Versos com Rima
Nu (flagra)
Quem pegou o meu soneto
e jogou metade fora?
Encontrei só um quarteto
Ai, meu livro! e agora?
Quando abri o meu terceto
Eu flagrei meu poemeto
Com redondilhas de fora
↠ Flor de salsa ↞
Pequena flor a desabrochar
entre o verde, a cor alva
branca, como o branco do olhar,
fez-se sensível para ressalva
em rima graciosa,
da parte exótica da salsa.
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Mirrada plantinha,
no vaso da janela… dava graça
outrora: a sementinha,
agora: pétala que se desfaça
na fina erva flor de salsa.
Nua e crua
Céu negro
Lua coroada
Olhando de
Baixo para
Cima, vejo
Essa perfeição,
Não faço poemas
Faço poesia sem,
Rima, nua e crua.
É, outrossim da solidão
A solitude companheira
Sempre cheia de reflexão
E distante da barulheira
Solitude se torna solidão
quando não tem conclusão
Reflexões transvertem em ociosidade
Perdura-se o eco sem reversibilidade.
Um Milésimo
"Eu sou. Eu tenho.
De onde eu venho?
Eu, eu, eu... Com a perspectiva
de uma câmera focada no umbigo."
Dos cordéis cito elementos
Tidos como essenciais
Todos tão fundamentais
Que elevam meus argumentos
Autentico ensinamentos
Cito a métrica fiel
A rima com seu papel
E a oração feito luz
Trilogia que introduz
Este ABC do cordel!
Estou tentando, com força e vontade
Quebrar o ciclo da dificuldade.
Vim de uma família simples e honesta,
Poucas chances, mas muita promessa.
Sempre lutei, nunca desisti,
Mesmo nos dias em que quase caí.
Persisti, fui contra a corrente,
Com fé e coragem, continuei valente
Já não sou tão pobre como era antes,
Mas ainda faltam sonhos distantes.
A ausência de tudo que um dia doeu,
Fez mais forte o meu eu.
Depender de ajuda nunca gostei,
Mas encarei, pois assim precisei.
Ver meus pais sofrendo foi duro demais,
Prometi mudar isso, trazer-lhes paz.
Hoje caminho com metas na mão,
Meu maior sonho é ser solução.
Conquistei pouco, mas sigo a lutar,
Com a esperança de um dia ajudar.
Mesmo com toda a injustiça desse mundo
Alguns com tanto, outros não sem nada
Eu sei, é um absurdo
Mas mesmo assim eu continuo grata
Grata pelo que? Talvez me pergunte
Por ter comida na mesa e um teto para morar
Obrigado Deus, só em Ti tenho forças para lutar
Quando o sol desaparece!
Quando o sol desaparece
A lua resplandece
As nuvens escurecem
As estrelas enaltecem
Quando o sol desaparece
Os oceanos se enfurecem
As ondas se estremecem
Os peixes se divertem
Quando o sol desaparece
As plantas enriquecem
As flores florescem
Os animais adormecem
Quando o sol desaparece
As pessoas se divertem
As ruas embelecem
O amor reaparece
Abra porta para Natal.
Uma noite de magias, de abraços e amor.
Uma vez em doze meses noite cheia de teor.
Essa noite majestosa, tão alegre e feliz
Já está na sua porta, abra ela e encontra o que sua alma quis.
Seus seres mais queridos, os irmãos, os amigos, seus filhos, seus pais, os avós, os animais -
Essa noite os lhe traz.
E assim é o Natal, uma vez em doze meses noite tão especial,
Quando devem ser servidos como pratos principais
União, amor e Paz.
E agora vai e abra sua porta pro Natal.
E receba muitas bençãos,
E carinho, esperança
Que com ele chegarão.
SINTO - Parte 1
Sinto a mudança comigo, pra que eu finalmente seja
Sinto enxurrada de ideias que vem da mente e transborda pela caneta
Sinto aprendizado, sinto bom senso
Me sinto a deriva, sinto o favor do vento
Me sinto pequeno numa onda grande e sombria
Sinto esperança porque o mar abriu um dia
Sinto paz, sinto revolta, sinto rancor as vezes
Sinto sentimentos que gestavam a mais de nove meses
Sinto o sabor de saborear outra boca
Sinto que tudo muda nessa vida loka
Me sinto pressionado, mas sigo sendo
Não inventaram nada a prova de tempo
Sinto armadilhas sussurrando e me faço de surdo
Me sinto o alvo predileto do inimigo astuto
Senti, sonhos arriscados, de grinalda e véu
Senti o amargo sabor do doce de mél
Vento que adentra pela fresta e assovia
Que faz soprar as mais belas sinfonias
Que pode agir com calma na mais pura sutileza
Mas quando fica irado derruba fortalezas
E faz espalhar as brasas da fogueira
È ele que trás, as chuvas passageiras
Podem tirar minha paz
Podem tirar minha alegria
Podem até tirar minha vida...
Podem me dar ponta pé
Podem pisar e chutar o meu boné
Nunca vou me curvar
Porque não podem tirar minha fé
Fui descobrindo aos poucos
Oque de mim faz parte
Velei os meus receios
Ressuscitei a arte
Tentei tocar violão, não era minha parada.
A lagarta não ia virar borboleta,
Foi quando eu me encontrei na ponta da caneta
Na metanoia dos pensamentos, a alma se transforma,
Em versos e rimas, a jornada se desdobra.
Do velho ao novo, a mente se liberta,
E o poema ganha vida, no pulsar de cada letra.
