Você Nasceu pra Mim

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Ainda penso em você…
no teu toque,
no teu cheiro que insiste
em não ir embora de mim.


E é estranho —
porque o tempo passou,
mas tem coisa aqui dentro
que nunca foi embora.


Tudo que eu queria agora
era um lugar só nosso…
onde ninguém pudesse
encontrar a gente,
nem o barulho do mundo,
nem o resto de tudo que
ficou pra trás.


Sem celular,
sem pressa,
sem despedida.


Só eu…
com o violão no colo,
procurando acordes
pra traduzir o que sinto.


E você…
com essa tua voz suave,
cantando baixo —
como se já soubesse
que a música sempre foi a gente.


E talvez ainda seja.


Porque no fundo…
algumas histórias não acabam —
elas só ficam esperando
o momento certo
de serem sentidas de novo.

Declaração


No silêncio do mundo,
teu nome ecoa em mim,
como se cada batida do meu peito soubesse o caminho até você.
Es a calma que encontra o caos que sou, e nos teus olhos eu aprendi o que é permanecer.


Não foi o acaso que escreveu
nossa história,
foi algo mais forte,
daqueles que o tempo não apaga.
Meu amor em ti encontrou mais que amor, encontrou abrigo,
um lugar onde a alma descansa e a vida se refaz.


Teu riso ilumina até meus dias mais escuros,
e tua presença transforma o simples em infinito.
Se o mundo desabar lá fora,
ainda assim existirá paz,
porque você é o meu lar em qualquer lugar.


E se me perguntarem o que é amar de verdade,
direi teu nome sem pensar duas vezes.
Pois entre tantas histórias que o mundo poderia escrever,
a mais bonita… foi a nossa.

Origem


Antes de qualquer caminho,
você já existia em mim,
como se o destino tivesse
escrito teu nome
no silêncio dos meus dias
mais vazios,
esperando o momento
certo de te revelar.


Te encontrei sem aviso,
sem roteiro, sem preparo,
e ainda assim tudo fez sentido
no instante em que teus olhos
me tocaram,
como se o mundo inteiro
tivesse girado só pra nos alinhar,
como se amar você fosse
a minha verdadeira origem.


E desde então, cada passo que
dou carrega um pouco de nós,
porque não importa onde
a vida me leve,
é em você que começo,
é em você que retorno,
como quem finalmente encontrou
de onde veio e onde quer ficar.

Lembra-te de mim


Lembra-te de mim
quando o silêncio te abraçar à noite,
quando o mundo desacelerar e só restar o som do teu coração.
Que em meio aos teus
pensamentos mais profundos,
eu seja aquela lembrança que
te aquece sem pedir permissão.


Lembra-te de mim
nos detalhes simples do dia,
no vento leve que toca o teu rosto distraído, no céu que muda de cor
ao cair da tarde, como se cada tom carregasse um pedaço do que já foi vivido.


Lembra-te de mim
não como quem prende,
mas como quem floresce
dentro do peito sem dor,
porque o amor que em mim
ficou guardado por ti
não pede retorno — só deseja continuar sendo amor.


E se um dia o tempo tentar apagar meus rastros, se a vida te levar por caminhos que eu não vou trilhar,
lembra-te de mim…
nem que seja por um instante,
como alguém que te amou o suficiente pra nunca deixar de amar.

Lembra-te de mim nos dias simples e calmos,
quando o vento disser coisas que não sei dizer,
porque em cada detalhe do mundo que te cerca
existe um pouco do que eu fui por você.


E se um dia o amor parecer distante ou frio,
fecha os olhos… me encontra onde sempre estive:
no lugar mais bonito que já chamei de lar —
dentro de você, onde eu ainda vivo.

Mãe,
Teu Amor Ficou em Mim!!!


Mãe…
antes mesmo de eu entender o mundo, você já lutava contra
ele por mim.


Enquanto eu dormia tranquilo,
você perdia o sono.
Enquanto eu sonhava com brinquedos, você fazia planos
pra eu não desistir da vida.


E ninguém viu…
ninguém viu suas lágrimas escondidas no banheiro,
seu cansaço atrás do sorriso,
seu coração apertado fingindo força
só pra eu acreditar que estava tudo bem.


Você me carregou nos braços
quando eu ainda nem sabia andar,
e continuou me carregando em oração mesmo depois que eu cresci.


Mãe…
tem abraço seu que parece casa,
tem conselho seu que ecoa anos depois, tem silêncio seu que diz mais que mil palavras.


