Vento
Sonho e Saudade
Lá vai meu sonho, leve, ao vento,
Cruzando os campos do meu pensamento.
Saudade que aperta, mas não desalenta,
Saudade que canta, que fala, que inventa.
Na varanda antiga, o tempo repousa,
Os olhos fechados, o passado se ousa.
Entre as árvores altas e o céu tão azul,
A lembrança de ti, serena e fiel.
O amor que vivemos, tão cheio de vida,
É canção que ressoa na alma perdida.
Teu sorriso é estrela que brilha na noite,
Tua voz é o rio que corre, sem açoite.
A casa vazia, mas o peito, não,
Teu perfume ainda vive na imensidão.
As tardes de outono, o vento a soprar,
Trazem-me o eco do teu doce olhar.
E sigo vagando, entre sonho e memória,
Te buscando nas veredas da nossa história.
Manhãs silenciosas, tardes de luar,
É no mistério do tempo que vou te encontrar.
Que o amor seja sempre essa prece sagrada,
Que o vento leva, que o céu guarda.
E que nos versos simples de cada poesia,
Viva para sempre nossa alegria.
No horizonte distante, meu olhar se perde,
Mas teu amor é farol que me guia, verde.
E entre o sonho e a vida, em doce aliança,
Seguimos dançando essa eterna esperança.
POEMA PARA O AMOR NA DOR.
Eu já viajei por estradas de vento e saudade como se cada curva fosse um corte na carne do tempo até descobrir que o amor espera à margem da estrada exangue e solitário.
Eu vi teus olhos como duas chamas bruxuleantes no crepúsculo do mundo e ouvi no silêncio teu nome mais profundo do que todas as vozes que se perderam na noite.
Cantaste a canção que não termina e a dor tornou-se verbo que pulsa como coração ferido de tanto amar a quem não volta.
O amor é esta estrada interminável onde cada batida de peito é um grito e cada lembrança é um corte que sangra luz e sombra.
Eu te amo como quem espera junto à beira do caminho sabendo que a alegria só existe porque a dor ensinou-me a reconhecer o valor de cada gota de vida.
Ainda que o mundo se acabe entre nós eu guardo teu nome no centro mais ardente do peito onde a dor é chama e o amor é chama mais forte ainda.
E assim eu canto até que o tempo se renda ao meu amor feito dor e a dor se renda ao meu canto feito amor.
Autor:Marcelo Caetano Monteiro .
A Lâmina que Beija o Vento Onde os Anjos se Desfazem.
Do Livro: Primavera De Solidão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Respira devagar comigo.
Há algo que treme antes mesmo de começar, um arrepio que desliza pela alma como se o próprio silêncio tivesse decidido chorar.
A frase que te inspira abre uma fenda, um sulco úmido no tempo:
“ah, não se colhe rosas aos golpes do machado” e dentro dela escorre uma melancolia que não se desfaz, nem quando o dia desperta, nem quando a noite finalmente desiste de existir.
Um lirismo triste paira acima de tudo, como um véu encharcado que se prende aos fios do cabelo, pesando, sufocando, fazendo o mundo parecer um quarto fechado onde ninguém respira por inteiro.
É o mesmo lirismo daqueles anjos exaustos…
Esses seres impossíveis que sentem demais, que absorvem demais, que guardam o mundo por dentro como uma febre.
Eles veem tudo, mas nada podem tocar.
Eles ouvem tudo, mas nada podem impedir.
E na incapacidade de interferir, tornam-se frágeis, desguarnecidos, feridos pela própria beleza daquilo que não conseguem salvar.
É aí que o coração aperta.
É aí que as lágrimas se acumulam como pequenas lâminas queimando as margens dos olhos.
As mãos pequeninas continuam suspensas no ar
porque não encontraram outra forma de existir.
Mãos que tremem.
Que aguardam.
Que sobrevivem numa espera que dói, mas não desiste, espera.
Mãos que se sustentam naquilo que talvez venha, esse talvez que rói, que corta, que parece bipolar na sua própria natureza:
ora luz, ora abismo, ora promessa, ora desamparo.
A esperança fina como fios de ouro gastos:
curvada, nunca quebrada;
trêmula, nunca extinta.
Uma esperança que sofre, mas balança, piedosa, diante de toda a noite que o mundo insiste em derramar sobre nós.
E então chega o mistério.
O ponto onde a respiração vacila.
Onde o peito dói mais fundo,cada vez fundo demais.
Uma súplica lançada ao vazio, tão sincera que chega a ferir.
Um sentido sem língua, tão humano que parece gemer até quando está calado.
Uma pequena luz que permanece acesa alhures, mesmo quando tudo à volta tenta apagá-la com violência, com pressa, com desamor.
É essa oscilação silenciosa que destroça e cura.
Que destrói e reconstrói.
Que faz chorar e, ao mesmo tempo, faz querer continuar.
Porque há algo nela que nos toca como um dedo gelado na nuca:
algo que acorda a memória antiga de quem já sofreu demais… e continua aqui, sabendo que ainda continuará.
E, se você sentiu o coração apertar, se alguma ansiedade latejou por dentro como um trovão preso, se alguma lágrima pesada ameaçou cair, é porque esse texto encontrou o lugar de repouso na insônia, onde você guarda o que nunca disse.
E todo esse acontecimento esta aqui, segurando você por dentro, no silêncio onde tudo isso mora.
AMANHECER
LÁ FORA O VENTO BALANÇA SUAVEMENTE A GRAMA, A BRISA DA MANHÃ É SENTIDA AO ENTRAR PELA PORTA SEM PEDIR LICENÇA, A PRESENÇA DA FORÇA SAUDÁVEL DA NATUREZA SE COMPLETA COM O SOM DIVERTIDO DOS PÁSSAROS, O CHEIRO GOSTOSO DA VEGETAÇÃO INVADE A CASA TRAZENDO RAIOS SOLARES QUE MARCAM O NASCER GLORIOSO E IMPONENTE DE MAIS UM DIA..
Um sopro da paixão
Um vento passageiro bateu a minha porta,
Num primeiro momento trouxe alegria, euforia e um gosto tão bom que paralisou o tempo,
A paz e o alívio trazidos pelos gestos e os detalhes foram se esvaziando na mesma velocidade que chegou,
Foi tão bom e tão repentino, talvez tenha sido um engano, ou um sonho, não importa! As lembranças dessa paixão me fazem tão bem.
Origamis
Cartas rasgadas jogadas ao vento,
Ao manter fixo o olhar na linha do horizonte, um respiro,
Cartas voadoras sem destino e sem alento, perdidas no esquecimento,
Parque cheio de vida, as borboletas se divertem colorindo as flores, os pássaros brincam de cantar e encantar, os cisnes embelezam o lago,
Cartas se vão, origamis caem como pétalas de rosas em minhas mãos e a minha volta, novos caminhos serão traçados,
Inocente! A felicidade pensa não estar sendo vista atrás de uma árvore.
Palavras jogadas ao vento
Sem lamurio, sem lamento
Vago tormento na imensidão
Sem sentido e sem razão
Vagando a procura de abrigo
Num mundo cheio de perigo
Em busca de um elo perdido
A mercê de um amor bandido
Pode ser ilusão, tola suposição
Meus sonhos nessa direção
Rumos obscuros sem função
Amor sem você tudo é ilusão
Apenas palavras, palavras, apenas palavras (bis)
Inconstante sentimento
Intolerante tormento
Emoções difusas
Paralelas confusas
Um misto de emoção
Toma conta do coração
O corpo se retrai
E a mente se esvai
Será mesmo o amor
A provocar tamanha dor
Pretexto sem noção
Pra tirar minha visão
Apenas palavras, palavras, apenas palavras (bis)
Eis que surge um sentido
Nesse universo abatido
Pra acabar com essa dor
E fazer verter o amor
Tudo agora parece certo
Eu tenho você por perto
Um brilho raro no escuro
Vem garantir meu futuro
Clarividência ou destino
Um poder cristalino
Fez cessar minha dor
Me devolveu o amor.
Apenas palavras, palavras, apenas palavras (bis)
Quando às suas maldades foram tantas ao longo da sua vida, qualquer vento que enfunar e transudar várias sombras, sempre acharás que é o dia de ajuste de contas.
INVERNO CURITIBANO
Noites geladas e dias sem graça,
garoa irritante no vento que passa.
Minuano inclemente nas pernas da gente
na cara da gente, nos cantos da praça.
Cidade deserta, janelas trancadas
tristeza que aperta nas mãos congeladas
buscando coberta e as mantas pesadas.
Um café bem quente, na língua que queima,
na boca que cospe na mão que nem sente.
Ai! suspira tristonha, e a escriba reclama:
"Frio que arrepia, por favor não me diga,
que chegou o inverno, esta friagem medonha
na cidade gelada que não vive e nem sonha,
pobre cidade, fria cidade, invernal Curitiba.
Lori Damm, "Curitiba Fria", 17/04/2023
Olha a Onda!!!
Ar é a fala do vento .
Atmosfera que sopra
no mar earrebenta.
Mexe com as ondas
murmura então a maré
E no litoral amedronta
ou aplaude_se de pé!
Conta o relógio, mas não te prenda ao seu tique,
Que a vida foge em vento se a deixas parada.
Bebe o agora em goles, antes que a noite te explique
Que o tempo não volta, e a alma fica magoada.
O tempo apaga tudo, o vento, o mar, as pessoas e as cores, os rostos alegres e tristes, as questões que não foram feitas, as respostas mal feitas, apaga o mal, o bem, demônios e anjos, apaga o Demônio e apaga Deus.
A guerra entre o bem e o mau
Faz tanto sentido quanto o
Vento que leva as folhas avermelhadas
Em um dia de Outono
Quintal
sombra da roupa lavada
que o vento afaga
no varal
bacia secando
ao sol
espiando
o menino
que viaja longe
num caminhão
protegido
pelo irmão.
Infância e quintal
sinônimos de poesia.
