Viagem

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[RELATOS DE VIAGEM COMO FONTES POLIFÔNICAS]


A polifonia implícita de algumas fontes historiográficas pode ser exemplificado pelos relatos de viagem – como aqueles que foram produzidos desde o início da modernidade por viajantes europeus que estiveram na América, Ásia e África, e que, assim, registraram suas impressões sobre os novos mundos culturais, sociais e ambientais com os quais estavam se defrontando nas suas viagens pelos novos mundos e oceanos. Neste tipo de textos que são os relatos de viagem, existem claramente duas ou mais culturas em confronto. Há o olhar cultural trazido pelo viajante que registra o relato, mas há também a cultura que é percebida e registrada, e que termina por encontrar sua própria voz através do discurso do viajante, embora nem sempre sendo compreendida pelo mesmo e, via de regra, gerando contradições e interações, estranhamentos e deslumbramentos.

Retenhamos em mente o exemplo do explorador europeu do século XIX que visita tribos indígenas com padrões culturais bem distintos dos seus e procura registrá-los, às vezes utilizando seus próprios filtros e adaptações, empenhando-se sempre em encontrar na sua própria língua e dialetos sociais conhecidos as palavras que poderão expressar de maneira adequada ou aproximada aquelas realidades para ele tão desconhecidas. Posto isto, apesar das dificuldades e estranhamentos que podem ocorrer ao se falar sobre um “outro”, há uma cultura que consegue se expressar através da outra na dialética estabelecida pelo viajante que relata e pela cultura e população que é retratada. A polifonia, neste caso, dá-se de alguma maneira por camadas, ou ao menos através de rugosidades, pois o relato cultural produzido por um certo sujeito histórico-social recobre uma outra cultura, para a qual ele abre espaço através do seu próprio relato.


[extraído de 'Fontes Históricas - introdução aos seus usos historiográficos'. Petrópolis: Editora Vozes, 2019, p.285].

Inserida por joseassun

⁠[RELATOS DE VIAGEM COMO FONTES DE POLIFONIA IMPLÍCITA]


A polifonia explícita, nas fontes históricas, é bem perceptível já a uma primeira leitura, a exemplo dos jornais e processos criminais, que costumam segregar os diferentes discursos e vozes sociais em espaços bem definidos no interior da configuração textual maior que é o jornal ou o processo que está sendo examinado. O olhar historiográfico, mesmo inexperiente, facilmente percebe cada voz em um território próprio e bem definido, onde as vozes dialogam mas sem se misturar ou se emaranhar umas com as outras.

Mas a polifonia implícita requer maior experiência historiográfica para ser decifrada. Pensemos aqui nestes tipos de fontes dialógicas que se expressam através das camadas de alteridade, como é o caso daquelas nas quais um determinado agente histórico ocupou-se de pôr por escrito as falas, as ações e os comportamentos de outros, muitas vezes em discurso indireto ou através de uma fala encoberta. Essas são dialógicas não apenas porque são várias estas “falas de outros”, mas também porque o mediador, o compilador da fonte ou o agente discursivo que elabora um texto sobre o texto, representa ele mesmo também uma voz – quando não um complexo de várias vozes, já que através do mediador pode estar falando também uma instituição, uma prática estabelecida, uma comunidade profissional - uma cultura! -, para além de sua própria fala pessoal.

Os relatos de viagem, que podem ser indicados como um bom exemplar do dialogismo implícito, podem constituir um exemplo mais do que oportuno. Pensemos naqueles viajantes europeus que estiveram percorrendo a África, a América do Sul e particularmente o Brasil – considerando que isso atendia a uma nova moda romântica bastante em voga no século XIX. Estes viajantes entram em contato com culturas que lhes são totalmente estranhas, e fazem um esforço sincero de compreender e transmitir a um leitor – que eles idealizam sentado confortavelmente em uma residência europeia – as estranhezas que presenciaram, as aventuras e desafios que tiveram de enfrentar por serem europeus aventureiros em terras tropicais que consideravam exóticas e selvagens, bem como os desconfortos e inadequações que tiveram de enfrentar nas cidades rústicas, habitadas por novos tipos sociais tão desconhecidos para eles como para seus leitores.

Marco Pólo (1254-1324), com o seu célebre Livro das Maravilhas, ditado e publicado nos últimos anos do século XIII quando esteve encarcerado em uma prisão genovesa, já trazia à literatura medieval um protótipo para os relatos de viagens que seriam tão comuns no período moderno. Seu livro apresentava uma narrativa na qual era descortinada, aos seus leitores dos vários países europeus, um mundo completamente distinto de tudo o que eles até então haviam visto. A China e outras terras do oriente surgem nos seus relatos com toda a sua imponência dialógica, beneficiando os europeus de sua época de um choque de alteridade que mais tarde lhes seria útil, quando quiseram submeter as populações incas e astecas nas Américas do século XVI.

