Vento
à tarde um vento suave
Levemente se move
E vai soprando o barco à vela
Vejo o mar pela janela
Tão distante; penso nela
Se à noite o vento apaga a vela
Mesmo assim, no escuro, és bela
Te vejo em meu sonho e pergunto
Meu Deus, o que foi que te trouxe?
Quisera fugir de presença tão doce
Quem sabe se ao menos
Tão bela não fosse
Acordo, abro a janela
a olhar as estrelas pulsando
Lembranças que se acendem
e esperanças que se apagam
Qual lume,
dos insetos que à noite vagam
Respirar o perfume de fada
que emana da tua lembrança
e meus sentidos embriagam
Assim eu não sinto tanta saudade
E nem morro de distância
tento somente
Enxergar-te em essência
se cego e surdo
fosse eu, de fato
Quisera a sorte permitisse
ver-te bela
pelo tato.
Minha vida é igual
A uma folha de papel
Voando ao vento
Há momentos
Que chega bem perto do Céu
E outros
Em que é varrida
de outras vidas
Qual fosse uma folha morta
Que caiu da casa vizinha
Minha alma
É como uma pena de ave
E flutua suave
Chegando pertinho da Lua
Aquela Lua bonita
Que enfeita e ilumina
As noites quentes e tranquilas
Aquelas noites que parece
Terem existido só na infância
Folha ou Pluma
Vida ou Alma
Pouca gente se importa
Com sua importância
Hoje em dia
Ninguém mais tem tempo
Pra olhar estrelas,
Atentar para o brilho da Lua,
Pensar nas coisas do Céu
Ou algo assim.
Enfim
Vou seguindo sozinho
Livre e feliz
Contente com as coisas que fiz
Satisfeito
Com o jeito que eu as quis
Tenho a Paz de consciência
E sou uma daquelas pessoas
Que olha as Estrelas
Escreve Poemas pra Lua
Enxerga as coisa boas
Que há no mundo
Tomara que a minha alma
Flutuando
Passe um dia pela sua.
O vento vai soprando
Estrelas brilham na noite
Mas a Lua está no comando
Cigarras fazendo farra
Vagalumes no desmando
O calor abranda
A saudade vem
A folha cai
toda folha tem
A sua hora de ir embora
E a noite demora a passar
Uma voz
Não sei de quem
Vem dizer
no vento sonolento
Que além daquelas estrelas
Existem muitos outros mundos
E outras vidas existem lá
Pode ser
Que neste momento
Um peito tão profundo quanto o meu
Esteja também olhando pra cá
Talvez aconteça
De nossos pensamentos se cruzarem
E Deus
Por pena, merecimento ou sorte
Permita
Que essa estrela brilhe mais forte
Assim, na próxima noite
Duas almas iguais e distantes
Saberão exatamente
Onde olhar.
Edson Ricardo Paiva
No lugar onde eu moro
O vento sopra de noite
Quero-quero canta de dia
Às vezes os papeis se invertem
E o vento sopra de dia
Quer-quero canta de noite
Horas há, também
Em que tudo se mistura
E o vento e o quero-quero
Sopram e cantam noite e dia
E ambos se divertem
em me ver
na dúvida mais pura
Abrindo a janela
e fechando as cortinas
Abrindo as cortinas
e fechando a janela
Centenas de vezes ao dia
e às vezes
Também de noite.
Edson Ricardo Paiva.
É tarde de mês de novembro
É tarde de ventania
É dia de chuva
A chuva é de vento
Não existe Mar à vista
Nenhum continente pra conquistar
Não há Mar pra eu andar sobre as águas
Não é tarde de conquista
Ela é só mais uma tarde de novembro
Eu nem me lembro quantas vezes vivi
Ou quantos meses eu vi este ano
Nesta tarde planejo
Molhar-me na chuva
Troveja
E eu vejo pela janela
O vento carregando aquela nuvem
Pra distante
E antes que chova
Novamente o Sol arde no Céu
Como há muito esse Céu não ardia
Malogrando meus planos
Num dia de tarde de mês de novembro
Era chuva de vento
E lentamente o meu banho de chuva
Outra vez se distancia
Numa tarde de Sol
de outro mês de novembro.
Edson Ricardo Paiva.
O vento
Que leva os pensamentos
Pensava
Que será que apenas os leva
Ou será que as tantas névoas
Cujas quais
Ele atravessa
Mais e mais o faziam
Entregá-los pelo avesso
E desse jeito
Simples pensamentos
de apelo
Lá pelas tantas
Do final do dia
Os havia demovido
Em pretensão
Amores em ódio
Simpatia em repúdio
A dúvida em certeza
E até mesmo
A mansidão adquirida
Lentamente, ao longo do caminho
Em questão mal resolvida
Que o avesso pensamento
Ou trouxe, ou transformou-se
Talvez, como prelúdio
Para o início de uma nova vida
E o vento percebeu
Que por breve momento
Passou por um desconhecido
Cujo nome era medo
Era cor que evapora
Era dor, era fome, era orgulho
Uma senhora sorridente
Mas seus passos não vem atrás
E nem vão à frente
Caminhando sempre ao nosso lado
Embora enevoados e sem fazer nenhum barulho
Quem treinar os olhos
A pode perceber
Mas somente se o quiser
De sorte que lhe falou
Sobre a existência de um lugar
Onde morrem os ventos
Mas que ninguém o sabe
Além de Deus... e da morte, talvez
Pois a hora marcada
Jamais esteve nos ponteiros
E o momento presente
é sempre breve
E a verdade, cada vez mais escondida
Nos segredos que o tempo escreve
Por detrás do denso nevoeiro
Que por ora
O vento atravessa
Sem pressa
e nem demora
A cada coisa o seu tempo
E a todo tempo
A sua hora
Mas que a vida
É um breve momento
Frágil como a neve
E tão leve como o vento
Mas que cada um de nós
Escreve
Em qual direção
Deseja que o vento a leve
Embora não veja
E, talvez, seja por isso
Que a chuva chora.
Edson Ricardo Paiva.
Leves
Como pétalas ao vento
No mais preciso momento
Em que o vento leve
A um suave soprar
Se atreve
E quando a gente o percebe
Parece que está recebendo
Mensagem de pensamento
Advindo de uma brisa
Exatamente
Quando aquilo que mais precisa
É que o vento só leve
De volta, de leve e depressa
Alguma resposta
Qual fosse uma prece
E contasse pra Deus
Sobre sonhos e lembranças
A parecerem esquecidos
Mas que ainda estão guardados
No meu cântaro perdido
E são meus
Diferindo-se, enfim
Queria eu que fossem
Como prantos de pássaros
Que pelo vento enveredavam
Adentrando pelas janelas
Elas, que a tantos sorviam
Mas, que mesmo assim
Permaneciam como sendo
Cantares de passarinhos
Pois é assim
Que homens iletrados
Sozinhos
E simples, iguais a mim
Os conhecem
Enquanto o pássaro, feliz
De lado a lado, cruza o Céu.
Por vontade de Deus, se esquecem
Sem razão pra viver, ele voa
Esquecidos da dor que doía
Pra que a dor não lhes doa outro dia.
Edson Ricardo Paiva.
Perdeu-se
Sumiu-se
Foi
Que nem
Que se era vento
Não viu-se
Se era pipa de papel
Ou
Se pedaço de papel
de catavento
Voou-se de repente
Perdeu-se, lentamente
Fez um traço lá no céu
do espaço lento
Quando inteira
Era eternidade
Em pedaço
Chamou-se momento
Num momento se passou
Se foi no vento.
Edson Ricardo Paiva.
A Nuvenzinha lá no céu
E o vento soprou
Pra levantar cortina
Soprou para apagar a vela
Assoviou agora, dentre as folhas
Que lá fora, crepitantes
Crepitaram diferente
Que não são mais as de ontem.
