Abrigo
O Primeiro Abrigo
No seu ventre, estive no meu primeiro abrigo,
Cheio de amor.
No seu colo, fui consolado inúmeras vezes,
E hoje, ainda encontro conforto nos nossos abraços.
Ter o mesmo riso frouxo
Foi, e continua sendo, imprescindível.
Sem dúvida, sou abençoado por tê-la como mãe;
Não conseguiria ter pedido a Deus uma melhor.
Errei e erro muito,
Mas busco ser um bom filho.
Pois tudo o que eu fizer será, de fato,
Apenas o mínimo.
A cidade não é neutra: ela legisla silenciosamente sobre quem merece abrigo e quem deve sobreviver à margem.
“Carrego em silêncio um peso que ninguém vê: a estranha culpa de ser abrigo no coração de quem me escolhe, como se eu devesse explicação por simplesmente ser alguém que marca, que fica, que é impossível de passar despercebida.”
Minha alma ergue muralhas invisíveis, mais forte que qualquer dor, abrigo que nenhuma sombra destrói.
Não busco abrigo, eu o crio, a casa nasceu das minhas mãos, e hoje habito onde antes só soprava o vento.
A fé é o abrigo que me sustenta quando o mundo vira tempestade. Quando a tempestade vem, a fé não nega o medo, sustenta os pés, acalma o peito e dá abrigo ao ser.
Quando o peito aperta até sufocar, Ele não só vira abrigo, mas sussurra a paz e sincroniza o ritmo da minha respiração.
A verdade última não é um castelo, é uma cabana de madeira. Não quer imponência, quer abrigo. Quem a busca com diploma encontra apenas pedra e pó. Quem a busca com fome encontra lenha e fogo. E ali, no calor simples, a alma aprende seu ofício.
Sou o adulto que tenta ser o abrigo para o menino que ainda chora em mim, esperando por uma justiça que o tempo não traz.
Ela sempre foi abrigo.
O tipo de pessoa que chega antes da dor do outro e fica depois que todo mundo vai embora. Sempre inteira para os outros… e em pedaços dentro de si.
Carregava um sorriso que não denunciava o peso que sustentava. Chorava escondido, porque aprendeu cedo que quem cuida não pode fraquejar. Até que um dia veio o diagnóstico — desses que silenciam o mundo por dentro. E, ainda assim, ela seguiu como se nada tivesse acontecido. Porque, para ela, a dor dos outros sempre falou mais alto que a própria.
Mas a vida, às vezes, não grita — ela revela.
E foi em um detalhe pequeno, um esquecimento qualquer, que tudo desmoronou. Aqueles por quem ela sempre se doou foram os mesmos que não souberam compreendê-la. E naquele instante, ela percebeu algo doloroso: quem sempre é forte, muitas vezes não tem permissão para falhar.
Naquela noite, ela chorou tudo o que nunca teve tempo de sentir.
Não só pela doença… mas por si mesma.
E então tomou uma decisão que mudou tudo: viver.
Não para os outros. Não para corresponder expectativas. Mas para, finalmente, se encontrar.
Saiu pelo mundo não como quem foge, mas como quem se busca.
E, em cada lugar, em cada silêncio, em cada amanhecer, foi aprendendo o que nunca tinha aprendido: a se acolher, a se escutar, a se escolher.
Ela entendeu que amor não é só aquilo que damos — é também aquilo que precisamos ter coragem de receber de nós mesmos.
E talvez a maior descoberta não tenha sido sobre o tempo que restava…
mas sobre a vida que, pela primeira vez, ela começou a viver de verdade. ✨
O deserto que tens
inteiro me oferecido
é nele que caminho,
e tenho buscado abrigo,
entre o zênite e o nadir,
No adágio do teu silêncio
apreciando a fantasia
que carrego e cultivo
quase como um dervixe,
entregando-me para que
a realidade não me devore.
Não permita que a alma dê abrigo ao sofrimento; há dores que chegam sorrateiras, se assentam sem pedir e tornam-se permanentes.
Quando o amor completa sua estada no coração, ele jamais encontrará abrigo tão seguro e aconchegante como outrora
A cigarra pode até fazer sucesso em meio ao relento, mas é a formiga que tem o verdadeiro abrigo para assistir de camarote quando vem a tormenta.
Ser Poeta é transformar a dor em arte. Em cada verso as palavras encontram abrigo e ganham asas para a imaginação. O Varal literário é um livro aberto ao vento.
E se sentirem minha falta
Se um dia falarem de mim,
diga que fui abrigo em silêncio,
que amei com medo, mas amei inteiro,
mesmo quando meu coração pedia cuidado.
Diga que caminhei devagar pelos afetos,
guardando palavras que só cabiam no olhar,
que sorri para não preocupar quem eu amava,
enquanto por dentro aprendia a não desmoronar.
Morei em sentimentos profundos demais,
entreguei o que eu tinha, mesmo incompleto,
fui casa para quem não sabia ficar,
e partida para quem não soube me escolher.
E se sentirem minha falta algum dia,
não me procurem no que fui de dor,
estarei viva em cada
palavras e amor sincero,
porque amar…
foi sempre o que me salvou.
