Vontade de te ver nem que Seja de longe
A felicidade jurídica talvez seja viver em uma sociedade na qual ninguém precise lutar diariamente pelo reconhecimento de sua dignidade.
A justiça talvez seja uma das respostas humanas mais sofisticadas ao absurdo de nascermos diferentes e ainda assim precisarmos viver juntos.
Talvez a justiça seja a arte impossível de equilibrar liberdade, igualdade, segurança, dignidade e responsabilidade sem permitir que nenhuma delas devore as demais.
A igualdade jurídica não significa que todos sejam iguais, mas que ninguém seja inferior perante a lei.
O maior triunfo do Iluminismo jurídico talvez seja este: nenhum poder deve estar acima da razão, da liberdade e da dignidade humana.
Talvez Deus seja uma pergunta que o universo deixou dentro do homem para que ele jamais deixasse de procurar.
Entre o silêncio do universo e a necessidade humana de encontrar um sentido, talvez a dúvida seja a forma mais honesta de liberdade.
Talvez Deus exista; talvez o universo seja apenas matéria, tempo e silêncio. Em ambos os casos, nossa certeza é pequena demais para julgar o absoluto.
O agnóstico deixa aberta a porta para Deus, mas não permite que a esperança seja apresentada como prova.
Talvez o universo seja uma pergunta sem autor, uma resposta sem destinatário e um mistério diante do qual toda linguagem parece provisória.
O homem criou deuses para explicar o céu; talvez sua maior tarefa agora seja aprender a contemplar o céu sem exigir que ele lhe responda.
Talvez nossa maior ignorância não seja desconhecer Deus, mas imaginar que já compreendemos suficientemente aquilo que chamamos de Deus.
A liberdade política exige que o cidadão não seja apenas destinatário da lei, mas também parte de sua legitimidade.
