Voce esta Mudando minha Vida
FOLHA MORTA
Se a minha boca não te surpreende
se o meu corpo não te satisfaz,
o que te falta para ir em frente,
pra seguir teu rumo, me deixar em paz?
A vida a dois não é cláusula pétrea
se for por força de obrigação
o amor definha, vira folha morta
logo um se despede, outro fecha a porta
é o fim da rota de contradição.
Mas o medo de ficar sozinho
fecha o caminho da libertação
se não há coragem pra pular no abismo
prefere-se o cinismo, vida de ilusão.
Logo tudo cala, quando ninguém fala
a porta se fecha e a luz se apaga
e os dois se encaixam na mesma prisão.
Sou um renascentista
Talvez eu tenha nascido fora do tempo,
mas minha alma caminha pelas ruas de Paris.
Não as ruas apressadas do turismo,
mas aquelas onde a madrugada ainda cheira a vinho, tinta e papel.
Onde os músicos tocam como se o destino dependesse de um acorde
e os poetas bebem a lua em silêncio.
É ali que existo — entre o som e a palavra,
entre o piano e o abismo.
Sou um renascentista: músico, poeta, pianista.
Vivo entre o sagrado e o profano, entre o vinho e o verbo.
Cada nota que toco é um pedaço de mim tentando renascer,
cada verso, uma confissão que o tempo não conseguiu apagar.
Não bebo para esquecer, bebo para lembrar —
que a vida, como a arte, é feita de breves eternidades.
Quando sento ao piano, sinto Paris me ouvir.
Os fantasmas de Debussy e Ravel espiam por sobre meu ombro,
e o Sena, lá fora, parece repetir minhas notas nas águas.
O poeta em mim escreve o que o músico sente;
o músico traduz o que o poeta pressente.
É uma comunhão silenciosa entre o som e o pensamento —
a forma mais bela de loucura.
Ser renascentista é não aceitar a indiferença dos tempos modernos.
É crer que a beleza ainda pode salvar,
que o corpo é templo e o amor é arte.
É brindar com o vinho e com o caos,
com a esperança e o desespero,
porque tudo o que é humano é divino quando há música no coração.
Sou um renascentista.
Poeta, músico, homem que vive nas ruas de Paris —
onde o tempo se curva diante de um piano,
e o vinho se torna prece nas mãos de quem ainda acredita
que a vida é, acima de tudo, uma sinfonia inacabada.
Minha mamãe, estou sofrendo nesse mundo de angústia, mas estou amadurecendo. A sua falta me faz pensar: sem você por perto, como eu devo estar? Nesse mundo de ilusão, eu não tenho mais ninguém. Do fundo do coração, você era o meu bem. De todas as pessoas, você foi quem mais me amou, mas tem um Deus lá do céu que sempre me acalentou. Você me ensinou a orar, me ensinou a meditar, me deu todas as direções para eu não errar. De todos os conselhos, eu guardo todos no peito. Minha mamãe, para sempre vou te amar! Estou com saudade, mas sei que um dia, por aí, vou estar e vou te abraçar. Podem se passar anos, eu sei que um dia você vai me ver e eu vou olhar para você e falar: "Olha aqui o seu bebê".
Eu precisei fingir que estava tudo bem,
enquanto uma parte minha
morria em silêncio.
Porque ninguém percebe
o tamanho da dor
de perder alguém aos poucos.
Primeiro acabam as conversas.
Depois os cuidados.
Depois a presença.
E quando você percebe,
só restou a lembrança
do que um dia foi amor.
Se eu pudesse voltar no tempo, o primeiro ato que faria seria correr em direção à minha versão infantil e envolvê-la em um abraço super apertado.
Eu diria àquela criança que a versão adulta dela a ama incondicionalmente. Diria que tudo o que ela passou foi um teste de força e que, mesmo em sua tenra idade, ela demonstrou uma incrível resistência. Eu diria que o orgulho transborda em meu coração ao olhar para trás e ver o quão forte ela foi.
Se eu pudesse voltar no tempo, um abraço apertado seria a expressão do meu amor e gratidão por aquela versão infantil de mim mesma. Nenhum gesto ou palavra pode apagar as cicatrizes do passado, mas esse abraço transmitiria a mensagem de que ela não está mais sozinha. E que, independentemente do que tenha acontecido, a versão adulta dela está aqui para amá-la e cuidar dela sempre.
- Edna Andrade
As adversidades que atravessaram meu caminho podem ter abalado minha estrutura, mas não abalaram minha determinação. Cada vento contrário, cada queda em minha vida foi um teste de resistência, um convite para superar meus próprios limites.
