Versos Antigos de Criancas
Cada gota que caí é um
Momento que se foi
Assim é a cachoeira da vida
Uma fonte inesgotável de lembranças
Uma enchente involuntária de saudade.
Amor foi feito para amar
Perdão foi feito pra se dar
Não semeie pra colher depois, o tal ressentimento.
A Uma Que Lhe Chamou “Pica-flor”
Se Pica-flor me chamais
Pica-flor aceito ser mas resta agora saber
se no nome que me dais
meteis a flor que guardais
no passarinho melhor.
Se me dais este favor
sendo só de mim o Pica
e o mais vosso, claro fica
que fico então Pica-flor.
- A senhora, duquesa, seria capaz de lembrar de algum grande erro que tivesse cometido em terna idade?
- De muitos, receio.
- Então, cometa-os de novo. Para se recuperar a juventude, basta repetir as mesmas loucuras.
- Uma teoria deliciosa. Tentarei colocar em prática.
(...)
- É verdade. - disse Sir Thomas - este é um dos grandes segredos da vida. Hoje em dia, a maioria das pessoas morrem de uma especie de concenso servil, e, quando já é tarde demais, descobrem que as únicas coisas que não nos arrependemos são nossos erros.
Parece coisa de louco
Como explicar na verdade
Que o amor, que durou tão pouco
Me doa uma eternidade
Agora
já frio o coração
(mas a alma, entretanto, ainda ferida)
resta-me a amarga e silenciosa convicção,
de só tão tarde ter percebido
que nem sequer existi em tua vida.
A gente sabe que é amor,quando de repente encontra razões para perdoar o que nunca se perdoou ,quando os mais duros pensamentos são palavras de ternura...
fora da boca
-e a gente sente,sente
mas não pensa...
Que o diga meu coração , que deseja ofender-te e transforma em poesia a minha mágoa imensa.
Aula de piano
Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
A menininha ficava a esperar
O professor de piano chegava
E começava uma nova lição
E a menininha, tão bonitinha
Enchia a casa feito um clarim
Abria o peito, mandava brasa
E solfejava assim:
Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a não daí
Dó, dó, ré, dó, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E agora o sol, fá
Pra lição acabar
Diz o refrão quem não chora não mama
Veio o sucesso e a consagração
Que finalmente deitaram na fama
Tendo atingido a total perfeição
Nunca se viu tanta variedade
A quatro mãos em concertos de amor
Mas na verdade tinham saudade
De quando ele era seu professor
E quando ela, menina e bela
Abria o berrador
Ai, ai, ai,
Lá, sol, fá, mi, ré
Não entendo,
gosto tanto de você, mas você parece me ignorar,
me dá asas para voar em minha imaginação, me enche de ilusões,
me dá um chão, porém, quando menos espero me tira-o,
dependo de uma ação sua para ter uma reação,
será que ainda não notou?
não me contento apenas com seu desprezo,
quero mais que isso,
se não pode me dar,
deixe que eu sofra em paz, viva sua vida,
tentando achar o seu amor, de pessoa em pessoa,
já que é isso que faz todos os dias,
viver apenas momentos que passam e se vão.
CIÚME.
O que é isso?
Que me faz ficar zangada
Ficar toda atrapalhada
Quando não estou contigo!
Será que é o ciúme
Que me faz ficar assim
Por não ter você por perto
E sempre longe de mim.
O que é isso?
É paixão descontrolada
É ciúme exagerado
Mais já parei pra pensar.
Vou deixar você sozinho
Vou seguir o meu caminho
Por que vou me libertar.
O que é isso?
Já não sei mais quem eu sou
Vou libertar-me deste amor
Que me faz tanto sofrer.
Este sentimento estranho
Que me faz enlouquecer
Percebi que é ciúme
Que eu sinto de você
O que é isso?
A doença do amor
É o medo de perder
Vou curar esta doença
Para não perder você.
E sou já do que fui tão diferente
Que, quando por meu nome alguém me chama,
Pasmo, quando conheço
Que ainda comigo mesmo me pareço.
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem.
" Último Pedido "
Vida, que tanto me deste
e que eu, desajeitado ou louco,
por tédio, por orgulho ou por cansaço
quebrei, gastei, perdi...
Bem sei que não tenho direito
a nada esperar de ti,
- entretanto, ouve-me ainda, como se ouvisses
o último pedido de um condenado,
sem te importares se te maldigo:
- arranja-me um outro amor, maior que aquele,
e pior que aquele até, bem pior que aquele!
Seja este o meu castigo!
Dedicatória:
Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.
Se tem uma coisa que acredito é que amores antigos devem ficar lá onde estão, guardados naquela caixinha das lembranças boas – e ruins – que a gente abre aleatoriamente, se quiser e quando quiser, só pra não esquecer dos traços do rosto. Amores antigos são lembranças do que fomos e vivemos. Ninguém precisa apagá-las, mas também ninguém precisa revivê-las.
O que você acha de jogar na mesma fase do Mario Bros sempre? Não acha chato almoçar sempre a mesma coisa?
Deve ser mais ou menos assim voltar a um amor antigo.
Você já sabe como é, já viveu, não deu certo, e por um motivo ou outro passou. P-A-S-S-O-U.
Ninguém aqui está cuspindo no prato que comeu, não entenda mal. Mas todo mundo sabe que enquanto o velho, nesse caso antigo, não ir, o novo não virá.
E cá entre nós, todo mundo merece um amor novo e louco, se der. Todo mundo merece um novo alguém pra sentir aquele friozinho na barriga e lembrar antes de dormir, você não concorda?
Quem quer ver a Divindade
Não a verá,
Porque ela é invisível.
Quem quer ouvir a Divindade
Não a ouvirá,
Porque ela é inaudível.
Quem quer tanger a Divindade
Não a tangerá,
Porque ela não tem forma.
Nenhum caminho parcial
Conduz à meta total.
Só na visão do Todo se encontra a Divindade
E então a superfície parece tenebrosa escuridão,
Enquanto a profundeza parece luminosa superfície.
Nunca a Divindade é inteligível,
Ela permeia o Universo sem fim
E gira pelo Todo como se fosse o Nada.
A Divindade é uma forma sem forma.
A Divindade é o Ser sem Existir,
É o mais Insondável de todos os insondáveis.
Quem encara a Divindade não lhe vê a face.
Quem segue o Infinito o verá sempre fugitivo.
Só quem sintoniza com o Infinito,
Esse o conhece realmente,
Como os antigos o conheciam,
Eles, que sabiam que todos os visíveis
Nascem do Invisível.
(aforismo 14 do Tao Te Ching, de Lao-Tsé)
NOVOS TEMPOS E ANTIGOS VALORES
Vivemos tempos de incertezas onde a idéia de como fazer para conseguir sobreviver às mudanças no convívio social e ambiental é todo o dia uma novidade, ou seja, nossas vidas tem sido alimentadas pela nostalgia do passado afim de encontramos esperança num futuro próximo resgatando antigos valores...
AFETOS ANTIGOS
Se o tempo fosse verdadeiramente um remédio, não “voltaríamos” para amores antigos. Não lembraríamos, não sofreríamos ao ver a pessoa com outro par. Esses amores sempre estarão ali, acolá, guardados em uma caixinha bem lá no fundo daquelas lembranças mais deliciosas. Isso sim é que podemos chamar de tentação, quando sua cabeça diz não, mas seu corpo, seu coração e todo o resto desobedecem. Bom, vamos parar...
“Os antigos filósofos pensavam muito mais que liam. A invenção da imprensa modificou as coisas. Lê-se mais do que pensa”.
(Em "Pensamentos que penso quando não estou pensando" Página 46 - 3a edição - Papirus – 2012)
Cantiga de Roda Ministro
Ciranda, Cirandinha
Mais ministros vão mudar
Podem dar a meia volta
Que os antigos vão voltar.