Por outro lado, mais uma vez surgem os dialogismos na própria constituição primordial do Livro das Maravilhas, uma vez que Marco Pólo ditou seus relatos para seu colega de cela, o romancista Rustichello da Pisa. Este não hesitou em acrescentar ao manuscrito os relatos oriundos de suas próprias viagens e casos que ouvira de outros viajantes, de maneira que no próprio polo autoral já surgem vozes que não apenas a de seu autor central. O dialogismo, por outro lado, dá-se não apenas por causa desta peculiaridade, mas principalmente em decorrência do confronto que se estabelece entre duas grandes civilizações. Falar sobre o outro pode, de algum modo, dar voz ao outro. No caso, a 'voz do outro' emerge, aqui, por dentro de uma música que a encobre, como se estivéssemos escutando uma das suítes para violoncelo de Johan Sebastian Bach para este instrumento cuja prática é deixar que soe uma nota de cada vez - uma nota depois da outra - mas que nas mãos de Bach parece nos fazer escutar ao mesmo tempo muitas vozes no interior da música que a recobre. Nos relatos de viagem também escutamos diferentes vozes por dentro da voz do viajante: vozes que emergem quando menos se espera, que se emaranham no discurso do autor, que se infiltram nas suas rugosidades.


[texto extraído de 'Fontes Históricas - introdução aos seus usos historiográficos'. Petrópolis: Editora Vozes, 2019, p.295-297].

Inserida por joseassun

⁠Certamente a viagem mais incrível que se pode fazer nessa vida é para o lado de dentro de si.

Inserida por solange_simal

Fim da Viagem


⁠Antes que eu saia
Pela tangente
No giro do carrossel
Me atiro ao céu

Inserida por samuelfortes

⁠A Viagem

O trem é um só, com muitos vagões;
O trem é um só, com vagões diferentes;
O trem é um só, contemple as regiões;
O trem é um só, não sejam apenas divergentes;

O trem é um só, aproveite a vida;
O trem é um só, viva a oportunidade;
O trem é um só, mas um dia chegará a partida;
O trem é um só, que chegue a ida pela idade;

O trem é um só; plante o amor;
O trem é um só; demonstre seu valor;
O trem é um só, mostre o seu ser;
O trem é um só, volte para novo resplandecer;

By José Schmitsler Filho

Inserida por jose_schmitsler_filho

⁠Autoconhecimento é um viagem sem volta.

Inserida por allan_felipe_freitas

⁠O amor é uma viagem louca , intensa ... de pele na pele , arrepio , toque ... beijos na boca... de estações dos pés a cabeça..com destino final , a alma ...

Inserida por bebelia2000

Enlouquecer é como voltar de viagem e encontrar a casa vazia, a despensa revirada e as camas desfeitas, porém, jamais saber quem dormiu na sua cama, quem comeu sua comida.

Benjamín Labatut
La Antártica empieza aquí. Santiago: Penguin Random House Chile, 2012.
Inserida por pensador

⁠Conhecer bem o local onde se mora pode ser uma grande viagem

Inserida por alvarolsazevedo

⁠A matéria de um ser humano naturalmente apodrece, já sua alma ⁠parte perene para uma nova viagem astral.

Inserida por Maxwouters

⁠A vida é como uma viagem de trem, o intervalo entre estações é o tempo que vivemos, e elas nosso destino. Em qual vamos ficar, depende do nosso comportamento nos intervalos.

Inserida por DamiaoMaximino

⁠"O fim de uma viagem é o início de outra."

Inserida por renato_ribeiro_autor

⁠Quando embarcar em viagem definitiva para a imensidão cósmica, levarei na bagagem um monte de saudades de pessoas amorosas que cruzaram na minha vida; na solidão dos dias, lembrei-me, com gratidão daquelas pessoas que me estenderam as mãos.

Quando eles souberem da viagem que os aguarda, estarão perdidos sem nossa luz.

Inserida por pensador

⁠Fuja do hábito de alimentar os problemas, pois podem virar bagagem de viagem por toda a vida.

Inserida por VicenteCunha

⁠A paz não é um destino. A paz é a própria viagem.

Inserida por andres_gianni

⁠A vida é como uma viagem de trem. A cada embarque pessoas novas entram em minha vida. A cada desembarque acontece sempre uma despedida. Vou contemplar a paisagem enquanto ainda estou aqui. Vou preferir estar perto de quem eu amo e de quem me faz sorrir. Não importa a situação em que nos encontramos. Quero aproveitar enquanto posso. Apreciar os encantos e tirar lição dos desencantos.

Inserida por gislainnes

⁠"Muitas pessoas não acreditam na viagem no tempo, mas escute uma música e o tempo irá até você"

Inserida por Marlon_Jr

⁠Faça uma viagem até à forca, você verá vários assassinos dizendo que fizeram isso por necessidade.

Inserida por pensador

⁠Na vida sou mais um passageiro.
A viagem é minha, mas é Dele o roteiro.
Então, nem me importa o nevoeiro.

Inserida por wiliam_oliveira