Às vezes eu lembro
de quantas coisas você abriu mão…
roupas, sonhos, descanso, vontades… só pra não faltar amor dentro de casa.


E faltou dinheiro algumas vezes…
faltou força…
faltou ajuda…
mas nunca faltou você.


Você foi milagre nos dias difíceis.
Foi luz quando tudo escureceu.
Foi coragem quando eu tive medo.
Foi a voz dizendo:
“vai dar certo”
quando nem eu acreditava mais.


Se hoje eu consigo continuar,
é porque um dia você me ensinou
a não desistir.


E talvez eu nunca consiga devolver tudo…
porque amor de mãe não se paga.
Só se honra.
Só se guarda no peito.


Mas quero que saiba:
cada oração sua ficou viva em mim.
Cada abraço seu virou força dentro da minha alma.


E mesmo que o tempo passe…
mesmo que o mundo mude…
eu sempre vou carregar comigo
a maior prova de amor que Deus me deu:


você.


Feliz Dia das Mães. ❤️

Em Rostos Errados


Você ainda mora em lugares estranhos dentro de mim.
Porque toda vez que passo por alguém na rua, meu coração se adianta antes dos meus olhos.
Às vezes é o jeito de andar, outras vezes os cachos dançando no vento...
E por um segundo pequeno, cruel e bonito, eu penso que encontrei você de novo.


Talvez meu coração tenha decorado teus detalhes como quem aprende uma oração.
E agora meu pensamento procura teu reflexo em rostos desconhecidos, em sorrisos perdidos, em gestos distraídos.
Como se o mundo inteiro tivesse pedaços teus espalhados por aí,
e eu estivesse condenado a juntar lembranças sem perceber.


Não sei se isso é amor, saudade ou alguma fantasia criada pela falta que você deixou.
Só sei que meu peito insiste em desenhar teu nome em pessoas que nunca te conheceram.
E mesmo sabendo que não é você...
alguma parte de mim ainda deseja que seja.


Porque talvez eu tenha me apegado ao teu jeito, ao teu riso, à maneira que tua presença mudava meus dias.
Ou talvez eu tenha me perdido na versão que meu coração criou de você,
naquela imagem perfeita que a saudade insiste em manter viva,
mesmo quando a realidade já foi embora.


Mas se existe algo que aprendi, é que quem ama de verdade carrega marcas.
E as minhas aparecem assim: em rostos errados, em momentos aleatórios, em pessoas desconhecidas.
Porque quando alguém ocupa espaço demais dentro da alma...
o mundo inteiro começa, sem querer, a lembrar ela.

Se eu não tenho você,
falta alguma coisa em mim.
Como uma canção sem melodia,
como o céu tentando amanhecer sem luz.
Porque certas pessoas a gente não carrega nos braços… carrega na alma.

Sou grato por seu amor


Sou grato por seu amor,
porque chegou sem avisar e fez morada em mim.
Entre tantos caminhos, tantos encontros passageiros,
foi você quem transformou dias comuns
em memórias que o coração guarda em silêncio.


Sou grato por cada detalhe do seu jeito,
pelos sorrisos que nasceram sem motivo,
pelos olhares que disseram tanto sem palavras.
Você trouxe luz para lugares em mim
que nem eu mesmo sabia que estavam escuros.


Quando a vida pesou sobre meus ombros,
seu carinho foi abrigo e paz.
Seu amor me encontrou nas minhas imperfeições
e, sem pedir mudanças impossíveis,
me ensinou o valor de ser amado de verdade.


Existem pessoas que passam como o vento,
mas existem aquelas que permanecem na alma.
Você se tornou presença em meus pensamentos,
uma dessas raridades que o tempo não apaga
e que a saudade nunca aprende a esquecer.


Se hoje sorrio com mais esperança,
é porque você existe dentro dos meus dias.
E entre todas as palavras que eu poderia dizer,
há uma que sempre será eterna em meu coração:
sou grato por seu amor.

⁠Terei que matar uma pessoa dentro de mim, mas será em legítima defesa.

⁠hoje,oq mim espira,e minha família. E alguém q eu amo muito e deus,🙏

Um pouco de mim
Um tanto de você
Um montão de nós.

só postar quando fizer sentido pra mim

porque eu, porque não?

Antes, o mundo parecia uma fila organizada de causas e consequências. Havia um acordo silencioso entre as coisas: se você fosse bom o suficiente, gentil o suficiente, paciente o suficiente, o universo acabaria devolvendo tudo na mesma moeda.

Então alguém apagou as placas da estrada.

