Versos de Tristeza
É pedir demais?
Querer alguém que se ponha no seu lugar?
Que não grite,
Que não imponha limites tentando mudar quem se é,
Que receba de braços abertos,
Porque eu tenho assim os meus,
Que nos dias mais tempestuosos seja abrigo,
Não mais um motivo de solidão,
A pior solidão que se dá na companhia,
Na má interpretação de palavras,
A tristeza que vem da alma,
Da ferida de uma palavra mal dita,
Estou cansada de ausências,
De tomates que se fazem de maçã,
Da dor das escolhas erradas,
Dessa falta de paz,
Aliás...
Não sou boa com escolhas,
Gostaria de me colocar numa bolha,
E poder viver em paz,
Sem leva e traz,
Sem gritos,
Sem ruídos de palavras Mal Ditas,
Mal escolhidas,
Vazias e em vão,
Me dando vontade de ir...
Sem insistir,
Falta coragem,
E eu deveria seguir.
" Pra você, meus versos "
Me sentia livre, satisfeito
Tudo era bom, perfeito
Vontade de você, desejo
Só queria paz, seu beijo
Amava seus discursos, diretos
Tua presença aqui, por perto
E o teu sorriso tímido, discreto
E até seus pensamentos, incertos
Tu eras tão feliz, contente
Seus olhos radiantes, ardentes
E falavas tão bem, fluente
Tão simples, delicada, tão gente
Quando você se foi, me perdi
E até chorei, não dormi
E eu não fui feliz, não sorri
Não segui minha vida, não vivi.
A perda
Que dor e essa;
Que vem de dentro; Começa e não sessa; Vivo muito sedento;
Estamos sozinhos;
Sem ninguém pra nós ajudar; Saímos de fininho;
Pra ninguém escuta;
A noite calma;
Tristeza no ar;
De quem perdeu a alma; Por tanto te amar;
Tanta dor;
Muita decepção; Sinto o odor;
Da putrefação;
Minha alma chora; Pelo fim da solidão; Que aumenta a dor; Dentro do coração;
Coração machucado; Coração doente; Onde foi pisado;
E está carente;
Triste para mim;
Dizer que este é o fim; Que meu caminho; Agora é viver sozinho...
Pai
Grande pai!
porrada na cara
filho caído
perdeu a memória.
Grande pai!
joga-se um livro
acerta na cara
boca inchada.
Grande pai!
tira sua roupa
te joga no chão.
Grande pai!
maior que você
menor que sua força.
Saudades do Rio pulsando em meu coração
Melodias de samba da mais linda tradição
Já não se sai mais nenhum som das duras cordas do violão
Vou pedir para o criador devolver minha paixão
Meu amor, não me dê mais lamento
Não me abandones mais
Fique no meu pensamento
Devolva-me seu ar
Preciso continuar a viver
Preciso respirar
Me devolva a alegria carioca..
Frio Minnesoteano
Vagando pelas estreitas ruas de Minnesota
A neve cobrindo os nossos sapatos
Os flocos se desmanchando ao caírem no seu nariz rosado
Suas mãos congeladas agarradas ao meu casaco
Meu olhar deslizando pelos seus cabelos castanhos ondulados
Querendo ir de encontro aos seus olhos encantados
Enfeitiçados, extasiados
Nesta bela noite estrelada por anjos alados
Do jardim...
Se por acaso encontrar
Aquela crosta manchada e congelada
Que parece um estufim
Não a destrua, meu amor
Ela nos impede de alcançar o fim
Apenas deixe a pequena e fria redoma
E retorne para nossa querida e linda
Minnesota.
aos poucos
a gente desiste de tentar conseguir,
aos poucos
a gente desiste de desistir,
aos poucos a gente para,
aos poucos...
até não sobrar nada.
Amor Melancólico
Tão somente amamos a nós mesmos,queremos amar a outra pessoa, assim é o amor e a maldição da paixão.
Não basta amarmos alguém com todas as nossas forças, a vida não corrobora com esse detalhe, temos de sofrer a cada instante.
Se deixamos de estar apaixonados por alguém, e realmente se prova o amor, aí sim temos o verdadeiro sofrer.
Amor Amigo
Quando amamos a alguém próximo, sofremos de proximidade, não um sofrimento qualquer, uma angustia e um nó na garganta, faltam palavras para tal descrição, amar uma pessoa já se torna uma missão difícil, pois o ato de amar a si próprio já não é uma tarefa simples.
Amar alguém que temos uma profunda amizade, uma pessoa que seguidamente encontramos, torna-se um via de duas rotas, ou perfeito, quando é reciproco tamanho sentimento, ou tortuoso, quando se ama sem ser correspondido, tal cura é impossível.
porto
há uma saudade em mim no cerrado
ancorada nos barrancos ressequidos
são arrancos no peito em ronquidos
num espectral sentimento entalado...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
julgar,julgar,julgar,julgar,julgar!!!!
por erros que fizeram magoar a pessoa que eu amo, mesmo eu mostrando que me arrependi todos os dias, eu sou julgado toda hora.
