Versos Felicidade Fernando Pessoa

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Como é que eu podia saber que aquelas rosas eram carnívoras?

Sofre horrores mas continua do bem, sempre inventando histórias com final feliz.

Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem. Ou: que se há de fazer.

O destino nada me perguntou em tirar você na minha vida, mas caso você encontre com ele, agradeça-o em meu nome…

Não se engane comigo, é na bagunça que eu me arrumo.

Anota aí para seu futuro: desapegar das pessoas, se importar menos, não se abalar por nada nem ninguém, correr atrás daquilo que faça seu coração vibrar, ficar perto de quem te quer bem, correr atrás dos seus sonhos, se amar mais, esquecer tudo aquilo que te faça mal. Anota aí: cair na real.

Foi aí que a solidão deixou de ser involuntária para se transformar em escolha. E foi bom, está sendo bom.

Olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando – Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando.

Gosto de olhar as pedras e os desenhos do vento na superfície da água, gosto de sentir as modificações da luz quando o sol está desaparecendo do outro lado do rio, gosto de sentir o dia se transformando em noite e em dia outra vez, gosto de olhar as crianças brincando no corredor de entrada e das palmeiras que existem no meio da minha rua — gosto de pensar que vou sempre ter olhos para gostar dessas coisas, e por mais sozinho ou triste que eu esteja vou ter sempre esse olhar sobre as coisas.

...que lindo encontrar contigo todas as manhãs de todos estes dias de todos estes anos...

A gente se entrega nas menores coisas.

Este vazio de amor todos os dias: a cabeça pesada ao meio-dia, a boca amarga, um cheiro de sono e solidão nos cabelos...

Que eu saiba puxar lá do fundo do baú o jeito de sorrir pros “não” da vida.

Fico quieto. Primeiro que paixão deve ser coisa discreta, calada, centrada. Se você começa a espalhar aos sete ventos, crau, dá errado. Isso porque ao contar a gente tem a tendência a, digamos, "embonitar" a coisa, e portanto distanciar-se dela, apaixonando-se mais pelo supor-se apaixonado do que pelo objeto da paixão propriamente dito.

Fica? Passa? Vai? Volta? (...) Não sei nada, mas foi lindo.

Crie laços com as pessoas que lhe fazem bem, que lhe parecem verdadeiras.

Talvez tudo, talvez nada...

Aprendi a ter uma enorme admiração por mim mesmo.

Às vezes o que parece um descaminho na verdade é um caminho inaparente que conduz a outro caminho melhor.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros.