Vilão

Cerca de 490 frases e pensamentos: Vilão

⁠Suposta culpa

Coração!
Falta lhe discernimento para escolher
Para qual sentimento abrirá a porta
Sem que este seja o vilão
Que ao final te fará sofrer.
Coração!
Não se engane mais
Embebedar-se nas paixões
Só aumentará elas: as emoções
Entorpecentes intensos e fatais.
Coração!
Pobre coração!
Conspiraram contra ti há muito tempo
Pela força do seu grande talento
Em ser senhor da pulsação.
Talvez intuíram: se pode o sangue bombear,
Fazendo a vida se revigorar
Por quê não ser os batimentos
Uma maneira também de afirmar?
Coração!
Quem será ter sido o vilão?
A pista? Ele se tornou notório
Pois cheio da razão
Olhou para baixo e pensou:
Meu perfeito bode expiatório!

Inserida por goulart_esdras

⁠Porque o tempo é fractal

Dizem que o tempo passa ...
- Ele tava alí agorinha!
- Foi há alguns anos que se foi ...
- Não perca ele por nada na vida!!!
Fala alguém.
Êh tempo! Quem és tu para afligir a todos? Provoca medo em uns, acelera o ritmo de outros, sempre sorrateiro e constante. É você uma lenda, imortalizada na existência da humanidade? Ou será mais uma abstração que estes criaram, acreditando que era verdade?
Poisé... eu acreditei, aliás por muito tempo! Neste Tempo que é um nada, vigarista de identidade, faz-se de dia, mês e ano, fia no espaço a sua idade. Carrega a culpa, a cura, conta histórias e distribuí experiências, segmenta a si próprio em passado, presente e futuro, alucinando a consciência.
Sabe, isto tudo eu diria ao tempo se pudesse o encontrar. Porém, onde ele está?
Na distância entre nós, na expectativa do abraço até o contato das mãos, no
alinhamento de dois olhares, no palpitar do coração.
O tempo nunca passa, não vai passar e nem está passando. O tempo é a percepção que temos do quão perto ou longe estamos. E o sentimento é o autor presente desta despretensiosa marcação, que conduz em um ritmo fractal o embalar de nossa ação.
Ficamos impressionados como ele está correndo, fugindo de nós, como se fosse algum tipo de vilão, porém caro leitor, não se iluda!
Este tempo tão temido, é apenas um reflexo que elaboramos para elucidar o poder da evolução, mas na corrida para nos desenvolvermos, tornamos ele o ouroborus de nossa própria pretensão.

Inserida por goulart_esdras

Ter um culpado…

Colocaram fogo no restaurante comigo ainda lá dentro. As chamas lambiam as paredes como línguas de uma ira que nunca foi minha, mas, de alguma forma, sempre me escolheu como alvo. O calor não me assustou. Pelo contrário, senti uma espécie de familiaridade com ele. Eu, que vivi tantos incêndios na alma, agora era apenas mais uma peça no cardápio do caos.

Enquanto o teto ruía e o ar se tornava pesado, percebi: não valia a pena gritar. Quem acendeu o fósforo já havia saído pela porta da frente, talvez assobiando uma melodia de inocência fingida. E quem passava pela calçada, ao ver as labaredas, não pensava em salvar quem estava dentro. Pensava apenas no espetáculo da destruição. Porque é isso que as pessoas fazem, não é? Elas assistem.

Então eu olhei ao redor. Louças estilhaçadas. Mesas tombadas. Cortinas em chamas. E, pela primeira vez, senti uma espécie de alívio. Uma certeza incômoda, mas libertadora: se é pra me chamarem de culpado, talvez eu devesse ser. Não me restava mais nada pra salvar — nem o restaurante, nem a mim. Peguei o que sobrou de força, virei o gás no máximo e, com um fósforo que achei no bolso, devolvi o favor. Explodi aquele lugar como quem assina um bilhete de adeus: com firmeza, sem remorso, mas com estilo.

Saí pela porta de trás, enquanto os destroços ainda voavam pelo ar. A fumaça subia, preta como os julgamentos que viriam. E eu sabia que viriam, claro. Sempre vêm. “Por que você fez isso?”, perguntariam. “Por que não tentou apagar o fogo? Por que não pediu ajuda?” Ah, os paladinos da moralidade, tão rápidos em condenar e tão lentos em entender. Mas eu não queria me explicar. Explicações são como água despejada sobre um incêndio: às vezes apagam, mas quase sempre só espalham mais fumaça.

