Voz do Silêncio
"Não maltrate ninguém, pois o silêncio de quem sofre uma ofensa é ouvido em voz alta por Deus. Que sejamos instrumentos da ternura do Pai, levando cura onde houver dor."
"No silêncio onde a alma reside, a voz ergue-se como prece antiga; um sopro que atravessa o vazio e pesa no peito como lembrança de primaveras que não voltam."
O SILÊNCIO DO NOSSO ADEUS
Há despedidas que não se pronunciam. Elas não se fazem em voz alta, nem se escrevem com gestos dramáticos. Instalam-se na alma como um inverno interior, lento e definitivo.
O silêncio do nosso adeus não foi ausência de palavras. Foi excesso de consciência. Quando dois espíritos compreendem que o caminho já não é o mesmo, o ruído torna-se indigno. Falar seria profanar aquilo que já estava consumado no íntimo.
Há algo de antigo e solene em certas separações. Como nos ritos arcaicos em que o fogo se apaga sem espetáculo, apenas com a dignidade de quem cumpriu sua função. O amor, quando verdadeiro, não se degrada em escândalo. Ele recolhe-se.
O mais doloroso não é partir. É permanecer por instantes no limiar, sentindo que o que foi intenso agora se converte em memória. E a memória não abraça. Ela apenas ecoa.
Nosso adeus foi assim. Um entendimento tácito. Um acordo silencioso entre duas consciências que se respeitam. Não houve acusações, nem dramatizações, apenas a gravidade de quem reconhece o fim de um ciclo.
O silêncio, nesses casos, não é fraqueza. É maturidade. É a forma mais elevada de respeito. Porque quando se ama de modo honrado, até a despedida preserva a dignidade do que existiu.
E assim seguimos. Não como estranhos, mas como capítulos encerrados com sobriedade. Pois há histórias que não terminam em ruínas, terminam em silêncio. E esse silêncio, embora doa, é a prova de que um dia houve verdade.
Presença em Silêncio
Sua voz, sua riqueza, mesmo em dias ásperos.
No entanto, não ore assim; ore em silêncio. Ficarás estarrecido ao saber que permaneço em meu canto, a te observar. Não fiques triste pela distância aparente, pois até aquele que está longe não imagina o quão perto está dos meus sentidos.
Teu perfume, teus braços e abraços firmes e quentes lembram-me que o bem-amado será sempre amado.
Ainda lembro.
A voz de Deus.
Senhor, Passei a noite querendo ouvir sua voz, eapenas o silêncio me acompanhava.
No romper da aurora ouvi os pássaros, o novilho nascer, a jandaíra resplandecer seu mel,
o mandacaru florar anunciando a chuva.
No amanhecer, tua tempestade caiu no sertão, e eu não somente o ouvi, mas mostrasse o teu poder!
Perdoa Senhor esse tolo, só tua graça me basta
Intensidade
Na poesia
Meu silêncio grita
Minha voz emudece
Emoções explodem
Sentimentos se
desnudam
Me afago, respiro
Deleito-me
Renasço
Valeu por ouvir
quando minha voz era só silêncio,
quando minhas palavras se escondiam
no medo de não ser entendida.
Valeu por ficar
mesmo quando eu não sabia ficar em mim,
quando tudo em mim era confuso
e ainda assim você não foi.
Helaine machado
Quando o silêncio da derrota tentar sufocá-lo, levante a voz e declare o rugido vibrante das possibilidades.
É no silêncio profundo e reverente d’Ele que, ironicamente, meu espírito encontra a voz, recobra o fôlego e se pacifica.
Não há redenção sem um preço que se paga em silêncio. A voz pede espetáculo, mas a terra exige humildade. Quero pagar com gestos que ninguém registra. Com a moeda singela de cuidar de dias sem holofotes. E assim entendo que remissão é trabalho debaixo do pano.
O silêncio é o porta-voz da verdade que o verbo se recusa a nomear, a resposta não está no grito, mas na topografia fria dos vazios que o barulho
deixou para trás.
O silêncio da noite tem uma voz que só os insones conseguem traduzir, uma frequência de rádio que transmite apenas as notícias do que perdemos pelo caminho. É nessa hora que a escrita se torna o único radar capaz de localizar algum sentido no meio desse nevoeiro existencial.