Acredito firmemente que o que está por vir é imensamente grandioso. O universo conspira a meu favor, tecendo os fios invisíveis do destino para que eu possa alcançar meus objetivos. Nada nem ninguém pode deter o imenso potencial que habita em mim...
- Edna Andrade
A Primeira Luz: O tempo inaugurou uma nova e terna estrada quando vi nascer minha Andrea, a primogênita amada.Teus cabelos loirinhos trazem a própria cor do sol,revestindo os meus dias com o brilho do arrebol,nesta clareza doce que em meu peito fez morada.A tua risada gostosa ganha asas pelo vento,um som puro que cura qualquer dor ou tormento.É a melodia mais viva que a casa aprendeu a ouvir,o motivo mais sincero que me ensina a sorrir,guardado com orgulho no altar do meu pensamento.Ser o primeiro milagre que meus braços acolheram é o laço mais profundo que os anos me deram.Você abriu o horizonte do meu mundo de escritor,revelando a essência exata de um imenso amor,onde as minhas palavras inteiras se renderam.O mundo lá fora corre em seu rumo apressado,mas o teu riso dourado mantém o tempo parado.A ti, Andrea, ofereço cada linha que escrevo,com a força e o afeto que no coração levo,neste manuscrito eterno que fica agora selado.
A luz do teu sorriso e o brilho do seu ser ainda permanece clareando cada dia cinzento da minha existência.
11/01/2026
Se eu gosto que a minha língua roce a língua de Luís de Camões
Não lhe diz respeito, não lhe explico os autos do processo
O que há na minha boca, há de ficar na cabeça dos outros
Do meu corpo, eu posso dizer que só me espanta as emoções
Apesar de que tudo, tudo nessa sociedade está em aberto
Não sou carioca
A minha voz não ressoa se eu gritar "Alô Mangueira"
Eu sou da terra de Juscelino,
Nascida pela desorganização da riqueza
Mas ninguém nunca ousou organizar a pobreza
60 anos de Tropicália, outros 80 de Velô
16 anos que eu reclamo, reclamo, mas reconhecendo o poder do amor
O poder que nos segurara há tão pouco tempo
Contra ódio, um precedente tão bárbaro, um presente que não nos encanta
Um sistema em vertigem, 8 milhões de quilômetros quadrados andando em corda bamba
Se eu posso cantar, se eu posso escrever
Estarei expressando o meu Quereres
Mas sempre ao final do dia
Me lembrarei de que os homens estão exercendo seus podres poderes
Tudo o que eu faço
Eu faço com medo de perder
Dispensaria a Rua, a chuva e a Fazenda
Para ter somente a casinha de Sapê
São tantas caixas reviradas,
momentos,
um passado.
Uma construção de história.
A minha história.
Que não terminou.
Eu continuo aqui.
E, mais uma vez, eu recomeço,
vestida com minha coragem,
mas cercada de medos.
Eu existo.
Tudo passa.
E eu sinto…
O segredo é sentir.
Só sentindo
que transformo.
E eu tô aqui,
vivendo sem esquecer
de tudo que foi.
Faz parte da minha construção.
Ela estava forte o suficiente
para suportar.
Eu sigo aqui,
esperando ansiosamente
por mais um capítulo
da minha história.
Só que agora é diferente.
Hoje eu escrevo em linhas.
Em algum momento, eu…
Eu conquistei esse direito.
Ninguém me negou isso.
Eu só não estava desperta
o bastante para perceber.
Eu achei que era assim.
Um dia conversei com a vida,
e ela me contou
a sua história…
E foi aí que eu percebi.
Não tinha nada que me prendia,
além do espaço que
eu mesma criei.
Um espaço seguro,
tão seguro quanto
o próprio gato de Schrödinger,
que se permitia coexistir…
Um dia o espaço colapsou,
e eu transbordei.
Transbordei feito um rio
represado em emoções.
E hoje percebo
o quão grandioso é ser rio
e poder transbordar.
Eu sou natureza viva.
Eu posso fluir.
E, quando a gente descobre isso,
o ritmo ajusta o fluxo
e a água escoa livremente
no tempo…
E, assim como o rio,
a vida segue em fluidez constante.
As circunstâncias nunca se repetem,
e hoje agradeço…
Pela inevitável transformação,
que pede silêncio para florescer.
25/05/2026
Ana Caroline Marinato
MINHA MÃE
Minha mãe é alicerce
É a base, o meu pilar
É minha sustentação
Desde meu engatinhar
É o meu porto seguro
É a rigidez do muro
Que protege o meu lar
Sussurras quase inaudível, enquanto arrastas minha mão para teu recôndito paraíso — um jardim de névoas úmidas.
— “Escreva-me com os dedos”, — exiges.
Meu corpo obedece — sou a pena que desliza nas entrelinhas do teu prazer.
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