Versos de Silêncio

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A condição soberana do saber é o silêncio.

Apenas o silêncio é grande, tudo o mais é debilidade.

É de desejar a preguiça dos maus e o silêncio dos tolos.

Linguagem mais eloquente que o amor é o silêncio.

A quem foram oferecidos em abundância, / dons com rosto amigo, / com aquele silêncio púdico, / aceita o dom que te faz.

Os faladores não nos devem assustar, eles revelam-se: os taciturnos incomodam-nos pelo seu silêncio, e sugerem justas suspeitas de que receiam fazer-se conhecer.

As cartas de amor proibido eu escrevi no silêncio do meu olhar, enquanto meu coração gritava.

Naquela época, se pudéssemos ter ouvido as vozes um do outro, tudo teria sido muito melhor.
(Shouya Ishida)

Dizem que a verdade pode libertar você, Isso é uma mentira!
A verdade e que as mentiras podem nos proteger, as mentiras nos mantém a salvo da verdade.

Eu não acho que você precise de uma razão para gostar de alguém, mas eu acho que quando você odeia alguém, você precisa de um motivo para odiá-lo. Você quer saber por que eu te odeio?
(Ueno Naoka)

Longe é um lugar que existe só para quem tem medo de voar.

Cuidado com palavras mansas, elas poderão obter o veneno para a vossa própria morte.

Aquietei-me, não por que a morte levou o que tinha guardado dentro da minha alma, mas para que o intervalo sirva de tempo suficiente para mostrar que tudo continua vivo dentro de mim.

A INSENSATEZ DO VENTO

Um dia perguntei ao vento:
- Porque sopras tão forte, parece que queres devastar o mundo?
Há dias que a tua brisa é tão suave, pareces esmorecido.
E o vento respondeu:
- Assim como vossa vida eu também tenho meus dias de insensatez e loucura.

O silêncio é doloroso. Mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existem momentos em nossas vidas que tudo que devemos fazer é esperar. Dentro de cada um, no mais profundo do ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber. Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem.

Pessoas inteligentes têm duas coisas em seus lábios, “silêncio e sorriso”. Sorriem para o problema e ficam em silêncio para evitar o problema.

O silêncio eterno desses espaços infinitos me assusta.

O belo penetra por toda parte, mesmo no silêncio e nas trevas.

Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu: Cartas. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 2002.

E nesse silêncio profundo se esconde a minha vontade de gritar.