Alague seu Coracao de Esperancas Fernando Pessoa

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É mais fácil cumprir certos deveres, que buscar razões para justificar-nos de o não ter feito.

O nosso orgulho eleva-nos para que nos precipitemos de mais alto.

Pode ferir-se o amor-próprio; matá-lo, nunca.

Há tantos vícios com origem naquilo que não estimamos o suficiente em nós, como no que estimamos mais.

Tememos a velhice, à qual não temos a certeza de poder chegar.

A própria virtude precisa de limites.

A imperfeição é a causa necessária da variedade nos indivíduos da mesma espécie. O perfeito é sempre idêntico e não admite diferenças por excesso ou por defeito.

Evita julgar os outros pela aparência.

O segredo da ordem social reside na paciência dos outros.

Lamentamos sempre aquilo que damos aos maus.

Um empreendimento imagina-se e começa-se com facilidade; mas na maior parte das vezes sai-se dele com dificuldade.

Não há pai nem mãe a quem os seus filhos pareçam feios; nos que o são do entendimento ocorre mais vezes esse engano.

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Os defeitos de quem amamos, devemos vê-los com os mesmos olhos com que vemos os nossos.

Nos nossos revezes, queremos antes passar por infelizes, do que por imprudentes, ou inábeis.

O luxo, assim como o fogo, tanto brilha quanto consome.

Há duas coisas que não se perdoam entre os partidos políticos: a neutralidade e a apostasia.

As dívidas são bonitas nos moços de vinte e cinco anos; mais tarde, ninguém lhas perdoa.

Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental