Viver e Nao se Preocupar com o Futuro
Um dia você vai me ligar e eu não vou atender.
Um dia você vai me mandar mensagem e eu não vou responder.
Um dia você vai me pedir para voltar e eu não vou aceitar.
Um dia você vai tentar me procurar para pedir desculpas por tudo, e eu não vou estar mais aqui nesse mundo.
Nesse exato momento, a sua ficha vai cair e a dor de ter me rejeitado vai se tornar real.
Meu coração está cheio, mas minha mente está exausta. Os últimos dias não têm sido fáceis e, confesso, meu psicológico chegou ao limite. Às vezes me vejo perdido, tentando entender onde errei ou por que as coisas parecem tão pesadas agora, quando tudo o que eu mais queria era estar bem para te fazer a mulher mais feliz do mundo.
Quero te pedir desculpas. Perdão se o meu cansaço transpareceu como falta de atenção, se o meu silêncio pareceu distância ou se eu não consegui ser o homem sorridente que você merece encontrar todos os dias. Por mais que eu me esforce, há dias em que a alma parece não acompanhar o passo, e dói muito não conseguir te entregar a minha melhor versão neste momento.
Minha gratidão por você é infinita. Obrigado por ser a minha paciência quando eu perco a minha, e por ser o meu porto seguro enquanto tento me reencontrar. Você é a prova de que, mesmo nos dias mais sombrios, ainda existe luz. Ter você ao meu lado não é apenas um presente, é o que me mantém de pé.
Eu te amo além das palavras e, mesmo exausto, meu lugar preferido no universo continua sendo o abrigo do seu abraço. Obrigado por não soltar a minha mão quando o caminho ficou difícil. Você é, e sempre será, o meu único ponto de paz.
Eu sei que palavras não apagam o que aconteceu, mas eu precisava te dizer o quanto me arrependo. Não suporto saber que causei dor a você, a pessoa que eu mais queria ver sorrindo. Me desculpa, de verdade. Eu agi sem pensar e agora estou aqui, sentindo esse vazio por ter te magoado.
Minha mente não me dá paz porque meu coração sabe que eu te feri. Eu trocaria qualquer coisa para apagar aquele momento e não ver você sofrer. Por favor, não deixa o meu erro ser maior do que tudo o que a gente construiu. Eu sinto muito, do fundo da minha alma.
Me perdoa por não ter percebido antes que a minha insistência estava machucando. Eu quis ser o herói da nossa história, mas acabei sendo apenas alguém que não sabia dizer adeus. Sinto muito por tudo o que passamos enquanto eu tentava, em vão, segurar o que já estava caindo.
Hoje eu te deixo ir com a certeza de que não volto mais. Meu coração está em paz por saber que lutei a cada minuto, e que me machuquei até demais tentando fazer a gente dar certo. Talvez esta seja a minha última mensagem para você, então, mais uma vez, obrigado por ter entrado na minha vida e por ter me ensinado tanto.
Levo comigo as lembranças boas e o aprendizado de que, às vezes, amar também é saber a hora de soltar a mão. Desejo, do fundo do meu coração, que você encontre a felicidade que busca, assim como eu seguirei agora em busca da minha. Sigo meu caminho com carinho pelo que fomos, mas com a convicção de que o nosso amor termina aqui. Adeus, e cuide-se.
Hoje, eu abro mão daquilo que mais amei. Não por falta de querer, mas por não ter mais onde buscar forças para lutar nesta batalha de um homem só. Eu te entrego ao destino com a alma em pedaços, mas com o peito limpo de quem sangrou cada gota de esperança tentando resgatar o que restava do nosso amor.
Dói — e como dói — admitir que o meu amor, por mais vasto que fosse, não foi o suficiente para nos manter de pé. Saiba que, em cada batida frenética do meu coração, houve um grito pelo seu nome. Você foi o meu sol e a minha tempestade, o meu cais e o meu naufrágio. Te deixar ir é o sacrifício mais lancinante que já fiz por mim — e, acima de tudo, por você.
Obrigado por ter sido o meu capítulo mais intenso; por ter me mostrado a beleza do céu e a agonia do abismo. Eu te amei com uma força que as palavras são incapazes de alcançar, e é justamente por esse amor devoto que eu, finalmente, aceito o nosso fim. Que a vida te conceda a paz que eu não soube dar, e que o tempo cure em você as feridas que eu não pude consertar.
Adeus, meu grande e eterno amor. Sigo só, mas sigo inteiro... por um dia ter sido, inteiramente, seu.
Mesmo que os nossos caminhos não se cruzem mais, o meu instinto de te proteger continua aqui. Se o mundo, algum dia, for injusto com você, saiba que, em pensamento, eu ainda sou o seu maior defensor. Torço pela sua felicidade como se fosse a minha.
A gente seguiu direções diferentes, mas você levou uma parte de mim que ninguém mais vai ter. Olho para trás e não me arrependo de ter dito "eu te amo" tantas vezes, inclusive no nosso último momento. Queria que você soubesse que, para mim, você sempre será o meu grande e eterno amor.
É estranho como o silêncio agora ocupa o lugar que antes era da sua voz. Mas, como eu te disse, eu reconheceria o seu tom de voz no meio de uma multidão, em qualquer lugar do mundo. Esse laço, distância nenhuma apaga.
Hoje, a minha maior prova de amor é te deixar ir, mesmo querendo que você ficasse. Sigo minha vida levando as lembranças boas e a certeza de que vivi um amor de verdade. Fica bem, cuida do seu sorriso e nunca esqueça que você foi, e sempre será, o meu único grande amor.
Você acha mesmo que eu não me importo? Eu vi você desistir de mim. Eu vi você me dar aquelas respostas secas e assisti você falar cada vez menos comigo, todos os dias. Eu vi você, lentamente, perder o interesse por mim. Eu assisti você saindo da minha vida aos poucos.
Dói perceber que, enquanto eu lutava para te manter, você já estava construindo a sua saída. O silêncio que você deixou entre nós fala mais alto do que qualquer explicação que você poderia dar agora. Cansei de tentar segurar uma mão que já não quer mais estar entrelaçada na minha. Estou te deixando ir, não por falta de amor, mas porque entendi que não posso ser o único a amar por nós dois.
Não me procure quando o silêncio dos outros te fizer lembrar de mim, ou quando você perceber que o mundo é grande demais, mas o afeto de verdade é raro. Eu te dei o meu melhor, e você preferiu a conveniência de me deixar ir embora aos pedaços. Hoje, eu recolho os meus cacos e sigo, não porque eu queira, mas porque não sobrou espaço para mim no seu novo mundo. Adeus.
Não sei exatamente onde você está agora, mas sei exatamente onde você permanece: em cada nota de música que toca no rádio e em cada pensamento que invade o meu silêncio.
Engraçado como a gente se acha esperto quando está no controle, né? Eu duvidei, eu fui atrás apenas do que eu queria enxergar, ignorando o que realmente importava. E agora o "longe" virou tempo demais. da sua ausência é barulhento, e por mais que ouvir sua voz me traga uma paz absurda, ela também me lembra do que eu não tenho mais por perto.
Tudo ficou incerto aqui fora. O mundo continua girando, mas parece que eu estou preso naquele momento em que te perdi. Se eu pudesse, voltaria cada um daqueles dias. Faria tudo diferente só para não ter que aprender, da maneira mais difícil, como é vazio o lugar que você ocupava.
Se você pudesse me ver agora, de onde quer que esteja, veria um homem que não consegue mais fugir do que sente. Se eu fecho os olhos e não te encontro no meu coração por um segundo que seja, logo abro e te vejo em qualquer outro lugar.
Só eu sei o que eu faria para te ver mais uma vez. Se o nosso amor ainda tiver um sopro de vida, se ele puder sobreviver a essa distância, saiba que eu ainda estou aqui. Pensando em você. Em cada lugar, em cada canção. Eu estarei aqui Pensando em você.
Percebi que fugir não tem funcionado. Caminhei para longe, tentei encontrar um lugar onde o sol não me lembrasse do brilho que perdi, mas parece que, não importa a distância, eu sempre acabo voltando para aquele 'coração de pedra'.
É difícil admitir, mas eu ainda preciso de tempo — um tempo que o relógio insiste em não me dar. Tento fechar os olhos e reconstruir o mundo com outras cores, mas toda vez que você aparece, meus disfarces caem. Tento me esconder, tento fingir que superei, mas quando nossos olhos se cruzam, percebo que ainda sou aquele mesmo homem desarmado.
Sabe o que é pior? O silêncio que fica quando você sai do quarto. É como se o ar fosse embora com você. Sinto-me murchando, exatamente como uma flor que foi arrancada do solo e deixada sob uma chuva gelada. Esta cidade parece tão fria e vazia agora; às vezes me pego falando sozinho, tentando encontrar respostas nos ecos dos meus próprios gritos, mas não há nada lá.
Eu só queria que você soubesse que estou tentando me encontrar de novo. Estou tentando deixar de ser essa rosa abatida pela tempestade. Mas, por enquanto, a verdade é que cada partida sua ainda me faz desabar em lágrimas quando o dia termina.
E dói perceber que, embora eu tente seguir um longo caminho para longe de casa, todas as estradas parecem levar de volta ao que fomos. O vazio que você deixa não é apenas a sua ausência; é a presença constante de uma saudade que não descansa. Estou aprendendo, da maneira mais dura, que não se cura um coração de pedra tentando quebrá-lo, mas tentando sobreviver ao frio que ele emana. Enquanto o sol se põe sozinho mais uma vez, eu sigo aqui, esperando o dia em que o meu mundo não murchará toda vez que você se for.
Vocês, que são massa de manobra e moeda de troca, não confundam o Pastor que tira o pecado do mundo com o pastor que tira o dinheiro de todo mundo.
Não sei se você se lembra daquela noite fria, mas a minha solidão era tão vasta que precisei sintonizar o mundo na frequência de uma estação qualquer. Eu cruzei os dedos, disquei o número da rádio e deixei meu contato flutuando nas ondas eletromagnéticas, como quem joga uma garrafa com um bilhete desesperado num oceano de fios e antenas. Eu só queria ser descoberto. Queria que o universo provasse que eu não estava sozinho no escuro.
Do outro lado da cidade, na mesma fração de segundo, o destino ajustava o seu receptor. Você não procurava ninguém; apenas girava o botão do rádio, deixando a estática preencher o vazio do quarto. Dois desconhecidos, duas vidas paralelas, conectados por um sopro de voz que o locutor leu sem saber que estava costurando duas almas para sempre.
Quando o meu telefone tocou e ouvi o teu "alô", trêmulo e tímido, algo dentro de mim desmoronou e se reconstruiu instantaneamente. Não fomos nós que nos escolhemos; foi a vida que cansou de nos ver errar o caminho e resolveu nos colidir.
Aquela frequência AM/FM virou o batimento cardíaco que faltava em nós.
Eu amo como o nosso amor nasceu do invisível. Nós não nos vimos, não sabíamos a cor dos olhos um do outro, nem o formato do sorriso. Nós nos apaixonamos pela essência nua, pelo timbre, pelas pausas onde a respiração confessava o que o medo tentava esconder. Apaixonar-se assim é uma entrega sagrada, porque mostra que nossos corações já se reconheciam de algum lugar do passado, antes mesmo de os nossos corpos se cruzarem na calçada.
Hoje, olhando para você, tenho a certeza absoluta de que existem milagres discretos que a ciência jamais conseguirá explicar. O rádio foi só o pretexto que a eternidade usou para me devolver a parte que me faltava.
Obrigado por ter estado ouvindo no momento certo. Obrigado por ter tido a coragem de discar os meus dígitos. Eu te amo além do que o som pode propagar, além do que o tempo consegue apagar. Você é a minha sintonia perfeita.
O dia em que o meu mundo parou não teve trilha sonora de filme, nem trovão no céu. Foi uma dor bem esquisito, desses que fazem o ouvido zumbir. Lembro do peso do meu próprio corpo, como se a gravidade tivesse triplicado de valor e me empurrasse direto para o chão. Naquele segundo exato, eu tive a certeza matemática e absoluta de que a minha vida tinha acabado de vez. Sabe quando o peito aperta tanto que o ar não acha o caminho de volta? Foi assim. Eu olhei para o teto e pensei: "Pronto. Daqui eu não levanto mais.
A gente passa a vida inteira achando que é forte, construindo certezas em cima de areia, jurando que tem o controle de tudo. Bobagem. A verdade é que a gente só descobre o tamanho da nossa fragilidade quando o chão some. Eu me vi ali, despedaçado, catando os cacos de quem eu achava que era, sem saber como colar as partes de novo. Chorei um choro feio, pesado, daqueles que vêm do estômago e rasgam a garganta. Achei sinceramente que a dor seria o meu endereço definitivo.
Mas aí o tempo passou. Não como um milagre, mas como um mestre severo. E a grande lição de vida que me quebrou ao meio para depois me refazer foi entender isto: o fim de um mundo não é o fim da vida. Às vezes, o nosso mundo precisa acabar de vez para que a gente pare de sobreviver no automático e comece, finalmente, a existir de verdade. A dor não veio para me matar, veio para me limpar de tudo o que era ilusão. Eu precisei perder o meu chão para descobrir que eu tinha asas.
Hoje, olhando para trás com os olhos ainda marejados, eu entendo o mistério. Aquele dia terrível não foi o meu ponto final. Foi o início do capítulo mais bonito e maduro da minha história.
Nenhuma mulher carrega a obrigação de permanecer onde o coração já não faz morada. O amor não aceita correntes, e a liberdade de ir embora é um direito sagrado de cada alma. Ficar por conveniência é desonrar o próprio sentimento. No entanto, precisamos ter a coragem de olhar para o espelho da vida e encarar uma verdade dolorosa: muitas vezes, a pressa, o orgulho ou o apego a ilusões superficiais fazem pessoas abandonarem conexões raras por motivos banais.
Perder um parceiro ideal por caprichos momentâneos é uma ferida que o tempo custa a fechar. O homem ideal não é o herói perfeito dos contos infantis, mas aquele que escolhe ser porto seguro em dias de tempestade. É o ser humano que aceita os seus dias difíceis, que limpa as suas lágrimas e que investe os dias dele para ver o seu sorriso florescer. Encontrar alguém disposto a construir uma história real, com respeito mútuo e lealdade inabalável, é um privilégio escasso no mundo moderno.
A maior lição que a vida nos oferece é entender o valor do afeto enquanto ele está presente. Quando um homem bom decide recolher o carinho que foi rejeitado, ele não volta atrás: ele simplesmente vai embora. A vida é um sopro e não dá garantias. Não permita que o ego estrague o que a alma levou anos para atrair. Olhe para quem caminha ao seu lado hoje, valorize a pureza dos gestos cotidianos e lembre-se: o amor verdadeiro é um diamante bruto, difícil de encontrar, mas tragicamente fácil de perder.
O amor de verdade não nasce pronto; ele é o único sobrevivente de todas as tempestades que decidimos enfrentar juntos. Neste Dia dos Namorados, enquanto o mundo celebra os sorrisos fáceis e os jantares perfeitos, minha mente viaja para o avesso da nossa história, para as noites em que o silêncio pesava e o cansaço quase nos fez soltar as mãos. É muito fácil amar o sol, mas nós dois aprendemos o milagre de caminhar sob o temporal.Nossa maior vitória não foi a ausência de cicatrizes, mas a coragem de olhar para cada uma delas e enxergar um recomeço. Houve momentos em que o orgulho tentou ditar as regras, em que a distância parecia um abismo intransponível e o cansaço do cotidiano ameaçou apagar o brilho dos nossos primeiros dias. Contudo, o verdadeiro aprendizado veio quando entendemos que permanecer é uma escolha diária, um exercício de desarmar o peito e acolher a vulnerabilidade do outro.Superar não significa esquecer as falhas, mas ressignificar o choro. Lembro com nitidez daquela madrugada em que o mundo desabava lá fora e, em vez de defesas, encontramos o abraço. Ali, naquele exato instante de fragilidade absoluta, percebi que você não era apenas meu par, mas o meu porto mais seguro. Descobri que o afeto real reside nos gestos miúdos: no café preparado sem pressa, no olhar que decifra o medo antes mesmo de a palavra existir, na paciência mútua que cura as dores antigas.Hoje, quando olho nos teus olhos, não vejo a ilusão intocável dos romances de ficção, mas a beleza crua de uma construção humana, feita de perdão, lealdade e entrega. Sobrevivemos aos dias nublados e colhemos a calmaria que só o respeito mútuo consegue semear. Obrigado por não desistir quando o caminho ficou íngreme e por me mostrar que a felicidade habita na simplicidade de pertencer a alguém que também escolhe nos proteger. Meu coração encontrou morada eterna em você.
A viúva não tinha filhos. Sua fidelidade parecia moldada em ferro. Sem o marido há dez anos, trazia a bíblia gasta como única herança. O dízimo era sua prioridade absoluta. Apertava o orçamento da pensão mínima. Pulava refeições cotidianas. Mesmo assim, a igrejinha do bairro recebia suas notas amassadas pontualmente. Todo início de mês era igual.
Até que o corpo cansou. Uma pneumonia severa a acamou. Roubou-lhe as forças e a voz. Sem conseguir andar, a idosa olhou ao redor. Só encontrou o deserto absoluto. Nenhuma mulher do círculo de oração bateu à porta.
O único que estendeu a mão foi o vizinho ao lado. O jovem usava roupas coloridas. Tinha trejeitos que o líder usava como exemplo de erro no altar. Era alvo de sussurros maldosos na calçada do templo.
Nas primeiras semanas de cama, a senhora preocupou-se com a obrigação religiosa. Apontou com o dedo trêmulo para a caixinha de madeira. Ali guardava o dinheiro suado. Sem julgar, o rapaz pegou o envelope. Sabia da escassez da idosa. Tirou do próprio bolso o triplo daquele valor. Colocou tudo dentro do papel.
Ele foi até a igreja. Suportou os olhares de nojo da liderança no fundo do salão. Entregou a contribuição dela e saiu. Fez isso três vezes seguidas.
No quarto mês, o estado de saúde agravou-se. A mulher já não falava. Comunicava-se apenas pelo brilho marejado dos olhos. O rapaz percebeu a realidade. Notou que o sagrado não morava no gazofilácio daquele templo. Parou de enviar as notas.
Usou cada centavo para comprar os remédios caros. Comprou fraldas geriátricas e sopas batidas. O jovem limpava o suor da testa da senhora. Trocava seus lençóis com paciência. Segurava sua mão nas noites de febre alta.
Enquanto isso, o banco dela na igreja permanecia vazio. O silêncio da liderança era ensurdecedor. Nenhum clamor aconteceu. Nenhuma visita foi feita. Nenhum telefonema ocorreu. A ausência do envelope cancelara a existência daquela ovelha.
Meses depois, a viúva estava em lenta recuperação. O rapaz cruzou com o líder em uma avenida movimentada. O homem caminhava em seu terno bem cortado. Carregava uma pasta de couro luxuosa. Ao avistar o jovem, o religioso tentou desviar o caminho. O rapaz postou-se à sua frente.
O homem engoliu em seco. Tentou manter a pose formal. Disparou o jargão conhecido:
— A paz, rapaz. Como vai a nossa irmã? Estamos orando por ela. Ela sumiu. Até a tesouraria sentiu a falta dela.
O jovem não gritou. O tom de voz foi baixo e cortante. Parou o tempo ao redor:
— O senhor sentiu falta da contribuição. Nunca da mulher que a entregava. Há meses ela perdeu a voz. Há meses o prato dela é garantido por quem o senhor condena no altar. Enquanto o senhor preparava sermões sobre o amor, eu limpava a urina dela.
Ele respirou fundo e continuou:
— Enquanto suas ovelhas puras se afastavam com medo da doença, o rejeitado aqui alimentou a viúva que sua teologia descartou. O dízimo dela não foi cortado. Ele só mudou de endereço. Deus cansou de financiar o seu teto de gesso. Ele desceu para comprar remédios. Passe bem.
O homem permaneceu estático na calçada. Ficou com a boca semiaberta. Foi engolido pelo peso da própria insignificância. O rapaz deu as costas. Voltou para a casa simples. Ali o verdadeiro culto acontecia. No silêncio de um quarto que cheirava a desinfetante e amor puro.
A verdade é que eu não enterrei o meu passado; ele se mudou para dentro das minhas costelas. Quando a mulher que desenhou o meu destino decidiu ir embora, recolhendo os pertences e deixando apenas o vazio no apartamento, algo em mim quebrou de maneira definitiva. Não houve gritos ou portas batendo. Apenas o estalo seco de uma engrenagem vital que parava de funcionar.
Durante quase uma década, tornei-me um vigia de túmulos.
Habitei a solidão da cama de casal como quem protege um solo sagrado. Desenvolvi um pânico visceral diante de qualquer aproximação humana. Se alguém demonstrava um interesse sutil, meu estômago contraía. A simples ideia de compartilhar a rotina com outra fisionomia parecia uma heresia, um insulto à memória daquela que ainda governava os meus pensamentos. Eu me convenci de que a capacidade de entrega era um recurso finito, totalmente esgotado naquela despedida. Sentia-me um náufrago confortável na própria ilha de amargura.
Até que a vida, soberana e imprevisível, cansou do meu isolamento voluntário.
