Poemas de reflexão curtos que dizem muito em poucos versos
Sobre escrever
Por vezes, ela (a escrita)
foi minha maior companhia
Em cada traço, um sentimento
A cada rascunho uma energia
palavra por palavra,
um sorriso no rosto,
uma lágrima no papel,
um teclado engordurado
preso a cada dedilhado
de infinitas histórias,
derrotas e glórias
do futuro, presente e passado.
18/03/2024
Na cidade pequenininha, havia uma casinha
Na casinha tinha uma pequena arvorezinha.
A arvorezinha deixou de ser pequenina
E virou um pé de bananinha.
Burraco sem fundo
Algo me atrai
Cai
Buraco sem fundo
Esclamei pro mundo
As paredes sussurram
Vc está acabado!
Me finjo de mudo
O silencio me atrai
Me contrai
Sinto lâmina
Me perfurando
Algo me ilumina
Me distraio
Estamos em maio
Ou abril?
Eu realmente quero sair?
Mas pra onde ir?
Não gosto deste mundo
Mas estou morrendo
Neste burraco sem fundo
Injusto
Mundo injusto
Queria gritar
Mas estava mudo
Som agudo
Som humano
Um ser
Desumano
Mundo justo
Sem humano
Obrigado homem
Por tornar esse mundo
Injusto
''Se você nasceu pra arte, sua alma é dela.
Mesmo que você se enfie em um escritório aguardando seu vale cair na conta, mesmo que você se esconda em um cubículo atendendo um telefone idiota. Se você nasceu pra arte, ela vai te buscar. E ela vai te achar''
Até mais com gosto de adeus
Um sorriso de lagrimas
Da realidade meu sonho, você
Faz a falta, minha falta
Do meu sonho, não real, eu
Fetos ansiosos perfurarão as prenhas para testemunhar a chuva de meteoros invocada pela nossa troca de olhares. A ideia de um olá criará ciclones em Gravatá. Jorrará vida suficiente para reflorestar o sertão.
Será uma quarta-feira.
Cifras
O grito veio do fundo mudo
e ecoou oco, aos poucos.
Não era um grito de susto,
não era um grito de raiva,
tampouco era um grito de empolgação ou de alegria.
Era, sim, um grito ressentido;
era, sim, um grito gritado para que todas as lágrimas fossem choradas.
O mais belo de todos os gritos,
feito de um fôlego só,
de uma só dor,
Ade uma dor só,
Saudade é uma magrela
Com uma fome sem limite.
Sedenta, com apetite
Fita quem serve a ela.
No centro da mesa dela,
Vê-se a bandeja vazia:
Sequer escapou a vela.
Como nada mais servia,
O garçom, em agonia,
Foi devorado por ela.
Nasci e me criei no Ceará.
E tendo alma de poeta,
A dor não me afeta
Pois a sina é superar.
E se vejo alguém rimar
Sobre chuva no Sertão
Dou graças pelo feijão,
A canjica e o bovino.
Eu também sou Nordestino
Do jeito que vocês são.
Cante a beleza da ave
Que desconhece gaiola
E, bem que a viola,
Canta sem nenhum entrave.
Fale de um erro grave
Que é pra memória gravar
De quem vive a maltratar
O que a natureza projeta.
Cante o que eu sinto, poeta,
Que eu sinto e não sei cantar.
Canção do amor impossível
Como não te perderia
se te amei perdidamente
se em teus lábios eu sorvia
néctar quando sorrias
se quando estavas presente
era eu que não me achava
e quando tu não estavas
eu também ficava ausente
se eras minha fantasia
elevada à poesia
se nasceste em meu poente
como não te perderia
As livrarias
Ia ao centro da cidade
e me achava em livrarias,
livros, páginas, Bagdad,
Londres, Rio, Alexandria:
Que cidade foi aquela
em que me sonhei perder
e antes disso acontecer
aconteceu-me perdê-la?
Orelha, ouvido, labirinto:
perdida em mim a voz do outro ecoa.
Minto:
perversamente sou-a.
Em cada olhar, um universo se revela,
Teus sorrisos, como estrelas, iluminam a tela.
Teus gestos suaves, um doce encantamento,
Na dança do amor, encontro meu sentimento.
Teus lábios, um verso que eu quero decifrar,
Um poema escrito no vento a soprar.
Teu nome é canção que embala meu ser,
Nas notas da vida, só quero te ter.
Um dia, quem sabe, eu encontro
O amor que tanto sonhei,
Aquele que vem com calma,
Que fica, que nunca errei.
Será um amor sem pressa,
Que chega quando o vento parar,
Trazendo nos olhos o brilho
De quem também quer amar.
Um dia, talvez ao acaso,
No meio de um dia comum,
Encontrarei, eu sei,
O amor que tanto sonhei.
