginação.

A vida é demasiado curta para que desperdicemos uma parte preciosa a fingirmos.

Pela forma como trabalha se avalia o artista.

Morte, que mistérios encerras?... Ninguém o sabe... Todos o podem saber... Basta ir ao teu encontro, corajosa, resolutamente, que nenhum mistério existirá já!

O apetite do privilégio e o gosto da igualdade, eis as paixões dominantes e contraditórias dos franceses em todas as épocas.

É mais fácil cumprir certos deveres, que buscar razões para justificar-nos de o não ter feito.

O nosso orgulho eleva-nos para que nos precipitemos de mais alto.

A verdade é tão simples que não deleita: são os erros e ficções que pela sua variedade nos encantam.

Para não corar diante da sua vítima, o homem, que começou por feri-la, mata-a.

Os empregos que por intrigas e facções se alcançam, por facções e intrigas se perdem.

Os oradores dão-nos em comprimento aquilo que lhes falta em profundidade.

É tão fácil o prometer, e tão difícil o cumprir, que há bem poucas pessoas que cumpram as suas promessas.

As pessoas vaidosas não podem ser astutas; elas são incapazes de se calar.

Por que estás assim,
violeta? Que borboleta
morreu no jardim?

Não há pai nem mãe a quem os seus filhos pareçam feios; nos que o são do entendimento ocorre mais vezes esse engano.

Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelos abusos que a acompanham.

Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental