Versos de Amor Autor Desconhecido
Eu chorei muito, eu pedi muitas desculpas, eu ouvi bastante desaforo, eu corri atrás, eu quis encontrar solução pra cada problema.
E pra falar a verdade, eu só queria me bater com uma única pessoa no mundo, alguém que me encontrasse com cara de balada nessas festas e me dissesse: Para de querer chamar atenção. Fica na sua, conversa com seus amigos baixinho, num cantinho, escondido. Você é bonito, inteligente e engraçado, não precisa fazer tudo isso. Eu tô te observando muito, eu tô reparando muito em você, eu sei o que você tem por dentro.
Daqui a mais ou menos quinze dias, você vai se apaixonar por mim pra valer. Você vai rir das minhas complicações. Vai aturar minha bipolaridade. Vai aceitar meus berros e meus surtos incontroláveis. Vai admitir meu ciúme. Vai segurar a minha mão e dizer: eu estou com você a todo momento. E eu, insuportavelmente encantado segundo a segundo, vou acreditar que você nunca vai enjoar de mim e nem vai embora.
Não é nada com ninguém, ou quase nada. Acho que é um problema de existência comigo mesmo. Daí eu preciso de novo ficar um pouco só.
Enobrece seu trabalho citar que partes vieram de outros trabalhos. Assim, você não criou tudo do zero, mas rearranjou de uma maneira única.
Quando gostamos muito de uma pessoa, nós esperamos sempre o melhor dela. E eu esperei, sempre, o melhor de ti.
Ninguém sabe quando alguém gosta de verdade ou não, pois somos todos atores e atrizes interpretando papéis. Uns conseguem fingir tão bem que acaba iludindo. Além disso, cada pessoa demonstra o que sente de forma singular.
Havia um preço que eu pagaria. E sempre pago por ele, mesmo quando ele não sabe. É que o meu instinto de proteção me deixa louco. A noção de saber que ele pode se machucar, ativa um lado sombrio em mim. A ideia de que esta pessoa poderia ser eu, me assustava mais ainda.
Eu soletro teu nome no escuro. Treino textos sem sentido para me declarar depois. Ouço sua voz ecoar pelos cômodos da casa. Ascendo a luz, mas não há ninguém.
Nunca tinha vivido uma história tão intensa, nem tão bonita, de arrepiar. Nunca havia me doado tanto, acreditado tanto, como essa agora.
Então eu banquei o sincero e te disse que o que me sufocava era essa demora, esse seu medo de iniciar o que já havia começado.
Sofria de uma doença grave e sem cura chamada romantismo-sem-endereço. Amava quem ainda não se fazia presente, inventava planos, falava ao telefone sem ter ninguém na linha. Sonhava com um sujeito sem rosto, sem tato e sem voz. Criava uma vida, uma personalidade, umas histórias conturbadas, e vivia disso. Vivia das manias, dos defeitos e de umas brigas que nunca existiram. Admirava gravatas nas vitrines. Dizia um sobrenome de casamento. Guardava presentes na gaveta, colecionava cartas que mandava para si próprio. Nunca trancava a porta do quarto antes de dormir. Escrevia para ninguém. Chamava e esperava o futuro para que assim fosse.
E eu fico lembrando do seu jeito sério e suas palavras cuidadosamente escolhidas no momento em que o silêncio prevalece entre nós. Eu dou risada dessa sua cara porque essa coisa de melhor amigo, no nosso caso, nunca fez sentido dentro da minha cabeça.
Havia um pouco da gente em cada canto. Havia a gente. Era tanto, que eu não sabia distinguir você de mim.