Foi estranho perceber que a tempestade nunca escolhia quem merecia. Ela apenas acontecia. Derrubava telhados de quem rezava e de quem amaldiçoava, afundava barcos de pescadores experientes e de crianças brincando na margem. O céu nunca pediu desculpas por chover.

Ele passou anos perguntando.

“Por que comigo?”

Como se existisse uma secretaria do destino pronta para responder e anexar um relatório detalhando os motivos de cada cicatriz.

Mas o silêncio sempre foi mais competente do que qualquer resposta.

Então começou a reparar em outra coisa.

As pessoas passavam a vida inteira negociando com o inevitável. Acendiam velas para convencer o escuro a não entrar. Faziam promessas para comprar alguns meses de paz. Inventavam versões de si mesmas esperando que a próxima fosse poupada.

Nunca eram.

Porque a vida não perseguia ninguém.

Ela simplesmente não sabia mirar.

E talvez essa fosse a parte mais difícil de aceitar: não havia um vilão escondido atrás das cortinas. Não existia uma inteligência cruel desenhando tragédias personalizadas. O universo era apenas um oceano. E o oceano nunca odiou quem se afogou.

A pergunta começou a mudar.

Não era mais “por que eu?”

Era…

“Por que eu seria diferente?”

Naquele instante, alguma coisa rachou dentro dele.

Não de um jeito triste.

De um jeito libertador.

Percebeu que carregava o ego vestido de vítima sem perceber. Achava que sua dor era uma exceção na história do mundo, quando na verdade era apenas mais uma língua da mesma fogueira onde todos aquecem as mãos e queimam os dedos.

As pessoas chamavam aquilo de azar.

Outras chamavam de destino.

Ele começou a chamar apenas de existência.

E, curiosamente, quando deixou de procurar culpados, a raiva perdeu o emprego.

Não porque as perdas doíam menos.

Mas porque finalmente entendeu que dor nenhuma carregava seu nome gravado.

Ela visitava.

Depois ia embora.

Assim como a felicidade.

Assim como o amor.

Assim como todas as versões dele que jurou serem definitivas.

No fim, percebeu que a vida nunca prometeu justiça. Prometeu movimento.

E talvez fosse exatamente isso que havia tanta beleza escondida no caos.

O vento nunca pergunta quem merece ser levado.

Ele apenas sopra.

E, pela primeira vez, em vez de gritar contra ele, o homem abriu os braços.

Não como quem venceu.

Mas como quem finalmente parou de perguntar por quê.

Gatsby se virou para mim num movimento rígido:
— Eu não posso dizer nada nessa casa, meu caro.
— Ela tem uma voz indiscreta — observei. — Cheia de… — Hesitei.
— A voz dela é cheia de dinheiro — disse ele, de repente.
Era isso. Eu nunca tinha entendido antes. Era cheia de dinheiro, tal
era o charme inesgotável daquelas oscilações, era isso que tilintava
naquela voz, era essa a canção tocada pelos címbalos daquele timbre…
No alto de um palácio branco, a filha do rei, a garota de ouro…

⁠Fale ou Cale-se

Senhor,
Afasta de mim o mais puro amor e
me tira o ardor que me causa dor.

Toma de mim esse cálice e se cale,
para não mais sofrer
Faz que ele não fale.

E eu estando a pensar não mais permita, e seu eu pensar, faz com que eu não sinta.

Suplico, Senhor meu, se esse amor já morreu, venha resgatar o meu eu.

Senhor
Afasta de mim o mais puro amor e me tira o ardor que me causa dor.

Toma de mim esse cálice e se cale,
Pra não mais sofrer
Faz que ele não fale.

Mais que sejas mantido sua vontade, o que há de ser, venha cedo ou tarde.

O sondar dum coração que ainda reclama, tu penetra a alma e descobre a chama.

Permita-me então os olhares frente a frente pois é na presença vê-se o que ainda sente.

Oh querida, tu que um dia alegras-te minha vida e os meus olhos por você ainda brilha

Venho agora suplicar em sua frente se ainda existe amor
"FALE AGORA OU CALE-SE PARA SEMPRE"

amor_in_versus
Autoral: Lei 9.610
Em: 20/09/2022

⁠Meu Deus, afasta de mim todo aquele que não quer a minha felicidade, que diz na minha frente gostar e me admirar, mas que pelas minhas costas trama contra mim.
Me protege, ó Deus! Me guia, ó Pai! Para que eu consiga separar quem é de verdade e quem é tão somente pó e ilusão.

Diz pra mim que é de verdade,
que o que eu sinto não é só meu.
Jura que também te queimou por dentro,
quando nossos olhos se encontraram.


Eu prometo te dar o melhor de mim,
se me disser que também perdeu o ar.
Cada segundo ao teu lado é tão pouco,
pra esse amor que não sabe esperar.


É tão claro, tão gritante,
a sorte apontou pra você…
e você, distraído, nem vê.


Por ser exato, o amor transborda.
Por ser encantado, ele se entrega.
E por ser amor, ele invade e fica —
até o último suspiro.


Então me diz…
onde você está agora,
além de dentro de mim?

Julgar é fácil
Agora vamos fazer assim
Você cuida da sua vida
E eu respondo por mim.

O DIA QUE VOLTEI PRA MIM.


Hoje pensei em você e sorri ao lembrar.


Lembrei dos momentos que vivemos, das histórias que o tempo não apaga e de tudo aquilo que, de alguma forma, fez parte de mim.


Mas hoje nossos caminhos já não são os mesmos. Nossos olhares já não se cruzam, nossas vidas seguiram direções diferentes.


E, pela primeira vez, isso não me machuca.


Porque hoje eu voltei para mim.


Voltei a viver, a me descobrir, a entender meus silêncios e, principalmente, a aprender a me amar.


Talvez algumas pessoas entrem em nossa vida para ficar. Outras, para nos ensinar.


Você foi parte da minha história.


Mas hoje, a minha história continua.


E dessa vez, eu escolho a mim.

O meu eu de 1975

Tenho vários “eus” dentro de mim.

Gosto de todos eles. Cada um viveu seu tempo, enfrentou suas dificuldades, teve seus sonhos, seus medos e suas escolhas.

Mas existe um que é especial.

Ele nasceu em 1975.

Foi assim.

Eu trabalhava como vendedor externo em uma empresa de materiais elétricos. Visitava empresas de grande porte na região de Guarulhos e, naquela manhã, estava na antessala do comprador da Philco, aguardando para ser atendido.

Havia outros vendedores esperando também.

Por curiosidade, comecei a mexer em um rádio que estava fixado em um painel de demonstração dos produtos Philco.

Não estava exatamente olhando para ele.

Estava tentando ligá-lo.

E não conseguia.

Foi quando um dos vendedores que estavam ali se aproximou, apertou alguma coisa e o rádio funcionou.

Ele olhou para mim e disse:

— Demorei para aprender. Outro dia fiquei um tempão tentando ligar. Fui mexendo nele até ele funcionar.

Rimos.

Como o comprador estava demorando para nos atender, começamos a conversar.

Foi uma conversa simples, dessas que normalmente começam e terminam ali mesmo.

Mas aquela conversa mudou a minha vida.

Ele trabalhava em uma empresa de Belo Horizonte, uma multinacional do setor energético, dividida em vários segmentos de produtos elétricos. Em um deles, estavam procurando uma pessoa para uma determinada função.

Ele perguntou se eu não gostaria de tentar.

Eu era jovem e solteiro, dois requisitos importantes para o trabalho, principalmente porque seria necessário viajar muito. Ele não poderia assumir a função porque era casado.

Fiquei interessado naquele “projeto”, mesmo sem saber exatamente do que se tratava.

Ele pediu que eu passasse no dia seguinte pela filial de São Paulo, onde me explicaria melhor.

Marcamos.

Foi então que descobri que aquela multinacional fabricava ferramentas especiais para trabalhos em redes elétricas de alta tensão.

Eram ferramentas fabricadas em fibra de vidro que permitiam ao eletricista trabalhar com a rede energizada, sem precisar desligar o sistema.

Para explicar melhor, ele fez uma comparação:

— É como se você estivesse tomando banho e precisasse trocar a resistência do chuveiro sem desligar a energia da casa.

Achei aquilo meio loucura.

Mas minha vontade era maior do que minhas dúvidas.

Talvez eu já fosse assim naquela época.

Tem pessoas que nascem como postes: ficam sempre no mesmo lugar.

Outras nascem como vento.

Eu nasci vento.

Não paro. Nunca.

Na semana seguinte, eu estava em Belo Horizonte para uma reunião com o presidente e o vice-presidente da empresa.

A entrevista foi objetiva.

Fiz o psicotécnico, acertamos a parte financeira e, quinze dias depois, lá estava eu mudando para Belo Horizonte.

Comecei estudando o material técnico.

Pela manhã, lia e estudava.

À tarde, tinha contato direto com as ferramentas.

