Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues
É muito complicado lidar com a morte em si. E viver a dor do luto do outro de forma profissional é poder sustentar tudo o que aquela pessoa (família) pode fazer naquele momento o qual nada sustenta. Seria como dar liberdade às lágrimas de quem encontra no desespero a loucura instantânea da realidade insustentável.
Se despir do que nos impossibilita de crescer algumas vezes não é um processo simples e fácil, mas quando se quer... sempre podemos surpreender. E naturalmente as coisas tomam seu rumo de forma progressiva, buscando na evolução pessoal o serviço maior que nossa utilidade dispõe ao mundo.
Quando a vida te impulsiona mudar, rever, contestar, refletir e, sobretudo progredir, nasce uma força voraz que nos leva à sede de aprender, aprender que a vida pode te tirar sorrisos, mas ela pode te exaltar perante a qualquer tristeza... presenteando teus dias com a divindade do saber, e só então, vivenciar a satisfação de ter tua existência em prol daqueles que verdadeiramente precisam de ti.
Temos que deixar de olhar para as pessoas com os nossos olhos. Uma cara bonita e meia duzia de palavrinhas simpáticas não fazem um carácter...
Feliz é aquele que não tem sua auto estima baseada em curtidas em uma foto, mas no caráter que carrega em si mesmo.
Coragem é dizer o que sente, decência é criar e não copiar, bondade é viver sem a ninguém prejudicar... O resto é pura falta de educação!
mas eu sou apenas esse pequeno homem, que aparece sempre no mesmo lugar, para os mesmos compromissos, o que poderia eu fazer para melhorar essa sociedade alienada?
não seria mais conveniente zelar pelos poucos cabelos que restam-me? a quebrar cabeça com essas criancinhas tolas, endiabadas, cheias de ódio em seus corações.
... não me pressionem, eu sou apenas um garoto
Se eu pudesse dar sentido ao que sinto, daria símbolos aos meus sentimentos, formaria uma nova língua, um novo verbo, algo tão sólido quanto à hipocrisia do homem. Traria a superfície o imperfeito, o que ainda não tem forma, o que busca sabor, Aquele que experiência a vida sem ignorar a condição da morte, o que ama sem saber o que ama. O que faz escorrer plasma na ferida que não pode ser cicatrizada, verbalizaria a dor que me faz sentir vivo e o vendo que fere sem machucar.
Se eu pudesse escrever o que sinto, escreveria um livro sem sentido, deixaria páginas em branco por não saber dizer o quero dizer, discriminaria cada pecado perdoado e cada desejo sem vontade alguma. Pularia pautas que não se descrevem e por fim escreveria um conto fictício de alguém que não conheço.
Se eu pudesse falar o que sinto, diria que conheço cada sentimento sem sentido que tenho, cada dor que sei por que dói. Falaria da saudade de quem odeio ter, das magoas que não se curaram, das manchas na pele que o tempo faz lembrar. Sussurraria palavras com a intimidade que gosto de ter e dos afetos que não pude viver por não querer viver. Contaria dos amores que tive e das desilusões que me fizeram sentir mais humano. Falaria de como usar a arrogância em prol de si e sobre o prazer sádico de tem uma mente sarcástica.
Se eu pudesse mostrar o que sinto, mostraria o amor que tenho sobre a vida, a vergonha que sinto por uma timidez que não existe, das resistências por sobrevivência. Mostraria as palavras que fluem entre meus dentes e os sentimentos que levo no estômago. Mostraria a vergonha de minha nudez como pessoa e personificaria a criança que sonha sem dá sentido, que não escreve uma só palavra se motivo, e sobretudo, mostraria sem vergonha o homem que a vida deu nome e orgulho de ter intrínseco em si o inacabado.
Ter dii é sentir passar o mundo por dentro de nós sem ignorar a imensidão do universo do lado de fora.
Previsível
Nada mais frustrante que alguém previsível, o qual se olha e não desperta intenções. Que o caráter é duvidoso, que qualquer ato já é o esperado. Aquele que não conquista, que se limita ao que diz, vazio do amor original e de sonhos coletivos. Que o encoberto se apresenta pelo desmentido que faz do encanto o desencanto na espera da decepção previsível chegar. O que se abstém do afeto pra saciar a urgência egoica do sadismo perverso de seu mundo alheio aos objetos transferenciais.
