Versos de Interesse para uma Mulher
Amanhece
E esse amanhecer parece
Uma espécie de esperança
Em coisa que não acontece
Pimenta sem gosto
Arde, como se sabor houvesse
Entardece
E junto à tarde
As nuvens vem formando
Um cinzento Céu de tempestade
Trovoada que não se ouve e nem vê
Mas conforme a tarde passa
Do jeito corre a vida
A gente vê, sim; seus efeitos
E mesmo que a chuva não caia
É igual se tivesse caido
Portanto
Era de se esperar que anoitecesse
Mas igual a qualquer esperança
Jamais acontece
Céu escuro e sem estrelas
A Lua pálida e tímida
Parece até que anoiteceu
Mas não anoitece.
Edson Ricardo Paiva.
Se fosse só viver o dia-a-dia
Sobrevindo essa tristeza
Mas a vida sempre leva uma alegria
E o tempo faz outras coisas
Junto às coisas que o tempo traz
E o tempo trouxe a compreensão
Que eu tanto queria
Sem saber que quando chega
Carrega a inocência
Que um dia fez crer que magia existe
E essa vida sem magia é muito triste
Se fosse só viver o dia-a-dia
E essa acalentada compreensão
Descortinasse o véu do tempo
Lá na ponta da luz do Sol
Pois a tudo se limita
E os dias passam de três em três
Pois isso também permite
Deixar de viver
Um dia de cada vez
Sem a dúvida
Tudo que sobra
É a total ausência de valores
No preço que nos cobra a vida.
Edson Ricardo Paiva.
De repente um pensamento
Uma lembrança que faz ver
Como passaram depressa
Os dias a compor a vida
De chegada em chegada
Amanheceres que eu vi ou não
Azar o meu, eu estava lá
Algumas vezes
O vento soprou tão suave
Que nem sequer apagariam
As velas de muitos aniversários
Para os quais não existiu abraço
Os laços não estavam lá
em nenhum presente
Aqueles do passado também se foram
Só chaves a girar
Nas portas por onde eu passei
E sempre estive do lado de fora
Não existe agenda ou calendário
E nem viagem
Mas sempre houve
Alguém que me vendesse
Pra logo em seguida, se esquecer de mim
Para um peixe, estar fora do aquário
Isso é bom ou ruim?
Edson Ricardo Paiva
Não é somente a imagem do espelho
A refletir uma memória sempre viva
É a palavra que fere
A história tantas vezes repetida
E não melhora nada
O Sol pintando o Céu de vermelho
Não traz agora, a tonalidade de ontem
Não é o fato de tirar o melhor que puder
É preciso sempre um pouco mais
É a saliva que seca
No pecado da boa intenção
Simplesmente esquecer
Relegar
Deixar de lado o medo de ferir
É a ferida em segredo
Escondida, sabe Deus, onde
Numa vida onde nada se oculta
E também que nada esconde eternamente
É essa dor eterna e imperativa
Uma ferida viva
O coração machucado a bater dobrado
Esse sim, escondido em sua dor
Que não se cala
Oculto
A falar alto desse jeito
Em revolta quase perfeita
Guardada e calada, aqui dentro do peito.
Edson Ricardo Paiva.
Passarinho
Passou voando aqui
Pousou por entre as folhas
À escolha de um galho
Fez ninho
Uma casa, onde descansa
As asas desgastadas por voar
Passarinho não tem nada
Não tem amor, não tem lar
Nem flor pra beijar
Passarinho passarinhou
Voou, voou, voou
e de tanto voar
Foi embora.
Edson Ricardo Paiva.
Passarinho
Passou voando aqui
Pousou por entre as folhas
À escolha de um galho
Fez ninho
Uma casa ...e descansou
As asas desgastadas
Em seu tão perdido voar
Passarinho não tem nada
Não tem amor, não flor pra beijar
Nenhum lar onde voltar
Esconde uma mínima lágrima
A pulveriza pelo ar
Passarinho passarinhou
Voou, voou, voou
e cantou seu cantar perdido
Sentiu-se esquecido
e foi embora.
Agora
Não se sabe onde está
E não cabe a mim
Perguntar.
Edson Ricardo Paiva.