Jamais são as mesmas de antes
Faz lembrar
Que folha é que nem gente
E que uma hora elas se vão
E na próxima estação
Não serão como outrora
Mas, daqui pro fim da vida
Há de ter pra sempre
A nuvenzinha lá no céu
Que ninguém olha
O vento soprou vela à caravela
Moveu ponteiro ao catavento
E lentamente
O dia inteiro
O vento anunciou a hora
E que por ora
é cerrar janelas,
e varrer as folhas
e acender as luzes
Pois o novo dia
Ele também termina
E que ele vai ser assim
Até que acenda
O Sol do fim dos dias
Porque todo tempo do mundo
Ele também se acaba
Pra que o vento nunca mais
Suba as cortinas
Pois a chuva molha ainda
Mas, daqui pro fim da vida
Há de ser pra sempre linda
A nuvenzinha lá no céu
Mas ninguém a olha.
Edson Ricardo Paiva.
Ventania
Era dia de vento lento
Até que soprou
Soprou até
Sobrou até pro pé de ipê
Levou até não sei o quê
Que não se vê
Ventou até
Levou a paz e o pensamento
O tanto faz e eu tô atento
E eu tô à toa e eu vou até
Até que eu não fosse mais
Não dá mais pé
Assim, de momento
Levou-me a fé num pé de vento
Deixou-me aqui, por enquanto
De tanto que trouxe o vento
Pelo tanto que ele levou
Hoje é doce o desencanto
Surge um pranto que doeu
Doeu-me um tanto
e eu sozinho
Sentado ao pé do caminho
Parado
Procurando espinho. ou mais
e foi-se...foi-se até
Foi-se até não ser esquecida
Depois de ensinar a vida
Doer, sem mostrar onde é.
Edson Ricardo Paiva,
Quando estamos sós
Pensamos em Deus
Raramente falamos
Conversamos com o vento
Dirigimos pensamento à escuridão do quarto
Hoje eu sonhei com um pé de ipê
Brandindo flores
Foi muito lindo e sem porquê
Refazendo o caminho
Eu me vi no escuro e sozinho
Perto ou distante
É certo que Deus não se cala
Seu silêncio fala ao mundo
Através dessa quietude
Imensa às vezes
Quando essa ausência faz pensar
Se estamos felizes ou não
Isso, dizemos ao vento
Dentro da escuridão que há em nós
Abri minha janela e pude vê-la
Saber exatamente
O nome do lugar
Pra onde ela vai, quando se esconde
Tudo bem não falarmos com Deus
Se prestar atenção
Assim mesmo, Ele responde
Basta ouvir teu coração.
Edson Ricardo Paiva.
Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia
Pode ser que elas voltem
E que nos contem por um momento
O que era que estava escrito
Numa manhã de Sol qualquer
Poder ser manhã de um Sol que se sente só
Sentindo um nó na garganta
Por ver-se só, lá acima da tempestade
Numa tarde de chuva que nos invade
Só que é aquela chuva que não chove
Poesia de quê?
Poesia de tarde, poesia que vem de cima
Que não faz chorar e nem sentir
Poesia de nuvem, que não comove
E esconde o Sol que nos olha
Sem nada nos olhos, nem no olhar
Cada dia é outro dia
Pode ser que hoje, ainda
Elas chovam sobre nós por um momento
Trazendo uma noite estrelada, uma noite linda
Dia de esperar, não era
Era dia de espera só
De olhar o Sol detrás da nuvem, igual criança
Com o todo nos olhos, tendo estrelas no olhar
Escrevendo poesia de esperança.
Edson Ricardo Paiva.
"Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia"
Edson Ricardo Paiva
Parece que um vento de outono
Com folhas da mesma estação
E aquelas tardes de mesmices
Vem arder no coração
Pra mostrar que deixaram uma certa saudade
Daquelas, que se leva tempo a perceber
Mas elas vem, porque
Sempre há de soprarem
Vazios, que te fazem ocultar a tantos rios
Rios guardados num lugar que só se sente
Quando o outono varre as folhas
Que só sabe, que só sente
Os olhos que guardaram essas imagens
Paisagens que a vida escondeu
Num lugar assim, pra lá de especial
Perdido, escondido
Aqui, no coração da gente.
Edson Ricardo Paiva.
à tarde o vento empurra a vela
Vejo o mar pela janela
Se à noite o vento apaga a vela
Mesmo assim, no escuro, és bela
Te vejo passando e pergunto
Meu Deus, o que foi que te trouxe?
