Voce Nao Merece Sofrer

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Fresta

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.

Não tenho nenhuma saudade de mim – o que já fui não mais me interessa!

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida

Eu quero parar com tudo isso, ele é um menino que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura. Eu quero colocar um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto para desejar por aí.

O tempo irá lhe dizer se venceu ou perdeu; mas ele sabe que, a partir daquele momento, não se pode fazer mais nada. O destino daquela luta está nas mãos de Deus.

Alma errada

Há coisas que a minha alma,
já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas

porque, sendo bom,
a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há…

e quem é que hoje faz questão de virgindades…

E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada

me deixará aqui, ouvindo o que todos ouvem,
bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.

A estes, a falta de alma não incomoda.

(Desconfio até que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).

E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente,
o desfilar das grandes paradas do Exército.

E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…

Não existem grandes talentos sem grande vontade.

Minha oração é bem curta pro santo não entediar.

Saudade eu tenho do que não nos coube. Lamento apenas o desconhecimento daquilo que não deu tempo de repartir, você não saboreou meu suor, eu não lhe provei as lágrimas. É no líquido que somos desvendados. No gosto das coisas o amor se reconhece. O meu pior e o seu melhor, ficaram sem ser apresentados.

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Cartas Extraviadas e Outros Poemas. Porto Alegre: L&PM, 2009.

Não sou uma pessoa incapaz de ouvir um “não”. Apenas acredito que estou tentando alcançar o meu objetivo da maneira errada.
Há que se lutar pelos sonhos, mas há que saber também que quando certos caminhos se mostram impossíveis, é melhor guardar suas energias para percorrer outras estradas.

A letra da canção é o que pensamos entender, mas o que faz com que acreditemos, ou não, é a melodia.

Não se retém quase nada sem o auxílio das palavras, e as palavras quase nunca bastam para transmitir precisamente o que se sente.

Deveríamos aprender a não fazer julgamentos se o meundo é bom ou mau, e desistir da singular pretenção de tentar melhorá-lo. Muitas vezes o mundo foi insultado como sendo mau, porque aquele que o insultava dormira mal ou comera demais. Muitas vezes o mundo foi louvado porque aquele que o louvava acabara de beijar uma bela moça.
Mas o mundo não existe para ser melhorado. Nem nós! Estamos aquí para sermos nós mesmos.
Seja você mesmo e o mundo será mais rico e mais belo. Mas se voce não for isso, se for mentiroso e covarde, o mundo será pobre, e então necessitará de uma melhoria

Pode pegar, se eu joguei fora é porque não me serve mais. São os sapos que se transformam em príncipes, não os cachorros. E em terra de leoa, meu bem, cachorra não tem vez!

Quando se realiza o viver, pergunta-se: mas era só isto? E a resposta é: não é só isto, é exatamente isto.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Não estou minimamente interessado em perguntar como vão suas almas. Suponho que era o que eu deveria fazer.

Sim, estarei atento. Mas não sou mais eu que vivo, e sim o seu amor que vive em mim.

Eu não vim pra explicar. Vim para confundir.

O que sinto muitas vezes faz sentido e outras vezes não encontro o motivo que me explica por que é que não consigo ver sentido no que sinto, o que procuro, o que desejo, o que faz parte do meu mundo.