Versos Sobre as Árvores
Ode de despedida
As árvores da minha terra
já não morrem em pé…
morrem nas manhãs frias de nevoeiro,
morrem numa paleta policroma desbotada,
morrem num tempo esculpido por uma soturna melancolia,
morrem no ocaso da memória continuamente vivida,
morrem na toponímia de um corpo consumido,
morrem
morrem as minhas raízes
silenciadas dentro de mim.
Quando o machado entra na floresta, as árvores acreditam que o cabo, feito da mesma madeira, irá defendê-las.
Mas a dor vem justamente daí: nem sempre quem está ao nosso lado está, de fato, do nosso lado.
Em campos onde o silêncio se estende,
o lobo caminha entre árvores,
alma selvagem em paz, até que mãos rudes
rejubilam no aço, no fogo da agressão.Provocam-no com o veneno do medo,
arrancam-lhe a calma, rasgam o seu manto,
e quando a fera solta o uivo da dor,
rotulam-no de mau, titãs do juízo cego.Não veem o açoite que partiu seu chão,
não ouvem o grito sufocado em seus olhos,
só julgam o rugido que brota da dor,
escondendo a origem, negando a razão.Assim, o lobo é julgado pela reação,
mas quem planta o tormento colhe a tempestade,
e no eco da defesa, nasce a verdade:
a fera não escolhe ser, é feita pela opressão.
Sob o céu, o mar bramia.
O vento sussurrava nas pradarias.
Sobre as árvores, pássaros cantavam uma linda melodia.
No outono frutíferas, na primavera floridas, as árvores embelezam a vida.
É a onipotência do Criador.
A Ele toda glória e louvor.
A arvore torta vive muito tempo!
Já a árvore reta vive também bastante tempo, porém na forma de móveis e utensílios.
A história do Diabo e do Cavalo:
Um cavalo estava amarrado a uma árvore.
O diabo veio e o soltou.
O cavalo entrou na horta de camponeses vizinhos e começou a comer tudo.
A mulher do dono da horta, quando viu aquilo, pegou o rifle e matou o cavalo.
O dono do cavalo viu o cavalo morto, ficou enraivecido e também pegou seu rifle e atirou contra a mulher.
Ao voltar para casa, o camponês encontrou a mulher morta e matou o dono do cavalo.
Os filhos do dono do cavalo, ao ver o pai morto, queimaram a fazenda do camponês.
O camponês, em represália, os matou.
Aí perguntaram ao diabo o que ele havia feito e ele respondeu:
– “Não fiz nada, só soltei o cavalo”.
O diabo faz coisas simples...
Porque sabe que se o nosso coração está sujo, a nossa maldade faz o resto.
Havia um burro amarrado a uma árvore.
O demônio passou por ali e o soltou.
Livre, o animal invadiu a horta dos camponeses vizinhos e devorou tudo o que encontrou.
A mulher do dono da horta, ao ver a destruição, tomou o rifle e disparou. O dono do burro, ao ouvir o tiro, correu até o local, encontrou o animal morto e, tomado pela fúria, revidou contra a mulher.
Quando o camponês regressou, encontrou sua esposa caída e, em vingança, matou o dono do burro. Os filhos do homem, ao verem o pai morto, incendiaram a fazenda do camponês.
Este, em represália, ceifou-lhes a vida à bala.
Então perguntaram ao demônio o que havia feito para causar tamanha desgraça.
Ele respondeu com frieza:
— “Não fiz nada… apenas soltei o burro.
Hoje, ao amanhecer, os passarinhos deixaram as copas das árvores e voaram como em qualquer outro dia, leves, confiantes, donos do céu.
Entre o fim da manhã e o início da tarde, algumas árvores do condomínio foram cortadas. Troncos ao chão, galhos silenciados, sombras desfeitas.
No cair da tarde, já na beira da noite, eu os vi outra vez. Voavam em círculos, inquietos, como se procurassem no vazio aquilo que, horas antes, era abrigo. As árvores eram suas casas, seus ninhos, talvez o berço de futuros filhotinhos.
É espantoso como tantas coisas podem mudar em poucas horas.
E eu fico aqui, pensando nos passarinhos — e na delicadeza frágil de tudo o que chamamos de lar.
O farfalhar das árvores no bosque
lembra o arrepio da pele
ao encontro do teu abraço.
O suor que me escorre
recorda as lágrimas que te descem,
e o vosso peito
que em silêncio se fere.
Na penumbra da noite,
o sol ainda permanece.
No amanhecer da manhã,
a lua também estará.
Tudo aquilo que recordo
não se perde —
permanece.
Em algum lugar,
em alguma coisa que ainda fala,
mesmo quando já não se vê.
ESTRELA DO MAR
Se a estrela me compara,
Com quem vou comparar?
Se a árvore me destaca,
Com quem vou destacar?
Só se for com a estrela do mar...
" O fundamento do Evangelho é Cristo… Ele é quem sustenta a vida.
A árvore só dá fruto porque está enraizada no fundamento correto… não é o fruto que sustenta a árvore.
Deus não pede fruto para dar vida… Ele dá vida para gerar fruto."
A sabedoria se aproxima dos diligentes,
como vento que acaricia as árvores despertas.
Ninguém a prende, ninguém a detém;
vem e vai segundo o seu querer,
abençoando os corações atentos,
e deixando os distraídos na sombra da ignorância.
Filho, algumas pessoas avistam uma árvore com interesse.
Aproximam-se buscando sombra para o cansaço, alimentam-se do fruto, recuperam as forças…
e, assim que se sentem bem, atiram o caroço contra ela.
Observe a vida dessas pessoas.
Elas não avançam, apenas transitam.
Vivem de árvore em árvore, de ajuda em ajuda, de relacionamento em relacionamento.
São incapazes de reconhecer a própria inutilidade, porque fogem do confronto.
Preferem culpar pessoas, culpar contextos, culpar circunstâncias.
Agora, observe a árvore.
Ela permanece firme, mesmo ferida.
Continua frutífera, mesmo rejeitada.
E segue grata, porque sabe quem é
independente de quem se alimenta dela.
Quando uma semente plantada em terreno fértil, germinará uma frondosa árvore que fará sempre o elo entre o plantador e o colheiteiro.
Se você induz uma pessoa a fazer o bem, certamente estará plantando essa semente, e a outra pessoa sabendo aproveitar as oportunidades de seguir aquele caminho que lhe foi apontado, estará colhendo os louros que foram mostrados.
Vamos plantar sempre o bem para que o próximo faça uma colheita farta, porque assim, estaremos também nos beneficiando desses frutos colhidos através de nossas ações.
Sarcasmo e Arvore
Com dificuldade
Ergo-me
Na saudade do amigo
Que
Se perdeu na eterna saudade
Daquele espelho
Me olhando
Tomo o café da manhã
À minha e à sua vontade
O gigantesco abismo
Goza a delícia de ser
Lábios roxos
Assim passeio por ele
Sem sua infantilidade
Onde a cobra fuma
Seu moderado cigarro
Admirando seu ventre
Trazendo o sol batido de vento
Enquanto o mar tece a trama
Imóveis na solidão
Juntos a novos anjos cativos
Na luta de classes
Honorárias prisioneiras
Mulheres
Que o simples toque pode romper
Por um momento
Todos e infinitos talentos em seu seio
Maior que a força contida no ato
Na móvel linha do horizonte
De certa forma,
eu sempre me senti
completa e serena
nos lugares onde eu pude
ver as Árvores e o Mar...
Afinal...
A minh'alma
tem as cores e os olores
da Mata Atlântica
e do Oceano Atlântico...
E o meu Lar
é a Região Oceânica de Niterói...
✍©️@MiriamDaCosta
@miriamdacostamiry
Primeiro derrubam as árvores 🌳🌳🌳
depois constroem condomínios,
bairros ( alguns até chamados de “bairros ecológicos”)...
E no fim, nomeiam as ruas
com nomes de árvores em via de extinção
ou que já não existem...
✍©️@MiriamDaCosta