Eram inúmeras.

A técnica de trabalho em linha viva, ou linha energizada, ainda estava começando no Brasil. Nos Estados Unidos e no Canadá também era uma tecnologia relativamente recente.

A empresa possuía um campo de treinamento onde os trabalhos eram simulados.

Ali eu treinava todos os dias.

Montava as ferramentas.

Desmontava.

Subia nos postes.

Descia.

Montava novamente.

E começava tudo outra vez.

Durante aproximadamente noventa dias fiquei naquele ritual.

Até que chegou o momento de sair do treinamento e enfrentar a realidade.

A empresa possuía um técnico que havia sido treinado pelos americanos. Ele seria responsável pela entrega das primeiras ferramentas vendidas no Brasil e também ministraria o treinamento aos eletricistas.

Agora seria de verdade.

Era junho de 1975.

A primeira operação aconteceu na Celpe — Centrais Elétricas de Pernambuco.

As ferramentas haviam sido adquiridas para trabalhos em uma linha de 69.000 volts.

Durante aproximadamente um mês, quase todos os dias, subíamos e descíamos das estruturas, trabalhando com a rede energizada.

Depois fomos para Curitiba, para a Copel.

Agora a tensão era de 230.000 volts.

Mais um mês de treinamento.

Na sequência, fomos para Paulo Afonso.

Ali o desafio era ainda maior.

A tensão da rede chegava a 500.000 volts.

Nessa operação, a empresa americana enviou um técnico para ministrar um treinamento chamado bare hand — trabalho com contato direto do eletricista com a rede energizada.

Quanto maior a tensão, maiores são as distâncias necessárias entre os componentes que isolam os cabos da torre.

Chega um momento em que o eletricista precisa ser conectado ao próprio potencial da rede, no ponto energizado, para realizar determinados serviços.

Para isso, utilizava-se uma roupa especial, extremamente condutiva, além de uma plataforma isolante que permitia levar o eletricista até o ponto de trabalho.

Era uma tecnologia que, para mim, parecia quase inacreditável.

Hoje, trabalhos desse tipo também podem ser realizados com o auxílio de helicópteros.

Depois de todo aquele período de treinamento, começamos a ministrar cursos para outras empresas.

Passei a atender São Paulo, trabalhando principalmente com a Cesp, a Eletropaulo e a CPFL.

Meu amigo ficou responsável pelo Norte e Nordeste.

Como aquela tecnologia era uma novidade no Brasil, algumas escolas de engenharia nos convidavam para fazer apresentações aos alunos e explicar aquela nova maneira de trabalhar com redes energizadas.

Aquela atividade acabou se tornando muito mais do que um emprego.

Era uma profissão.

Era uma especialidade.

E, de certa maneira, era uma parte da minha identidade.

Depois de alguns anos, meu instrutor abriu sua própria empresa e eu passei a atender também os clientes do Norte e Nordeste.

Foi quando comecei a perceber que estava sobrecarregado.

Eu já era casado.

E quase não parava em casa.

Vivia dentro de aviões.

Às vezes ficava quinze, vinte dias fora.

Até que surgiu um convite irrecusável.

Uma empresa de São Paulo havia se associado a uma empresa americana, concorrente daquela onde eu trabalhava, e me fez uma proposta.

O salário e a possibilidade de voltar a morar em São Paulo pesaram muito na minha decisão.

Aceitei.

Não foi fácil deixar a empresa que havia mudado a minha vida.

Foi ali que eu havia aprendido uma profissão que jamais imaginara existir. Foi ali que conheci a linha viva e descobri um caminho profissional que me levaria a lugares que eu nunca tinha imaginado.

Mas não havia outro jeito.

Fui admitido na nova empresa.

Comecei fazendo aquilo que sabia fazer: divulgando a tecnologia, visitando clientes e trabalhando com as empresas que já conhecia.

Parecia que começava uma nova etapa.

Mas seis meses depois aconteceu algo que eu não esperava.

A empresa americana que era sócia da empresa onde eu havia acabado de ingressar comprou a parte brasileira.

Mais uma vez, minha vida profissional mudou de direção.

Pedi demissão.

E recomecei.

Hoje, quando olho para trás, percebo que aquele rapaz que, numa manhã qualquer, estava tentando ligar um rádio na antessala de um comprador da Philco não fazia ideia do que aquela conversa iria provocar.

Ele só estava esperando ser atendido.

E, enquanto esperava, a vida apareceu.

Foi assim que nasceu o meu eu de 1975.