Se fosse apenas
O lançar um olhar ao mundo
Mas tem sempre alguma coisa a mais
Uma espécie de indiferença velada
A pergunta que germina da resposta
Quantificada na imensa quantidade
das eternas reticências
Que cada um de nós a guarda
Em silêncio profundo
Que diz que não vai dizer mais nada
Pois o mal não vem daquilo que faz mal
Ele só reage de maneira diferente
de gente pra gente, quaisquer sejam elas
Eternizando a alguma coisa
Que não encaixava e não cabia
e sabia que estava lá
Igualando desiguais, tem sempre algo mais
No invisível voo da Quimera
Flutuando em seu mais baixo nível
Te aguardando, sem demonstrar jamais
Que mais e mais ela te espera
O que conta é o que tivemos desde sempre
Escondido e sem fazer ruído
Em algum lugar dentro de nós mesmos
E que a gente morre
Sem nunca saber o que era.
Edson Ricardo Paiva.
Eu quero a chuva
Num dia de Sol
No mesmo Sol
De uma manhã de inverno
Eu quero a sorte
de noite estrelada
Que seja hoje
e de novo amanhã
Calor de Sol
Numa blusa de lã
Espero
A curva lá da ventania
Eu quero vida na vida
E se eu pudesse querer
Outra coisa qualquer
Desejaria que ela fosse
Linda
Linda como a chuva
Num dia de Sol.
Edson Ricardo Paiva.
Nem sempre
Olhar para os dois lados
Antes de atravessar uma estrada
É suficiente
Cuidado
Por querer viver o que não lhe cabe
Muita gente destrói a vida
Vende a alma
E só percebe
Quando descobre que agora
É coisa morta, que se pensa viva
Que não sente nenhuma paz
Nem mesmo na própria calma
E deseja a morte querida
E tem medo também da morte
Por não ter sabido viver
Se um pobre sabe sentir-se rico
Pode ser mais rico
Que um rei que não sente nada
As pétalas secam
As folhas caem
A árvore que mais cresceu
No final daquela estrada
Um dia há de ver-se
Enfraquecida desde as raízes
Por árvores que, infelizes a rodeavam
Isso é tudo que se deve saber
A respeito da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Quando Deus
põe a gente no mundo
Tem junto
Uma coisa latente
Semente de coisa boa, muito
Que Deus bota dentro da gente
Se ela seca...ou se brota
Num primeiro momento
Normalmente nem se nota
Mas ninguém nunca vai poder
Dizer que secou a toa
Quando o solo era de areia
Não foi nem pra bem, nem pra mal.
Com o alforge repleto de almas
E algibeira de sementes
Deus semeia uma tarde inteira
Mas, quando a alma endurece
Pelo solo empobrecido
Ainda é bom pra plantar a saudade
de coisa que veio na vida
e por não ser a hora
Passou depercebida
E agora te desconhece
Merecidamente
A vida passa
Depressa como a chuva
Não existe ação prolongada
A culpa nunca é de ninguém
Nem nada
Se foi no passo que veio
E no meio desse espaço
O tempo as germina
Lágrimas secas
Não molham sementes
Caem somente
Assim como secam as folhas
Todos colhem
Conforme as escolhas.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tenho uma esperança
Que eu trouxe de lá
Do lugar de onde eu venho
Era lá nesse lugar
Que todas elas nasciam
Bonitas como Luas
Refletidas no espelho dos lagos
Eu a trago de lá
Porque lá elas eram doces
Essa é a minha
Muita gente as perdeu
Mas não eu
Que também não troquei por nada
Cada qual, conforme a vida
Não faz mal
Se alguém tiver outra igual
Pode ser que parecida
Elas podem sempre
Ser divididas ou compartilhadas
Mas quando são perdidas
Sobra pouco tempo
Pra que não sobre mais nada
Por isso eu escondo essa minha
Lá dentro do meu coração
Junto da alma
Perto da vida
Pra que nunca seja confundida
Com algo que se deixa ficar
Naquela triste escuridão
Onde perto não cresce nada
Um lugar deserto
Chamado ilusão.
Edson Ricardo Paiva.
.
Eu tive um sonho pequeno
Era plena a alegria
Era noite de verão naquele dia
Eu sonhei que uma doce Lua
Brilhava no Céu, tão bela
Igual que se estrela fosse
Mas sonhei que era noite de inverno
E que tinha sopa de ervilha
Um prato de pão torrado
E uma estante cor de palha
Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante levou
O tempo que a vida leva
Pois eu sei que a memória falha
Mas não sei se essa vida é verdade
Eu só sei que sonhar não é escolha
É como um vento, que varre as folhas
Então, só sonhei
Que eu estava sentado à mesa
E que tinha fogueira acesa
E também um amor ao meu lado
Eu tive um sonho bonito
Eu tive um poema escrito
E eu tocava um violão
Cantando pra Lua, tão bela
Mas não sei que Lua era aquela
Nem o nome do anjo que a trouxe
Mas, brilhava no Céu, tão doce
Igual que se estrela fosse!
Edson Ricardo Paiva.
"Não era uma espera
E nem primavera sem Sol
Não era pela pedra no caminho
e nem no sapato
Não era pelo fato de a via ser de dupla-mão
Não, não era
Porque por ela, só ia
Não era a linha solta e nem cruzada
Não, não era nada
Era por causa da vida
Porque era isso que era."
Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando
Ainda dá tempo
Escreva mais uma página
Que seja diferente
De tudo que se imagina
Pois vai ser
Você pensa saber viver
Mas ainda não é capaz
De fazer melhor do que a vida
Pode lançar
Um último olhar de gratidão
À página arrancada
Na voz interior
O destino presente
Semana passada
Está feito
E tem sido assim
O pretérito imperfeito
Te desaconselha
A gente não precisa crer
Mas é tão bom acreditar!
Cedo entardece nas nossas vidas
Enquanto se avermelha esse horizonte
À luz do final do dia
Tem sido bem diferente
E de tão diferente
Tem parecido ser
Tão igual, de repente
E é assim que será pra sempre.
Edson Ricardo Paiva.
Há silêncios
Que são preces verdadeiras
Mas que devem ser apenas
Uma breve comunhão
Conosco mesmos
Um leve abalo sísmico
Ridículo de pequeno
E minúsculo de breve
Que sejamos simples
Em silêncio
Juntos
Não passamos de pergunta
Difícil de ser respondida
Perdidos num pequeno espaço
Assentados numa rocha
Olhando estrelas
Em silêncio no Universo
Sua graça
Seus quasares
Nebulosas
Pilares de fumaça
Nós, seres efêmeros
Vivo estardalhaço
À Lua, prantos
Silvos
Uivos
Enquanto a caravana passa.
Edson Ricardo Paiva.
"Existe uma diferença enorme
entre não ter motivos pra envergonhar-se
e não ter vergonha na cara"
Edson Ricardo Paiva.
Fica tudo num bornal
É uma questão de perceber
A sutileza constante
O quintal é a vida da gente
E, ao que tudo indica
Pode até parecer diferente
Mas, semente semelhante
Gera sempre
Coisa igual a todo instante
Pois a vida nunca foi
Um lugar que fica ali na frente
Não lhe importa
O quanto a gente corra
Pois o tempo não descansa
Entre um sonho e uma lembrança
É tudo imagem somente
Onde a verdade
Está sempre dentro da gente
Num lugar que nada esconde
Porque sempre
Há de chover e fazer Sol
Só o presente interessa
Fica tudo em um alforge
É uma questão de olhar
Onde a vida da gente é o quintal
Não importa nunca a nossa pressa
Coisa que o tempo não tem
Nem precisa
Que, por ser portador da verdade
Sempre há pedras no caminho
O tempo nunca tropeça
E também não pisa em espinhos.
Edson Ricardo Paiva.
"Quando uma lâmpada se queima, no momento em que ela se queima, emite uma grande luminosidade: aquilo é prenúncio de escuridão.
Quando uma estrela se apaga, antes de se apagar, ela vai emitir muita luz e calor, a ponto de incinerar tudo que estiver ao redor : aquilo é somente o prenúncio da escuridão."
Edson Ricardo Paiva
Um dia eu percebi
Que o momento mais bonito
De toda uma existência
Ele fica guardado
Pra sempre na gente
Se era frio ou se era Sol
Não fica
Isso é indiferente
Se os bolsos vazios
Pra alma sincera tanto faz
Tem espera
Que dura uma eternidade
Mas a dúvida
Não supera o tempo de uma vida
E meu coração
Pela primeira vez
Saia a andar pelas ruas
À procura do frio
E de frio ele se preencheu
Numa noite da infância
E de retalhos de papel
Era o balão mais bonito
E mais alto no céu
Isso posto, eu digo
Sobre todos os contrários
Avessos
Sobre o conselho que mais valeu
No silêncio sombrio
A palavra ecoa
Entre um reflexo no espelho
E o melhor poema
Você não viu e nem leu
No final
A mais singela oração
Não foi a única que Deus ouviu
Mas a essa eu senti
Que depressa Deus agradeceu.
Edson Ricardo Paiva.
- Relacionados
- Versos de Amizade
- Poemas de aniversário: versos para iluminar um novo ciclo
- Feliz aniversário, mulher guerreira: frases de parabéns para celebrar seu dia
- Frases para conquistar uma mulher e impressioná-la
- Mensagem para uma pessoa especial
- Mensagem para uma amiga especial
- Versos para Aniversário
