A Inteligencia Nao se Mede
A experiência normativa do processo: depois da tristeza, a alegria. Não a manifestação eufórica, irreal, mas a serena alegria, aquela que, antes de ser externada, nós construímos no silêncio do coração.
Ao viver em sociedade, não busque com ansiedade o êxito; não cometer erros já um mérito.
Ao tratar os outros com humanismo, não espere gratidão em troca; se eles não virarem seus inimigos, isso já é gratidão.
Não há feito que sobreviva à solidão da passagem do tempo. No longo prazo, todos os nossos acertos são pífios e não há maquiagem que dissimule o óbvio:nunca seremos nada. Buscar a realização pessoal baseada no outro é um dos indícios de que a esquizofrenia pode ser coletiva.
Estava calculando jogada no sofá: o quão danoso seria parar de fingir que comprei a estupidez da realização pessoal pela óptica de terceiros a fim de me dedicar a questões, que a mim, soam mais prementes? O que pode, inclusive, perpassar por me dedicar a questão nenhuma, se eu quiser.
Concluo que o covarde merece toda a desgraça que o acontece; inclusive a de desperdiçar a própria vida, como praxe, esporte e falta de criatividade.
Não preciso disto.
Tenho muitos mais, e bem melhores que este. Mas também não doo.
Vendo ou alugo.
E se não for possível, formato a ideia. Desenvolvo um novo e revolucionaríssimo serviço.
Aliás, você aí, já baixou meu aplicativo?
Madrugada de 30 de dezembro, 2022.
Não é a falta de coragem que impede o depressivo de galgar uma vida fora do abismo, mas a falta de tesões sólidas para se prestarem como ponto de apoio para a escalada.
Não resista. Mude.
Deixe o resto morrer. E, de si para si no recôndito da mente, na esquina do corredor, reze para que morram em paz e não chamem pelo teu nome nunca mais.
Você não é o conteúdo que passa pela mente. Isto é mero conforto de lidar com o previsível e nós sabemos: os covardes não sabem viver.
Finja o discurso até que pareça real. Mude enquanto as pessoas novas ainda não passem de mero script vazio.
Queime suas raízes e as esqueça
No fundo das águas pantanosas do teu passado que um dia haverá de despejar
Longe daqui
Longe de todos.
Fora dos recônditos da tua mente, dos cotovelos dos corredores, do murmurar da sua voz, do baratear solitário dos teus pés.
Longe de mim.
Teço tu, mas não me comprometo.
Irresistível na sua singularidade. Irrestível.
Sem que eu saboreie o suor da sua mente ou do teu corpo... e a vida passa.
E outros chegam e não me compram, desgraçadamente.
Enquanto isto te teço com zelo, mas mui discretamente.
Quando um dia te ver despir-se displicentemente (as pessoas se despem o tempo todo. É o que elas fazem. Seja no motel, buteco ou banco das decadentes Universidades) é capaz que não te reconheça.
Mas, por você, desço do meu pedestalzinho de pessimismo cômodo:
E se você for melhor que meus melhores tecidos?
Será meu eternamente.
Atuar não é um trabalho. É vocação. É a coisa mais importante que uma pessoa pode fazer com a vida dela.
(Trevor Slattery)
É uma coisa maravilhosa. Não pensar muito. Me serviu bem, a maior parte da vida.
(Trevor Slattery)
O verdadeiro você não é a sua condição. O verdadeiro você é a soma de tudo que você vivenciou. A perda, a alegria. A tristeza, o desgosto. Perder alguém que você ama tanto. Desejar tanto algo, que poderia explodir. Ferir alguém que ama. Ser machucado por quem você ama. Essa é a sua vida. É quem você é.
(Trevor Slattery)
O trabalho de um ator não é conseguir trabalhos. Seu trabalho é atuar. Sempre tem uma maneira de atuar.
(Trevor Slattery)
Já me acostumei com sua imagem em minha cabeça, que não me deixa dormir à noite. É pra compensar o dia que não passei com você.
Hoje concluo: não foi o amor que me fez sofrer, foi o que eu esperei dele. Acreditei muitas vezes que a felicidade viria apenas quando eu estivesse totalmente feliz. Pensei que seria amizade só quando fizessem as minhas vontades e aceitassem de mãos beijadas os meus defeitos. Jurei que seria amor quando os olhos se cruzassem e não mais quisessem se separar. E também jurei acreditar que o amor de novela existia. Até entender... que pra ser feliz, basta eu fazer algo pequeno, mas que seja escolha minha, para eu ter a oportunidade de me culpar ou glorificar. Que pra ser amizade, eu preciso de um 'amigo espelho' para me dizer o que tem de errado em mim, em minha aparência, em meu caráter, sem medo da verdade, e principalmente sem medo de discordar dele. Porque muitas vezes o outro também quer desabafar e tem lá suas crises existenciais, e é bem mais fácil jogar seus defeitos naqueles que temos afinidades ou que estão por perto. Até entender que conviver com amigos requer abrir e fechar de mãos, mas nunca soltá-las. E entender que vida de novela é fantasia, e que vida real é a minha, e é dela que eu sempre deverei cuidar. Antes que o amor acabe. Antes que o dia termine. Antes que faltem palavras. Antes que seja tarde demais...
Relacionamentos tornam-se jogos quando não nos entregamos por inteiro, por mera desconfiança da reciprocidade. Confiar na lealdade, na fidelidade e até na idade! Tornam-se jogos quando não acreditamos na probabilidade do outro nos amar mais do que nós mesmos. Que feio! É como se duvidássemos da capacidade do outro de amar. Como se só a gente soubesse amar. Muitas vezes, a vontade de ligar no dia seguinte é sufocada pelas experiências passadas. A vontade de procurar é mensurada pelas malditas vezes que não nos procuraram. A atenção oferecida é ligeiramente abandonada só porque ainda não deram sinal de vida pra gente. O que nos mostra que sempre quando achamos que aprendemos com algo, na verdade estamos reproduzindo a dor da dor. Isso não é aprender coração, é sofrer novamente. Só espero que um dia a gente possa voltar a ser gente.