Aconteceu numa livraria de bairro, num fim de tarde cinzento. Eu procurava um título qualquer para preencher as horas mortas, quando uma desconhecida esbarrou na estante ao lado, derrubando uma fileira inteira de volumes no assoalho. O estrondo quebrou a solenidade do ambiente. Instintivamente, abaixei-me para recolher as obras espalhadas.
Quando nossos dedos se cruzaram na tentativa mútua de resgatar o mesmo exemplar, ergui as pálpebras.
Aquela senhorita de pele morena possuía traços completamente distintos, uma voz mansa e um aroma fresco de lavanda que nada lembrava o perfume antigo que passei anos tentando esquecer. Contudo, ao fitar a profundeza das suas pupilas castanhas, percebi um brilho familiar de vulnerabilidade e resiliência. Foi um impacto mudo, um solavanco térmico que atravessou minha espinha. A couraça que cultivei com tanto zelo rachou de cima a baixo.
Ela esboçou um sorriso tímido, sem cobranças, que parecia compreender a bagunça que eu carregava na alma.
Pela primeira vez em milhares de dias solitários, o fantasma da rejeição retrocedeu um passo. O peito, antes congelado, ardeu com uma eletricidade esquecida, quase juvenil. Não era a cura imediata da dor crônica, mas a percepção nítida de que o mundo continuava girando lá fora, oferecendo novas estradas para quem ousasse caminhar.
A jovem senhorita agradeceu a ajuda, recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Pouco antes de cruzar o portal, deteve o passo. Girou o corpo, sustentou meu olhar fixamente por alguns segundos cruciais e acenou positivamente, num convite implícito que dispensava vocábulos.
Permaneci estático, assimilando o milagre daquele instante. A marca da perda segue cravada na minha pele, indelével. Todavia, compreendi que carregar uma cicatriz não significa permanecer sangrando. O pavor ainda sussurra no meu ouvido, mas o desejo de experimentar o calor do sol novamente tornou-se, finalmente, muito maior.
A grande lição que a dor me ensinou é que o luto não deve ser uma sentença de prisão perpétua, mas um processo de transformação. Fechar as portas para o mundo com medo de sofrer novamente não protege o coração; apenas o sepulta em vida. Amar exige coragem exatamente porque envolve o risco da perda, e a verdadeira superação não consiste em esquecer quem partiu, mas em ter a generosidade de permitir que novas histórias sejam escritas nas páginas que restam.
Escrevo estas palavras porque, às vezes, o silêncio do dia a dia não faz justiça ao que sinto quando olho para você. Assim como na canção que ecoa em minha mente, sinto que você é a razão pela qual me tornei a melhor versão de mim mesmo. Você não apenas me aceitou; você me moldou com sua doçura e paciência.
Dizem que o tempo desgasta as coisas, mas comigo aconteceu o contrário. Quanto mais te conheço, mais me sinto como aquele "bobo" apaixonado, perdido em um labirinto onde a única saída é o seu abraço. Não preciso de castelos ou glórias externas, pois minha maior honra é ser seu, e minha única missão é proteger o sorriso que você coloca no rosto.
Prometo a você:
Ser o seu refúgio nos dias de tempestade.
Ouvir sua voz como se fosse a melodia mais doce já escrita.
Amar você em todas as suas versões, para sempre.
Acredite nesta canção que meu coração canta toda vez que você entra na sala. Nós pertencemos um ao outro, ontem, hoje e em todos os amanhãs que o destino nos permitir.
percebi que não posso mais guardar essas palavras. Sinto que perdi o direito de opinar sobre nós, sobre como você tem agido ou como tem se afastado, mas a verdade é que o pensamento de você indo embora me apavora.
Olho para trás e vejo o quanto fui descuidado. Você é, e sempre foi, aquela bandeja de coisas agradáveis que eu, por pura distração ou tolice, acabei derrubando. Você é a vitrine de anéis brilhantes que eu deixei escapar por entre os dedos, e dói perceber que a culpa desse estrago é só minha.
Você tem esse dom extraordinário de acalmar meus medos. Se eu tivesse o mínimo de certeza de que conseguiria encontrar meu caminho sozinho, eu não te pediria para ficar. Eu te deixaria ir. Mas a verdade nua e crua é que eu não duraria outro dia sem você.
Por favor, não vá.
Sei que errei ontem, e talvez tenha errado por muitos "ontens", mas deixe-me ter uma voz nisso. Deixe-me tentar consertar o que derrubei. Fica comigo?
