Vida e Morte
Onde calam todas as coisas
Calam as rochas
aos pés da montanha.
Cala-se a morte
diante da vida.
Calam-se o sol
diante da lua
e a lua
diante do mar.
O mar cala-se
nos braços do horizonte.
E o homem nos braços da mulher
tende a se calar.
Cala-se a fome
com um pedaço de pão
e a sede
com uma taça de vinho.
A alma cala no corpo
que por sua vez,
cala na terra
a sete palmos abaixo do chão,
sob um pé de manga rosa.
A morte parece loucura e causa espanto, não existe cura. Uma floresta incendiada assim está minha alma vivendo em cinzas...
-"Que dia ruim".. -"prefiro a morte"... -"Que agonia..."Que vida chata"... são tantas as coisas que falamos sem realmente senti-las que quando sentimos de verdade nada falamos.Nada! Pois a tristeza amarga a boca e silencia a língua.
Paradoxalmente, quando refletimos sobre a morte, não estamos pensando na perda de algo, mas sim, no que podemos ganhar aproveitando melhor a vida.
Vida que jaz terrenos sombrios
Esmera a docilidade da morte
Em cálido hálito de amor
És puro desejo fugidio
No sortilégio da dor
“ os acontecimentos são aleatórios, vida e morte seguem a mesma linha, não existe um plano divino quanto a isso “
Uma coisa é preocuparmo-nos com a morte de outro, ao longe. Outra é, de súbito, tomar consciência da própria putrescibilidade, de viver na vizinhança da própria morte, de contemplá-la enquanto possibilidade real. À partida, é esse o terror suscitado pelo confinamento a muita gente, a obrigação de, por fim, responder pela sua vida e nome.
A morte é uma passagem inevitável que todos nós teremos que enfrentar um dia. Mas, em vez de temê-la, devemos aprender a aceitá-la como parte natural da vida e a valorizar cada momento que temos neste mundo como se fosse o último, para que possamos viver plenamente e sem arrependimentos.
Além do rio azul
As ruas são de ouro e de cristais
Ali tudo é vida, ali tudo é paz
Morte e choro, nunca mais
Tristeza e dor, nunca mais
O tempo é a balança na qual equilibra-se a vida e a morte, a estagnação e a mudança.
Embora enfraqueça o corpo e corroa a vontade, também acalma as dores e concede sabedoria. Ele devasta reinos, devora civilizações e mata deuses, ao passo que dá lugar a novos povos, permite a ascensão de outras culturas e cria novas maravilhas.
O passado pode ser imutável, mas seu para moldar é o presente, e, com ele, o futuro. Esqueça o que já foi ou poderia ter sido, focando no que é e no que ainda poder ser. Aceite o passado, viva no presente, e sonhe pelo futuro - por que nunca se sabe para qual lado a balança vai se inclinar.
O pó da terra, a lama da água, a vida em transmutação impermanente. Vida, morte, renascimento. A tríade indivisível.
Soraya Rodrigues de Aragão