O milagre da manhã
a noite passou, e eu nem percebi...
nem vi o sol se por , e nem senti o vento do dia...
não estou perdido, mas muitas coisas eu perdi,
sinto a dor, faz tempo que nem sei o que é alegria...
a vida se passando diante dos meus olhos,
olho em volta e não acho graça e nem beleza...
o jardim sem flores...
no coração tristeza;
não esqueço o triste passado,
parece que nada muda;
navegando em um mar de incertezas,
nenhuma mão se estende,
nenhuma ajuda.
e os dias vão se passando...
a noite eu passo não sei se em claro ou sonhando...
minha vida é um vapor,
um fino grão de areia...
uma nuvem vã....
mas nesta noite
ainda acredito
e o sol brilhará
e eu vou esperar
o milagre da manhã.
Tudo que eu vejo é escuridão,
Não me julgue
Meu olho está avermelhado
Não é por minha culpa,
A cada corredor o desespero cresce
Caída no chão do banheiro, eu penso se um dia eu poderia ser feliz
Será que um dia encontrarei a luz
Estou cega ou talvez só não quero enxergar
Que eu nasci pra ficar só
E se as lágrimas, não pararem de descer
Eu posso gritar
Sei que ninguém vai ouvir,
Não quero alguém pra me salvar
Quero que fique comigo nesse caos
Dance comigo, através dessa música triste
Tudo não passou de um sonho
Ou talvez um pesadelo
Você não estava mais lá, mas eu conseguir ouvir pessoas perguntando se eu estava bem
Eu estava bem?
Eu não sei, mas o coração batia cada vez mais e mais forte
Dance comigo por favor, mais uma vez
Até tudo isso parar
TÉDIO (soneto)
Sobre minh’alma, no cerrado ao relento
Cai tal folhas ao vento, dum dia outonal
Um silêncio mortal, dum vil argumento
Tão brutal, o aborrecimento, tão fatal!
Oh solidão! Tu que poeta no momento
Abandono, no mundo, a mim desigual
Me dando ao pensamento o lamento
Num letargo sentimento descomunal.
Só, sem sonho, sem um simples olhar
Deixar de sonhar, como então fazê-lo?
Se é um aniquilamento assim estar...
Deixar o enfado num desejo em tê-lo
O que não vejo! Porém, estou a ficar.
Ah! Dá-me a aura da ventura em zelo.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Agosto, 23 de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
SONETO "X"
Como o talho do punhal numa emoção
A perfídia escorre do peito num sofrer
Num fio navalhado dentro do coração
Que no sentimento se põe a morrer
Mora em mim o teu "x", tão mutilação
Que o amor não mais pode entender
Vida e morte em uma una conjunção
Que o meu ser se cansou de ceder
Viver a presença e não a solidão, sorte
Pois o suporte não se acha pelo chão
E tão pouco para paixão é um aporte
Então, domine o teu querer, tua ilusão
Viva a vida, tão breve, com total porte
E tenhas equilíbrio no sôfrego coração
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2017, outubro
Cerrado goiano
Pensamentos e emoções
Totalmente confusos
A vida parou
O relógio quebrou
E o mundo acabou
Até às mais belas paisagens
Cinzaram em completos nadas
Perdão
Perdoe-me por minhas atitudes
Mas como me perdoaste
Se nem eu me perdôo
Sou apenas um nada em meio a partes quebradas
E peço perdão pela minha existência insignificante
Desculpe por lhe deixar assim
Apenas não sei fazer nada certo
Perdoe-me e aprecie esta bela noite
E que durma
Enquanto grito por perdão para todo este universo..
Estava eu sentado em um bar,
apreciando uma doce bebida,
perdi o sentido quando a vi...
Ah, ela era incrível,
seu sorriso me encantava,
aquela doçura toda mexia com a minha cabeça,
parecia aqueles amores que te prende, sabe?
Ela se aproximou e sentou do meu lado,
deu uma risada,
eu não sabia o porquê dela me escolher,
eu tão comum,
então a música mudou e a chamei para dançar, ela aceitou.
Aquela valsa que me leva para cá e para lá,
igual a um barco em uma tempestade,
ela me conduzindo,
parecia que não havia mais ninguém naquele bar,
parecia que estávamos em outro mundo, a sós,
ela acabava com meu psicológico.
E quando a música chegou ao fim,
eu não queria mais solta-la,
pois ela não saia mais da minha cabeça...
Então resolvi perguntar seu nome,
afinal queria revê-la algum dia,
então com um sorriso respondeu, "meu nome é tristeza".
E no meio desse seu vai e vem, me sinto em um filme de terror.
Vejo sua foto e lembro de tudo que passou.
Seu cheiro ainda aperta meu coração,
Eu já nem sei o que eu sou.
E entre minhas juras de amor
Me pego esperando sua ligação.
As pessoas são passageiras dentro de um vagão,
Vem e vão.
O destino final seria a solidão?
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