Versos Felicidade Fernando Pessoa

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Não vou perguntar porque você voltou, acho que nem mesmo você sabe. (...) Só vou perguntar porque você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto.E esquece sabendo que está esquecendo...

Não sei o que faço, onde fico: tenho muito medo, mas confio em Deus.

Para toda angustiante interrogação, existe uma inesperada exclamação. Para toda vírgula que não te deixa ir adiante, existe um ponto final. Para toda reticência que dói para sempre, existe um novo parágrafo.

Tenho medo de endurecer, de me fechar, de me encarapaçar dentro de uma solidão-escudo. Ando meio fatigado de procuras inúteis…

A vida é assim: Melhores amigos estarão sempre juntos, aconteça o que acontecer.

O que você mentir eu acredito.

Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto.

Importa apenas o teu sorriso e nada mais.

Perdi um pedaço, tem tempo. E nem morri.

Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não.

Recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos.

Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro.

Por trás da fragilidade física escondia-se uma extraordinária força.

Parece difícil de enxergar que insistir nisso é perda de tempo, é perda de vida em uma causa perdida.

Te escrevi duas vezes: a primeira saiu uma coisa sincera, mas lamentativa demais, um saco. A segunda saiu “madura e controlada”, mas extremamente falsa.

Não fique aí remando contra a maré, dando murro em ponta de faca. Veja – se não fora pra ser, não vai ser.

E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói.

Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu: O essencial da década de 1970

Ele era um anjo, e anjos não pertencem à Terra.

Ela era mais do que linda. Era viva. Sarcástica. Tensa. Meio confusa. E rainha.

Alguma coisa aconteceu comigo. Alguma coisa tão estranha que ainda não aprendi o jeito de falar claramente sobre ela. Quando souber finalmente o que foi, essa coisa estranha, saberei também esse jeito. Então serei claro, prometo. Para você, para mim mesmo. Como sempre tentei ser. Mas por enquanto, e por favor, tente entender o que tento dizer.