Abrigo
Um amor impossível.
Uma taça de fel.
Um amargo destino.
Um abrigo no céu.
Um desejo etéreo.
Uma dura sentença.
A ausência do mundo.
Uma vida em vão.
Um poeta.
Uma musa.
Divina ilusão.
Foram dados um ao outro
em tempos diferentes:
um viverá na morte,
o outro na inconsciência.
— Evan do Carmo
Nos sonhos repetitivos ela já fez seu abrigo,
Na noite perdida dos goles de vinho seco, ela chega fazendo companhia mesmo não estando fisicamente ali,
Doces lamúrias são ouvidas pelo vazio da madrugada que só responde com o seu silêncio,
Pensamentos vagabundos, chegam sem pedir licença, vêm aos berros e sem pena de dizer adeus,
Atingindo a frequência certa eu tenho a opção de desligar tudo e reiniciar.
Ela sempre foi abrigo.
O tipo de pessoa que chega antes da dor do outro e fica depois que todo mundo vai embora. Sempre inteira para os outros… e em pedaços dentro de si.
Carregava um sorriso que não denunciava o peso que sustentava. Chorava escondido, porque aprendeu cedo que quem cuida não pode fraquejar. Até que um dia veio o diagnóstico — desses que silenciam o mundo por dentro. E, ainda assim, ela seguiu como se nada tivesse acontecido. Porque, para ela, a dor dos outros sempre falou mais alto que a própria.
Mas a vida, às vezes, não grita — ela revela.
E foi em um detalhe pequeno, um esquecimento qualquer, que tudo desmoronou. Aqueles por quem ela sempre se doou foram os mesmos que não souberam compreendê-la. E naquele instante, ela percebeu algo doloroso: quem sempre é forte, muitas vezes não tem permissão para falhar.
Naquela noite, ela chorou tudo o que nunca teve tempo de sentir.
Não só pela doença… mas por si mesma.
E então tomou uma decisão que mudou tudo: viver.
Não para os outros. Não para corresponder expectativas. Mas para, finalmente, se encontrar.
Saiu pelo mundo não como quem foge, mas como quem se busca.
E, em cada lugar, em cada silêncio, em cada amanhecer, foi aprendendo o que nunca tinha aprendido: a se acolher, a se escutar, a se escolher.
Ela entendeu que amor não é só aquilo que damos — é também aquilo que precisamos ter coragem de receber de nós mesmos.
E talvez a maior descoberta não tenha sido sobre o tempo que restava…
mas sobre a vida que, pela primeira vez, ela começou a viver de verdade. ✨
Onde A Paz Procura Abrigo.
Amigos são aqueles
que encontram o nosso coração
mesmo quando as palavras
se perdem entre as lágrimas.
São aqueles
diante de quem chegamos chorando,
mas de quem nos despedimos sorrindo,
porque transformam o peso dos dias
em leveza para a alma.
Amigos são aqueles
que nem a distância consegue apagar.
O tempo pode mudar os caminhos,
a rotina pode afastar os encontros,
mas jamais será capaz de levar
as lembranças construídas
nem o carinho que permanece.
São pessoas
em quem a paz encontra abrigo,
onde o silêncio também é acolhimento
e a presença fala mais alto
do que qualquer palavra.
Amigo é aquele
que permite que você seja exatamente quem é,
sem máscaras,
sem medo,
sem julgamentos.
É quem segura a sua mão
quando o mundo parece pesado
e, sem perceber,
faz você acreditar outra vez
na beleza da vida.
Porque a verdadeira amizade
não se mede pela frequência dos encontros,
mas pela certeza
de que, aconteça o que acontecer,
sempre existirá um lugar
onde o seu coração será recebido
como se nunca tivesse partido.
Porque Amigos...
Amigos não são apenas pessoas
que caminham ao nosso lado.
São pedaços da nossa história
que o tempo escolheu eternizar.
São laços que não se desfazem com a distância,
nem se enfraquecem com o silêncio.
Porque a amizade verdadeira
não precisa ser lembrada todos os dias
para continuar existindo.
Ela apenas permanece.
E, quando a vida pesa,
é para esse abraço invisível
que a alma sempre encontra o caminho de volta.
Talvez seja esse
o maior significado da amizade:
ser o lar de alguém,
mesmo quando os caminhos
seguem em direções diferentes.
O Pecado de Escolher a Paz
Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.
Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.
Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?
Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.
Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.
Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.
Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.
Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.
E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.
Porque, no fim, aprendi a duras penas:
nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.
Não me deixe aqui no chão, enfrentando o frio da solidão; seja o meu abrigo e me aqueça com o calor do seu abraço, porque só o seu amor me faz sentir em casa.
Não há vitória no confronto com quem um dia foi seu abrigo; a única vitória real é a paz da distância.
O mundo capota tão rápido que o mesmo braço que hoje serve de abrigo e faz uma mulher se sentir a pessoa mais segura do universo, amanhã pode ser o mesmo que puxa o gatilho ou aperta o pescoço. A lição mais dolorosa e urgente que a vida nos esfrega na cara é que o monstro nunca avisa quando vai chegar; ele entra fantasiado de amor da sua vida, e a nossa maior fraqueza é sangrar por quem jurou que morreria por nós.
O deserto que tens
inteiro me oferecido
é nele que caminho,
e tenho buscado abrigo,
entre o zênite e o nadir,
No adágio do teu silêncio
apreciando a fantasia
que carrego e cultivo
quase como um dervixe,
entregando-me para que
a realidade não me devore.
Onde posso tocar com as mãos
cinquenta estrelas ou a Via Láctea
inteira sob o abrigo da Oak,
estarei de corpo e alma plena,
Há muito de mim em mais
de cinco centenas de raízes
com as glórias e cicatrizes.
Às vezes me vejo entre
o que é beat e o hippie.
Pareço não levar à sério,
não tenho e nem nunca
tive um bom relacionamento
com nenhum tipo de mistério.
Esperar a sua recíproca,
sem dizer uma só palavra,
tem sido inexplicável rotina
Perceber o teu sensorial
é razão festiva e percebida.
Porque eu sou Blues nascido
e batizado nas águas
do Delta do Rio Mississipi,
e não há nada que nos limite.
Amar você é ser presença quando o mundo silencia, aconchego quando a alma pede abrigo e leveza quando a vida pesa.
É encontrar em um abraço a paz que acalma, em um olhar a certeza de pertencer e, em cada instante ao seu lado, um motivo para sorrir.
Amar você é transformar o simples em especial e fazer do nosso amor o meu lugar favorito no mundo.
Tem amigo que passa pela vida. E tem aqueles que viram abrigo.
Você é desses: presença que fortalece, risada que alivia o peso do dia e lealdade que o tempo só confirma.
Que a vida te devolva, em dobro, todo o bem que você espalha.
"Aos pais que transformam força em abrigo, sabedoria em lição e tranquilidade em porto seguro: a energia do seu exemplo é a luz que guia e o amor que transforma o mundo dos seus filhos."
Raphael Denizart
"Habitar sob o abrigo do Altíssimo é viver na confiança de que, não importa o que o mundo enfrente, estamos nas mãos de um Deus que protege, sustenta e salva."
—By Coelhinha