Quisera fugir de presença tão doce
Quem sabe se ao menos
Tão bela não fosses
e quando não estás
vou pra janela
olhar as estrelas pulsando
teu nome e teu sorriso
brilham no Céu
de vez em quando
Lembranças que se acendem
e esperanças que se apagam
Qual lume, dos insetos
que à noite vagam
dá até pra sentir o perfume
que emana da tua presença
posso até parecer triste
sou mais feliz
que você pensa
Seu cheiro tua ausência compensa
e meus sentidos embriagam
embriagado então
grito baixinho
que é pra não acordar
minha tristeza adormecida
que existe por não poder
estar em você
nem na sua vida
e isso torna a minha
sem sentido
se cego e surdo
fosse eu, de fato
quem sabe a sorte permitisse
ver-te bela
pelo tato.
Hoje o Sol não brilha
Agora o pensamento falha
e enquanto caem as folhas
o vento sopra
e não trás nada
além de lembranças
de tanta
alegria perdida
tento calcular
o desespero que eu sinto
mas, há coisas que
não se mensura
acima das nuvens
as estrelas não se movem
eu tento enxergá-las
mesmo assim
e a vida
vai passando em vão
assim como são vãs
as falsas alegrias
que passadas
não deixaram nada
lembranças sem garantia
já sepultadas
hoje em dia
Hoje o Sol não brilhou
hoje eu não olhei pro Céu
Há dias em que as coisas páram
Há tempos em que as coisas
mudam depressa
Não percebemos
Quando foi que amiudaram
As esperanças
vão sumindo
Conforme os dias correm
Fantasias coloridas
cores fantasiadas
Dourados raios de Sol
Que sempre me iluminaram
Há dias em que as coisas páram
tudo volta a ser semente.
Final de tarde
Sopra meu rosto
O Vento
O Sol
Pinta de Vermelho
O Céu
O lago à minha frente
Reflete a minha imagem
Quando olho minha cara
Reconheço o olhar sincero
Hoje ainda me resta um sorriso
Só preciso descobrir
aonde está
Minha vontade de sorrir
Acho que ficou
No dia
Em que tua mágoa sem trégua
Levou-te decidir
Que era hora de partir
A vida passa
E voa ao vento
Voa leve
como algo escrito
Numa folha de Papel
Seus pensamentos
Feios ou bonitos
Assim como seus atos
Alcançam a Estratosfera
Assim como os Meus
Ai, Meu Deus
Quem dera
Viver apenas coisas boas
E permitir
Que meus pensamentos impressos
Voassem à toa
E pudessem espalhar
Ao longo de todo o Universo
Versos Felizes
Colorindo
Com todas as Matizes
Alegrias
Multicoloridas
Ornamentar a minha
a sua
E todas as Nossas vidas
Presentes e Futuras
Transformar em Arco-Íris
As agruras existentes
E ver a flutuar no ar
A Solução
De todas as tristezas
Que neste momento
Estão presentes
Em todas as nossas mentes.
Bom dia, Bento
Eu hoje orei por ti
Senti tua benção
Que veio junto ao vento
Tua Luz luziu
junto ao meu leito
Janelas fechadas, ainda
Pensei então
em teus preceitos
Naquele perfeito
Momento de Paz
Agradeci a Deus
a tua ordem
Neste primeiro
Momento do dia
Antes que os pássaros
acordem
Antes que o malho
do martelo
Coloque mais calos
nas mãos
deste teu
singelo operário
Antes que os trens
iniciem a jornada
pelos trilhos
Em
Mais um dia de trabalho
Neste momento
Tão
Lento e sonolento
te peço
São Bento
Abençoa
Teus filhos.
De repente o vento
vem bater à tua porta
é que a vida te trouxe o convite
a vivê-la enquanto ela existe
da melhor maneira que for capaz
a escolha é toda sua
O que você não fizer
a vida faz
Coloque no teu coração
o maior amor que lhe couber
Se você não o tiver
a vida traz
Conhecimentos serão necessários
pra que você não precise
consultar o calendário
Tempo e vida são somente
aquilo que trazes na mente
o medo de não saber
é algo que não te cabe
aquilo que não souber
a vida sabe.