Ser o vilão era mais fácil. Mais honesto. Assumir o papel de quem destrói é menos exaustivo do que tentar convencer o mundo de que você foi destruído. Porque, no final das contas, ninguém realmente escuta. Eles só querem um culpado. E, se é pra ser apontado de qualquer jeito, que seja com a dignidade de quem escolhe o próprio destino.

Não estamos falando de restaurante. Nunca estivemos.

Inserida por mauriciojr

⁠Entre erros e acertos…

Há momentos na vida em que somos convocados a sermos vilões em histórias que não escrevemos. É curioso perceber como, às vezes, sem intenção ou consciência, nos transformamos no espelho onde outros projetam suas dores, frustrações e carências. Não importa o quão genuínos sejam os nossos gestos, o quão sinceros sejam os nossos atos: algumas pessoas precisarão nos moldar em algo que justifique suas próprias narrativas. E isso não diz sobre quem somos, mas sobre o que elas precisam enxergar.

Aceitar esse papel é, antes de tudo, um exercício de liberdade. Não a liberdade que agrada, que se curva, que busca validação a qualquer custo, mas aquela que nos mantém íntegros, mesmo quando o mundo à nossa volta insiste em nos julgar. É melhor ser autêntico e incompreendido do que perder-se no labirinto de expectativas alheias. Porque, no fim das contas, agradar a todos é um jogo injusto — e o preço é sempre a nossa essência.

As opiniões que os outros formam sobre nós são, quase sempre, reflexos deles mesmos. Quem nos detesta sem conhecer, quem nos julga sem buscar entender, está, na verdade, lidando com suas próprias feridas, não com a nossa verdade. Não cabe a nós corrigir percepções equivocadas, muito menos abrir mão da nossa paz para justificar quem somos. Afinal, se alguém tem algo a resolver conosco, que nos procure. E se não nos conhece o bastante para isso, será mesmo que vale a pena carregar esse peso?

Entre erros e acertos, sigo aprendendo. Já tropecei, já decepcionei, mas também já amei, edifiquei e cresci. E, nesse constante aprendizado, a lição mais valiosa tem sido ser justo comigo mesmo: permanecer fiel ao que acredito, respeitar meus limites, e, acima de tudo, cultivar a paz que nasce do autoconhecimento. Que a minha autenticidade incomode, se for preciso. Porque a tranquilidade de viver sem máscaras vale infinitamente mais do que a aprovação de quem nunca enxergará além das suas próprias sombras.

Inserida por mauriciojr

⁠Livros que transformam, livros que se abrem,
Livros que anseiam, livros que se fecham.

Outrora, a vida que se fazia simples e costumeira,
Sem margem à dúvida, moldava-se heróis;
Vilões eram apenas vilões. Mas o arco da história tornou-se trivial,
E novos papéis surgiram da velha história contada,
Passamos a entender que o simples, às vezes, era equivocado,
E que o vilão, na verdade, era vítima de um sistema opressor,
Trancafiado na cela do tempo, uma parte omitida,
Sequer mencionada, pois exibi-la traria ao conto um tom cruel.

O bom, ao tornar-se errado, perde o traço do amável.
Como antes se dizia: livros se fecham para que novos e complexos livros se abram,
Mas continuam a história, rasgando em tiras a omissão dos detalhes belos e dourados.
E para isso, é preciso começar pelo rosto amável que a história massacrou,
Forjando, assim, o vilão intrínseco e indescritível,
Que, desde o início, ninguém resguardou,
Outrossim, apenas condenou.

Inserida por gildersonsantos

Muitos vilões ficariam sem função caso suas histórias fossem bem contadas⁠

Inserida por RandersonFigueiredo

⁠Na grande maioria das vezes a sombra do herói é muito maior do que a verdadeira bondade escondida no olhar do vilão

Inserida por RandersonFigueiredo

Não me importa se tornarás uma super heroína ou uma super vilã, eu estarei aqui.
se escolheres ser super heroína, serei o senhor incrível, se escolheres ser a super vilã, nas sombras da escuridão da noite irei encontrar o meu amor, de dia correrei atrás de você por ser o mocinho, a noite tenho-te em meus braços.

Inserida por wesleydbmarques

⁠Os piores vilões sempre fingem uma falsa empatia antes de impor seu domínio ideológico, criando uma servidão disfarçada de ajuda.

Inserida por LeonardoBrelaz

⁠O paradoxo do silêncio: nobre em certos momentos, cruel em outros. Capaz de vencer batalhas onde nenhum argumento é suficiente, mas destrói grandes amores ao semear dúvidas e distâncias sem retorno.

Inserida por LeonardoBrelaz