Meus amigos sabem que são meus amigos, porque se eu não os digo a cada momento, eu demonstro, mesmo que sutilmente.
Que não percamos a fé nas pessoas, nos sentimentos, nas atitudes. Porque carecemos constantemente de brilhos nos olhos, produzidos pela esperança. Que possamos espalhar luz pelos caminhos, e que sejamos mestres em ensinar e aprender a renovar. E que o destino se encarregue de trazer ao nosso encontro nosso próprio interior, para que possamos distinguir os bons. Tem muita gente bacana no mundo... gente tesouro, eu diria, porque é cavando que a gente encontra.
De repente, bateu uma sensação de que hoje é um dia especial. Não por hoje ser hoje, nem por hoje ser mais um dia. Hoje é O Dia. O momento presente, aquele que não te oferece nada, mas que espera que você o oferte algo bom. Inúmeros sentimentos, todos espalhados sobre a mesa. Difícil decisão sobre qual desses presentes escolher e oferecer. Fiz um embrulho bonito, com laço verde mata, de cetim. Embalagem azul brilhante, feito céu. Dentro coloquei a fé, que ocupou quase todo o espaço. Ao redor, coube algumas sementes: sorrisos, amores, esperanças, verdades, gentilezas. E rezei baixinho, só pra Deus ouvir. Tudo feito, entreguei o presente ao meu Presente. E por incrível que pareça, tive a sensação de que uma criança no mundo sorriu.
Impossível não seria, se você soubesse me olhar nos olhos e enxergar amor transbordando em mim. De tão intenso, talvez eu não pudesse demostrar que adoraria te ter ao meu lado com aquele Para Sempre que aprendemos logo na infância. Tudo bem. De nada vai adiantar eu ficar fazendo careta pras outras pessoas que entram e saem da sua vida. Vou repetir: entram e saem. Já não acredito mais em paixão que anula, porque a partir de agora você me ensinou a amar. A me amar. E a dar um passo de cada vez, respeitando o tempo que me chama pra ser feliz sempre que sol aparece ou que uma nuvem paira no céu. Não estou abrindo mão desse amor bonito de saborear, gostoso de viver, e um pouco doído de sentir. Deixo a vida trazer os melhores presentes. E por saber que alguns presentes veem com defeito, te deixo voltar de onde veio, para que venha ser perfeito como jamais deixei de acreditar. Vá com Deus, ok? Não se esqueça que vou te esperar... só que agora pelo tempo que eu quiser.
Quem sabe esse tempo de espera não seja apenas um teste ou uma provação necessária para que eu perca meus medos infantis de ver um amor partir. Ou ficar. Aprender. Semear. Se amar. É nesse tempo sem alguém do lado que entendo que é preciso saber ser feliz sozinho. Porque quem não é feliz consigo mesmo, não é capaz de ser feliz ao lado de outra pessoa. Afinal, felicidade vem de dentro, não do outro.
Passei o dia inteiro sem lamentar sua ausência, e confesso que não vivia um dia tão longo desde os meus oito, dez anos. Olhava as horas fingindo que era apenas um ato rotineiro de alguém que tem tantos compromissos, tantos pensamentos, tantos sentimentos, que esqueci de me alimentar, sabe. Não, não foi culpa sua. Não, não quero pena. Foi só um dia um pouco sombrio, mas mantenha a tranquilidade, eu sei que o sol volta amanhã. Me acostumei tanto com a sua presença até criar uma convicção absurda de que você sempre andava comigo, mesmo distante, que eu havia me esquecido de como era saborear meus momentos sem um ponto exato de tentativa de um alcance, meio patético, admito, e que denominei amor. Está sendo bom essa distância, entende? Porque com ela aprendo a me virar, nem que seja pros lados, tentando encontrar vestígios seus. Você sabe, abandonar um livro, ou abrir mão de uma história, nunca foi meu forte. Mas a gente tem que reaprender a viver no mundo real, não era isso que você me dizia? Temos que aprender a 'fincar os pés no chão', mas acho que levei tão a sério que quis ser árvore, criar raiz, ter um lugar fixo ao seu lado. Nossa, como eu quis e sonhei com tudo o que vivemos, foi tudo tão intenso! Aí me desfaço, e me transformo numa árvore frágil e breve, tipo aquelas recém plantadas na porta da escola, e que os moleques não deixam criar vida, crescer, dar frutos. Mas estou bem, acredite. Você pode ter me ensinado a amar, mas também me ensinou a morrer, e eu só sei agradecer por isso. Porque morrer em vida, por dias, meses ou anos, requer sabedoria. Requer silêncio. Requer vontade. Requer elegância, charme, carisma, delicadezas. Escolhi uma morte discreta, confesso, mas de tão discreta que foi, escolhi a vida. Escolhi seguir em frente, voltar, viver outras histórias e deixar pra morrer outro dia. Você nunca mereceu meu fim, mas o meu melhor. Vivemos o melhor. Vai passar, talvez seremos amigos um dia e riremos de muita, muita coisa mesmo. Vou seguir meu caminho agora antes que o dia termine, meio torto, meio bobo, meio perneta. Ah, e aquele 'se cuida' tá de pé, viu? Tão de pé que agora faço algo que ninguém soube fazer: cuidar de mim... Assim como cuidei de você.
