Versos de agradecimento
As matas estão frondosas
renasceu a plantação
as flores nascem vistosas
frutos de tanta oração
e as águas milagrosas
estão chegando no sertão.
Nosso azul é mais celeste
nossa terra é um harém
de verde a mata se veste
e o mar se veste também
quem fala mal do nordeste
pra mim não vale um vintém.
Pode ir de mundo afora
seguir vida sem destino
sertanejo não se escora
não arrega ou bate pino
é na dor que ele vigora
enverga mas não tora
quem tem talo nordestino.
Toda mãe nordestina
pode se chamar guerreira
se transforma em heroína
por ser forte e verdadeira
não se curva a dura sina
nem se entrega na rasteira.
JAMPA!
Nunca vi terra tão boa
perfeita pra se viver
no centro tem a lagoa
e o pôr do sol pra aquecer
se não conhece João Pessoa
venha um dia conhecer.
Sou de um povo guerreiro
sou temente ao ser Divino
sou rico sem ter dinheiro
sou nobre sem ser granfino
feliz por ser brasileiro
honrado em ser nordestino.
DAQUI!
Sou filho desse sertão
que o lampião ilumina
sou do arado do chão
onde a semente germina
sou cria da região
sou da nação nordestina.
Mude logo esse conceito
que por aqui só tem pobreza
que nosso sotaque é defeito
e que falta comida na mesa
ninguém na vida é perfeito
o que você tem de preconceito
o nordeste tem de beleza.
O nordestino é um ser
que segue a boa conduta
não se entrega no sofrer
quem tem origem matuta
quem trabalha pra viver
não espera alguém trazer
bate o pé e vai a luta.
"A maioria nem sempre tem razão,
a multidão serve como escudo,
a unanimidade as vezes é burra,
como é fácil ser um sujeito oculto."
EU DISSE
Eu disse à você que sonho
estar ao seu lado.
Esta poesia eu a fiz de
madrugada, onde em sonho
contigo estava.
Se eu fosse postar o que faço
para você , encheria a minha
página de versos ,
todos teus.
Me inspiras tanto, que dessa
doce inspiração sairíam versos
ditos, não pelo pensamento,
mas pelo coração.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Acadêmico Acilbras - Roldão Aires
Cadeira 681 -
Patrono- Armando Caaraüra- Presidente
O nordestino tem nome
e honra o nome que tem
se tá pouco o que come
divide o pouco também
quem vence a seca e a fome
não nega nada a ninguém.
Escrevo
Escrevo.
Escrevo pra sobreviver de noites mal dormidas.
Narro meus dias.
Narro-os pra não me esquecer das tristezas nem das alegrias.
Conto sobre mim.
Conto sobre os outros.
Conto que os amores não são poucos.
Descrevo.
Descrevo o que os meus olhos veem.
Descrevo porque não quero que nada se apague de minha memoria.
Tão solúvel.
E os dias passam.
Alguns lentamente demais.
Outros tão normais.
escrevo pra sobreviver…
sobreviver a essas águas que querem pra sempre me varrer do mapa.
Escrevo pra tornar visível ese fio da minha vida.
Escrevo pra destatuar a dor da minha alma.
Escrevo pois só a escrita me acalma.
Vida, nossa vida!
Origem de cangaceiro
do sol forte ao céu anil
o trabalho de um vaqueiro
vale aqui por mais de mil
o nordestino o ano inteiro
mostra ao povo brasileiro
o que é ser forte no Brasil.
São léguas pra ser feliz
sem temer adversidade
o nordeste é a matriz
do que é ter dignidade
e por aqui brota a raiz
do brasileiro de verdade.
É a região mais bonita
mais que Sul e Sudeste
o meu coração palpita
pelo verde que lhe veste
minha paixão é infinita
e que Deus do céu permita
eu voltar pro meu Nordeste.
LUTA!
Mesmo longe da cidade
não desiste de aprender
o nordestino de verdade
vai em busca do saber
maior que a dificuldade
é a vontade de vencer.
SEDE DE VIDA!
Essa terra não é ingrata
não é pobre o nosso chão
chega de água na lata
água cara em caminhão
a seca fere e maltrata
mas aqui o que mais mata
é a sede da corrupção.
Nordeste de tudo tem
do sertão a beira mar
de fora o turista vem
se apaixona e quer ficar
se um não te quer bem
um milhão quer te amar.
Soneto de Quando Morri
As quatro paredes deste quarto triste
Me sufoca de pavor e pena
Ao reviver a imortal e triste cena
Do morrer de alguém que ainda existe.
Eu, fora de mim, sou quem assiste
O pouco de vida que me envenena
Angústia e carga numa vida pequena
Beber o veneno e de viver desiste.
Vejo-lhe os olhos calar o peito
Urros e gemidos finda o efeito
E a dor é arrancada do íntimo fundo.
Trancou o livro da pouca sorte
Se despede da vida e abraça a morte
Encontrando a paz no desejo profundo
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